O Sepultura levou a turnê de despedida “Celebrating Life Through Death” ao festival Bloodstock. A banda subiu ao palco do evento na última sexta-feira (7), no Catton Hall & Park, em Walton-on-Trent, na Inglaterra, e recebeu elogios da tradicional revista britânica Metal Hammer pela apresentação.
Em resenha para o veículo, o colaborador Stephen Hill atribuiu a nota máxima à performance dos músicos. Ao seu ver, o grupo “roubou a cena” e pode ter representado “o melhor show do dia”, que contou ainda com nomes como Lamb of God, Municipal Waste e Biohazard.
O jornalista iniciou o texto exaltando o vocalista Derrick Green, a quem descreveu como “um dos frontmen mais subestimados do metal”. Citando músicas como “Kairos” e “Means to an End” como exemplo, o profissional argumentou:
“Independentemente da sua opinião sobre quem ou o que representa o Sepultura, o fato de a banda ter sido uma presença constante no universo da música pesada por quatro décadas é uma conquista impressionante. É claro que, assim como o público presente quer ouvir todos os clássicos da era de ouro do Sepultura, liderada por Max Cavalera, seria um erro ignorar o material mais recente. Há bons argumentos para considerar Derrick Green um dos frontmen mais subestimados do metal. ‘Kairos’ e ‘Means To An End’, ambas músicas da fase em que ele está na banda, soam gigantes até hoje, e Green as interpreta com sua habitual presença de palco e autoridade.”
Stephen também enalteceu a decisão do Sepultura de incluir três músicas do novo EP, “The Cloud of Unknowing”, no repertório, mas concluiu ressaltando a força dos clássicos lançados pela banda no passado que, ao seu ver, são insuperáveis quando tocados em sequência:
“No fim das contas, por melhor que tudo isso seja, é na reta final do show que a temperatura realmente sobe. Existe alguma banda da música pesada capaz de superar ‘Territory’, ‘Refuse/Resist’, ‘Arise’, ‘Ratamahatta’ e ‘Roots Bloody Roots’ como uma sequência de cinco músicas? O público do Bloodstock claramente acha que não e enlouquece completamente durante 20 minutos de puro metal em estado de perfeição.”
Vale mencionar que a Metal Hammer frequentemente elogia o trabalho do Sepultura. Ao idealizar para a revista um artigo a respeito da importância do disco “Beneath the Remains” (1989), o colaborador Rich Hobson destacou:
“Embora temas como inconformismo, guerra e alienação não fossem novidade no thrash, poucas bandas antes do Sepultura fizeram tudo isso soar de maneira tão pessoal […]. ‘Beneath the Remains’ também se mostrou um ponto de partida para uma das sequências de álbuns mais importantes da história do metal. O Sepultura alcançou patamares ainda maiores com ‘Arise’, de 1991, seu grande avanço comercial, antes de redefinir seu som em ‘Chaos A.D.’ e ‘Roots’, à medida que incorporava elementos de groove e do que viria a ser conhecido como nu metal. A banda também foi a primeira do metal a mostrar que não era necessário vir da Europa ou da América do Norte para conquistar espaço no cenário internacional.”
O show final do Sepultura
O Sepultura anunciou os detalhes de seu último show. A performance encerra a turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”, iniciada em março de 2024 e com mais de 130 apresentações realizadas até o momento.
O evento derradeiro está marcado para o dia 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. A produção é da Live Nation e os ingressos estão à venda no site da Ticketmaster Brasil.
As atrações de abertura incluem os brasileiros do Krisiun, os americanos do Sacred Reich e também o Metal Allegiance. O supergrupo é capitaneado pelo baixista Mark Menghi e traz em sua formação Mike Portnoy (bateria, Dream Theater), Phil Demmel (guitarra, ex-Machine Head), Troy Sanders (baixo, Mastodon) e a dupla Chuck Billy e Alex Skolnick, vocalista e guitarrista do Testament, respectivamente.
Entre os ex-integrantes confirmados estão o baterista Jean Dolabella, que esteve no Sepultura entre 2006 e 2011, e o guitarrista Jairo Guedz, guitarrista original, que fez parte do grupo entre 1985 e 1987. Mais atrações e convidados podem ser anunciados até a data do show.
Sabe-se que os membros fundadores Max (voz e guitarra) e Iggor Cavalera (bateria) não devem participar. Em declaração à Rolling Stone Brasil, Andreas Kisser declarou:
“Liguei para o Iggor alguns meses atrás. Tivemos uma conversa sensacional e muito cordial. Falamos de outros assuntos: família, futebol… foi muito legal. Então, fiz o convite. Ele disse: ‘cara, a gente não sente parte disso, a gente não se sente confortável’. Deu os motivos dele para não querer fazer parte disso. Ok. Por meio dos empresários, também enviamos oficialmente um contato lá [para Max] e também recebemos a negativa. Não sei se foi diretamente da Gloria [esposa e empresária de Max] ou do advogado, mas fomos pelos dois caminhos: um caminho direto, onde falaram ‘não’, e outro mais burocrático, onde também foi falado ‘não’. Se chegou na Gloria ou não, isso não tenho como dizer. Só posso te dizer o que tivemos de retorno. E está de boa. Acho que tínhamos que fazer o convite. Seria muito legal a participação deles.”
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