Em dezembro do ano passado, o Kiss foi um dos homenageados do Kennedy Center Honors, prêmio oferecido a artistas por suas contribuições à história e cultura americana. A presença da banda na cerimônia, porém, causou certa polêmica.
Isso porque a celebração aconteceu na Casa Branca, em Washington, D.C., e foi apresentada pelo presidente Donald Trump. Na edição mais recente, o republicano esteve diretamente envolvido na escolha dos nomes prestigiados, destituindo o conselho de curadores e o substituindo por apoiadores de seu partido.
Em comunicado, Gene Simmons chegou a dizer que o “Kiss é a personificação do sonho americano” e que os membros estavam “profundamente honrados em receber a homenagem do Kennedy Center”. Depois, à CNN, opinou que “algumas coisas fazem sentido e outras não” no movimento MAGA, que defende, por exemplo, protecionismo econômico e políticas rígidas de controle de fronteiras.
Tal postura fez com que o músico perdesse oportunidades profissionais. Recentemente, o próprio abordou o assunto durante bate-papo com Bill O’Reilly.
Quando perguntado se “a liberdade de pensamento intelectual custou algum trabalho”, o baixista e vocalista relatou conforme transcrição da Far Out Magazine:
“Sim, existe essa coisa de ser cancelado. Eu sou abençoado, porque quando você atinge um certo nível de conforto financeiro, isso não te afeta. Eu nem sempre concordava com minha mãe e eu daria a minha vida por ela. Essa ideia de sempre concordar com alguém é uma loucura.”
Em seguida, Simmons manteve a mesma opinião a respeito do Kennedy Center Honors e destacou que Trump venceu a eleição legalmente. Sendo assim, encarou a situação da seguinte maneira:
“Houve talvez dois ou três programas em que alguém me perguntou, em frente às câmeras, enquanto eu dava entrevistas, o que eu achava do presidente. E eu respondi: ‘não tenho nenhum problema em receber o Kennedy Center Awards, ele é o presidente dos Estados Unidos e foi eleito legalmente para o poder’. Ele venceu a eleição por milhões de votos, e também no Colégio Eleitoral. Ponto final. Se você não gosta, pode esperar até a próxima eleição e votar de acordo com sua consciência.”
Para Gene, os artistas não deveriam misturar música com política, o que está cada vez mais comum no cenário atual. Ele concluiu:
“Eu tenho um ponto de vista como artista. Você sobe ao palco, aquilo é um lugar para a arte. Eu realmente não estou interessado em pessoas famosas opinando sobre política ou crenças […]. E quando eu estava crescendo, ninguém nunca me perguntava em quem eu votei. E o que isso tem a ver com as pessoas? Antes existia uma cortina. Você ia até ela. Você puxava a cortina porque não era da conta de ninguém. Você votava de acordo com a sua consciência.”
Vale destacar que, no passado, Simmons assumiu uma postura crítica quanto ao governo de Trump. Em entrevista à Spin em 2022, o músico classificou o líder, a quem conheceu no reality show “The Celebrity Apprentice” em 2008, como o responsável por polarizar os Estados Unidos e refletiu (via TMDQA):
“Já o conhecia Trump antes dele ter entrado para a política. Olhem o que este homem fez ao país com sua polarização. Antigamente, você tinha vergonha de ser publicamente racista e espalhar teorias da conspiração. Agora, as portas se abriram porque ele permitiu.”
Kiss atualmente
Após o fim da turnê de despedida em dezembro de 2023, o Kiss vem fazendo performances pontuais. Em novembro do ano passado, a banda realizou duas apresentações no evento Kiss Kruise: Land Locked in Vegas, celebrando o 50º aniversário do fã-clube oficial Kiss Army, e, agora, marcou um terceiro e quarto compromissos desde a aposentadoria da estrada.
O grupo marcará presença novamente numa segunda edição do Kiss Kruise: Land Locked in Vegas, agendado entre os dias 13 e 15 de novembro. Paul Stanley (voz e guitarra), Gene Simmons (voz e baixo), Tommy Thayer (guitarra) e Eric Singer (bateria) tocarão duas vezes no evento, em performances sem as tradicionais maquiagens e fantasias.
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