Kurt Cobain sempre teve uma relação complicada com a fama. Após a explosão do Nirvana, o saudoso vocalista e guitarrista afirmou, em uma entrevista de 1993, que preferia que sua banda fosse cult, já que esses grupos “não enfrentam os problemas de ser uma celebridade” e tendem a manter um público fiel.
Conforme o site Far Out Magazine, o ícone do grunge também pontuou em certa ocasião que queria “ter a adoração de John Lennon, mas o anonimato de Ringo Starr”. Ainda, à MTV News, que não desejava ser um rockstar.
Porém, Dave Grohl vê a questão de forma diferente. O líder do Foo Fighters e baterista do Nirvana refletiu sobre o tema em entrevista ao radialista Zane Lowe, transcrita pela Loudwire.
Quando perguntado o que Cobain achava do sucesso, o vocalista relembrou o momento em que o Nirvana tentou conseguir um contrato com uma grande gravadora. Primeiramente, ele detalhou:
“Eu sempre volto ao momento quando fomos para Nova York conversar com gravadoras para assinar um contrato, antes de ‘Nevermind’ sair. Nós nos sentamos em um escritório de gravadora, no alto de um prédio, com um executivo muito poderoso atrás de uma enorme mesa, ouvindo a música em volume altíssimo. Eu, Krist Novoselic e Kurt estávamos do outro lado da mesa, em cadeiras baixas, parecia que estávamos sendo castigados na escola ou algo assim.”
Depois, Grohl destacou o que considera o ponto central da questão: Kurt chegou a pronunciar, de forma direta, que queria que o Nirvana se tornasse a maior banda do mundo. Ainda assim, o músico admite que nunca soube ao certo se o colega falava sério.
“Quando o executivo perguntou o que queríamos, Cobain respondeu: ‘queremos ser a maior banda do mundo’. Acho que todos nós rimos. Eu não sei se ele estava brincando e até hoje eu penso nisso.”
O artista já havia mencionado o mesmo diálogo em entrevista ao livro “Come as You Are”, de Michael Azerrad, de 1993, e no SXSW em 2013. De acordo com o Whiplash, em episódio da série Classic Albums, Dave também opinou que o saudoso colega almejava o reconhecimento, contudo parecia não estar preparado para os problemas que viriam junto:
“Kurt provavelmente queria vender 20 milhões de discos e ser a maior banda do mundo, mas tenho certeza de que ele não queria toda a bagagem que veio com isso. Tenho certeza de que ele nem percebeu a bagagem que veio junto. Ninguém percebeu, eu não percebi.”
Outras opiniões semelhantes
Courtney Love, polêmica viúva de Cobain e frontwoman do Hole, concorda com a ideia. Para a série “The ’90s: The Last Great Decade?”, a cantora revelou que o marido “estava desesperado para ser a maior estrela do rock do mundo, mas fez com que isso parecesse ter sido imposto a ele”. Já à GQ em 2018, a artista relatou:
“Há o mito de que Kurt não queria o sucesso. É bobagem. Ele trabalhou muito para formar a banda certa. Kurt amava a forma que eles haviam feito aquilo e tiraram Michael Jackson das paradas, mas ele nunca aproveitou aquilo.”
Butch Vig, produtor que trabalhou com o Nirvana justamente no “Nevermind” (1991), emitiu uma declaração parecida. Ao seu ver, Cobain era “ambicioso”, porém cultivava “sentimentos conflitantes” quanto ao sucesso, como disse à Billboard:
“Kurt era ambicioso, mas tinha sentimentos conflitantes em relação a ‘vender a alma’ para uma grande gravadora. Ele queria o sucesso. Não gostava de admitir, mas queria. Se você olhar os diários dele, sempre havia coisas como: ‘o que vamos fazer quando estivermos tocando em megaestádios’. Eles queriam ser a maior banda do mundo, sem dúvida. E, por um tempo, foram mesmo a maior banda do mundo. Só que, quando todos os sonhos dele se realizaram, isso acabou tornando ainda mais difícil lidar com alguns de seus conflitos internos, porque todo aquele sucesso não necessariamente o deixou mais feliz.”
Por sua vez, Krist Novoselic compartilha do mesmo pensamento. Enquanto o baixista conversava com a Kerrang! em 2018, o entrevistador apontou que quando o conheceu juntamente de Kurt em 1989, eles disseram que queriam estar na maior banda do mundo. Nas palavras do músico:
“Acho que Kurt sentia isso mais do que eu. Ele chegou lá e, então, odiou. Mas ele sempre foi assim. Acontecia sempre.”
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