O Bullet for My Valentine está se acostumando com os grandes palcos no Brasil. Pouco mais de três anos após ter se apresentado como headliner do palco Sunset no Rock in Rio 2022, o grupo galês retornou ao país como principal atração de abertura do Limp Bizkit no Allianz Parque, em São Paulo, no último dia 20 de dezembro (saiba como foi clicando aqui e aqui).
Por aqui, eles encerraram uma extensa turnê comemorativa dos 20 anos de “The Poison”, seu primeiro e mais bem-sucedido álbum de estúdio. Horas antes do show, os quatro integrantes — o vocalista e guitarrista Matt Tuck, o guitarrista Michael “Padge” Paget, o baixista Jamie Mathias e o baterista Jason Bowld — conversaram com o site IgorMiranda.com.br sobre a excursão que estava para se encerrar e os próximo álbum de estúdio, já em produção.
Veja a versão em vídeo da entrevista logo abaixo (ou clicando aqui). A edição em texto está disponível na sequência.
Tuck e Bowld eram os mais falantes. O frontman, por exemplo, foi convidado a esclarecer por que o repertório dos shows trazia apenas uma alteração em relação ao tracklist do álbum original — a entrada de “Hand of Blood”, faixa bônus que se tornaria clássica, no lugar de “Spit You Out”. A resposta é das mais simples:
“Nos baseamos no Spotify, no fato de que ‘Hand of Blood’ está lá e ‘Spit You Out’ não está. Não sei o porquê, precisaria perguntar ao Spotify. Quando estávamos montando o setlist em janeiro de 2024, demos uma olhadinha no Spotify para todo mundo ficar familiarizado. ‘Hand of Blood’ estava lá. Uma mudança, né? Pode ser algo da gravadora, ou algo do Spotify, mas acho que isso torna mais forte, pois é uma música mais forte.”
Ao ser perguntado sobre possíveis aprendizados obtidos em turnê com o Limp Bizkit, Jason Bowld disse ter percebido, novamente, o quão importante é seguir acreditando em sua própria identidade artística. Para ele, os colegas americanos colhem os louros por terem se mantido fiéis ao seu som ao longo da carreira.
“Somos todos grandes fãs do Limp Bizkit. Eles passaram no teste da longevidade, têm uma identidade específica à qual se mantiveram fiéis, estão juntos há 30 anos. É inspirador para o Bullet, que está junto há um pouco mais do que 20 anos. É uma prova de que se você tiver uma identidade forte, você deve ter orgulho disso e manter o curso, não ter muitas dúvidas.”
Em uma contribuição pontual à entrevista, Jamie Mathias destacou os “terremotos” formados por fãs de Limp Bizkit durante os shows. Vídeos nas redes sociais comprovam o relato do baixista: é impossível ficar parado ao assistir Fred Durst e companhia.
O novo álbum do Bullet for My Valentine
Ainda sem título ou data de lançamento, o oitavo álbum de estúdio do Bullet for My Valentine estava em fase de composição e pré-produção quando eles receberam o convite para tocar no Brasil, em novembro. Foi no susto: o quarteto substituiria às pressas Yungblud, afastado dos shows por questão de saúde, em toda a etapa latino-americana da turnê do Limp Bizkit.
Com o encerramento da tour, o BFMV disse que retomaria as composições em 5 de janeiro. As gravações começam para valer em 1º de fevereiro. O objetivo? Lançar músicas novas “entre abril e maio”.
À Rolling Stone Brasil, Matt Tuck descreveu as novas canções como uma mistura entre “The Poison”, “Fever” (2010) e o álbum anterior, homônimo, de 2021. Os demais integrantes foram convidados a dizer se concordavam com o resumo dado pelo frontman. Ele tomou a palavra para dizer, aos risos: “Concordo com o que eu disse”. Em seguida, elaborou:
“Será uma combinação de tudo que fizemos historicamente. É difícil explicar. Tenho certeza que as pessoas vão se prender a uma era. Sabe, no caso da maior parte dos fãs da banda, a era favorita deles é geralmente quando se apaixonaram pela banda. Isso pode ser ‘The Poison’ como pode ser o álbum mais recente, quem sabe? Mas acho que o DNA do Bullet é forte. E é algo que capitalizamos em cima. Temos mais de 20 anos de experiência compondo músicas em uma banda e esse álbum soa como uma progressão natural disso. São todos os elementos que nos fazem quem somos, e eles ficam no centro de tudo.”
Por sua vez, Jason Bowld declara:
“Bullet é o Bullet. Não precisamos categorizar de outro jeito. Cobrimos tantos estilos de metal ao longo de sete álbuns. É a identidade.”
Lembranças de Rock in Rio
Como citado, o Bullet for My Valentine foi uma das atrações do Rock in Rio 2022. Encerrou as atividades do palco Sunset no dia do metal, que trazia o Iron Maiden como headliner geral.
Ao compartilhar suas lembranças daquela noite de 2 de setembro (relembre aqui), Matt Tuck afirmou:
“Foi um grande momento para estar aqui e ser ouvido. Esse festival estava no nosso radar há mais de 15 anos e foi a primeira vez em que pudemos tocar lá. Foi um destaque enorme em todas as nossas vidas e carreiras. Foi tão especial subir naquele palco, os fogos sendo disparados no outro palco, tudo parecia um roteiro de filme. Queremos tocar lá de novo.”
A reportagem conta que o BFMV foi uma das raras atrações do palco Sunset a conseguir boa qualidade de som naquela edição. O Living Colour, reconhecidamente uma das mais competentes bandas de rock do planeta, sofreu para soar razoável naquela noite devido a questões técnicas. Em outros dias, houve situações como a performance de Avril Lavigne apresentada ao público em volume baixíssimo. A respeito disso, o frontman complementa:
“Sobre o som… somos só nós quatro no palco, mas o som passa pela nossa equipe. Somos uma ótima banda ao vivo hoje em dia e nos orgulhamos da performance, do som, do visual do show. Fico muito agradecido por ouvir que isso transparece para as pessoas. É muito legal ouvir sobre o esforço de apresentar o melhor possível e saber que as pessoas percebem.”
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