Edu Falaschi entrega o que promete e celebra o DVD “Rebirth” em BH

Com a convidada Noturnall e abertura da Storia, cantor executou na íntegra primeiro álbum full-length ao vivo de sua antiga banda, o Angra

*Texto por Pedro Cindio | Com a licença do texto em primeira pessoa… no último domingo (9), tive a oportunidade de reviver uma das experiências mais marcantes da minha vida como fã de Angra: assistir a uma apresentação de Edu Falaschi, em Belo Horizonte, tocando na íntegra o DVD “Rebirth World Tour — Live in São Paulo”. Lembro-me claramente da gravação do show, há 22 anos. Um evento que ficou marcado na história do metal nacional.

Era o retorno da banda após o rompimento com três integrantes, incluindo o vocalista Andre Matos, que também exercia liderança criativa. A extinta casa de shows Via Funchal, na capital paulista, estava abarrotada de gente, quase sold out. Dava para sentir no ar a ansiedade do público naquela noite, com expectativas que foram correspondidas por uma nova formação.

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Vinte e dois anos depois, Falaschi, que conta com a convidada Noturnall e abertura da Storia da tour revivalista, trouxe tal sentimento de volta. O público presente no Mister Rock, em BH, recebeu o cantor e sua banda — formada pelos guitarristas Roberto Barros e Diogo Mafra, o baterista Jean Gardinalli (substituindo Aquiles Priester), o baixista Raphael Dafras e o tecladista Fabio Laguna — com uma energia incrível, cantando todas as músicas do início ao fim. Foi emocionante ver como essas canções ainda ressoam profundamente com os fãs, mesmo com mais de duas décadas passadas — no caso de algumas faixas, três décadas, visto que o repertório também inclui composições do Angra na fase com Andre.

Foto: Vanessa Leão @vanessaleaoph

Atendendo às expectativas

O show de Edu Falaschi rolou sem nenhuma surpresa — o que era esperado. O repertório foi composto por toda a tracklist original do “Rebirth World Tour — Live in São Paulo”, na ordem das músicas. No bis, de forma complementar, entraram a aclamada música-tema de “Os Cavaleiros do Zodíaco” “Pegasus Fantasy” — agora em sua “versão definitiva” — e “Spread Your Fire”, do álbum “Temple of Shadows” (2004).

Falaschi é, inegavelmente, um vocalista muito carismático. Teve o público nas mãos desde o início da performance. Interage com bom humor ao relembrar a gravação do DVD, inclusive com a reprodução de falas e gestos, por vezes na mesma tonalidade, com direito aos “ô-ô-ô” que ele inventava nos intervalos em que não cantava. Até mesmo a já clássica interação após o solo de “Metal Icarus” foi executada como se via no registro audiovisual; o cantor, diga-se, chegou rindo ao microfone antes de puxar o coro com um: “vocês sabem como é”.

Foto: Vanessa Leão @vanessaleaoph

Cabe destacar que não há uso de samplers ou materiais pré-gravados. Não à toa, ficou bem claro um erro de Edu em “Running Alone” e um momento em que a banda se perdeu em “The Number of the Beast”, cover do Iron Maiden que encerra o set regular. Há empenho em entregar algo real aos presentes.

Foto: Vanessa Leão @vanessaleaoph

No que diz respeito à interpretação de Falaschi, a execução das faixas de sua época no Angra ocorreu de forma perfeita: “Nova Era”, “Acid Rain”, “Heroes of Sand”, “Rebirth”… já as composições da fase Andre Matos, como “Angels Cry”, “Metal Icarus”, “Make Believe”, “Carry On”, foram tocadas em tonalidade ou linha de voz mais baixa, certamente para não maltratar a garganta. Não é preciso divagar sobre como a voz de Edu, hoje com 52 anos, não é mais a mesma; todavia, se nem naquela época o alcance era o mesmo em comparação a Andre, faz ainda menos sentido preocupar-se com isso no momento atual.

A banda de apoio de Edu é muito redonda. Vale destaque a Fabio Laguna, que, além de estar usando um suporte nos teclados que lhe oferece maior mobilidade, tem se arriscado a fazer os backing vocals no que, sinceramente, ficou muito bom de se ouvir. Bem melhor do que recorrer a material pré-gravado como outras bandas de power metal habitualmente fazem.

Foto: Vanessa Leão @vanessaleaoph

De fato, tudo real: até mesmo pela decisão de todos os músicos descerem do palco ao fim para tirar fotos, dar autógrafos e conversar com o público. Show desse porte sem pista premium e meet & greet é algo raro.

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Foto: Vanessa Leão @vanessaleaoph

As atrações de abertura

A abertura da noite ficou a cargo do Storia, jovem banda de power metal com integrantes do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nada que tempo de trabalho não resolva, mas ainda há espaço para evolução: as músicas executadas ao vivo não animaram o público que chegava, o vocalista Pedro Cavazana não tem a experiência de palco necessária para prender a atenção do público e o som fica com um grande buraco sempre que o guitarrista Gabriel Veloso executava solos, já que em seu apoio havia apenas o baixo de Pablo Guillarducci e a bateria de Thiago Caeiro.

O repertório se baseou no EP de estreia “Revenant: The Silver Age”, lançado em maio último. Tocaram “The Grey Twilight”, “Rise of the Silver Knights” e “It’s Treason Then” (com a participação do vocalista Fausto Caetano, em execução perfeita pela música ter contado com dois cantores) antes de fecharem com “Revenant”.

Foto: Vanessa Leão @vanessaleaoph

Depois de 20 minutos, foi a vez do Noturnall, que fez um show excelente. Thiago Bianchi, grande frontman, conseguiu atrair a atenção da plateia mesmo em músicas menos conhecidas de quem ali estava. O vocalista se joga na plateia, pede palmas e chama para si a responsabilidade, obtendo êxito magistral nesse sentido.

Foto: Vanessa Leão @vanessaleaoph

“Try Harder”, “No Turn at All” e “Fight the System” abriram o set, com uma homenagem na sequência a Andre Matos com “Fairy Tale”, balada do Shaman, grupo do qual Bianchi fez parte entre 2007 e 2013. O show seguiu com “Cosmic Redemption”, “Reset the Game”, “Shallow Grave” e “Scream! For!! Me!!!”, sequência ancorada na mescla entre peso e melodias em evidência.

A conclusão ficou a cargo de “Nocturnall Human Side”, música que conta com a participação de Russell Allen (Symphony X) na versão original. Nesta ocasião, teve a presença de Guzz, vocalista do Electric Gypsy, banda que excursionou com Paul Di’Anno e o próprio Noturnall em tempos recentes.

Foto: Vanessa Leão @vanessaleaoph

Edu Falaschi — ao vivo em Belo Horizonte

  • Local: Mister Rock
  • Data: 9 de junho de 2024
  • Turnê: Rebirth Live in SP Revisited

Storia:

  1. The Grey Twilight
  2. Rise Of The Silver Knights
  3. Its Treason Then
  4. Revenant (part. Fausto Caetano)

Noturnall:

  1. Try Harder
  2. No Turn at All
  3. Fight the System
  4. Fairy Tale (Shaman)
  5. Cosmic Redemption
  6. Reset the Game
  7. Shallow Grave
  8. Scream for Me
  9. Nocturnall Human Side (part. Guzz)

Edu Falaschi:

  1. In Excelsis + Nova Era (Angra)
  2. Acid Rain (Angra)
  3. Angels Cry (Angra)
  4. Heroes of Sand (Angra)
  5. Metal Icarus (Angra)
  6. Millennium Sun (Angra)
  7. Make Believe (Angra)
  8. Solo de bateria
  9. Unholy Wars (Angra)
  10. Rebirth (Angra)
  11. Time (Angra)
  12. Running Alone (Angra)
  13. Crossing + Nothing to Say (Angra)
  14. Unfinished Allegro + Carry On (Angra)
  15. The Number of the Beast (Iron Maiden)

Bis:

  1. Pegasus Fantasy (Os Cavaleiros do Zodíaco)
  2. Spread Your Fire (Angra)
Foto: Vanessa Leão @vanessaleaoph

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