Sebastian Bach faz de “Child Within the Man” um de seus melhores trabalhos solo

Aparente fragilidade vocal não impede o cantor de entregar o que os fãs esperam: peso, paredão e guitarras e refrães cantaroláveis

Somente pelas recentes declarações de Sebastian Bach na imprensa e/ou nas redes sociais, dá para perceber o quanto o título de seu novo álbum de estúdio, “Child Within the Man”, é justo e verdadeiro.

Brincadeiras à parte, o adolescente de 56 anos que, no auge de sua forma física e vocal, ostentou o status de sex symbol supremo da última leva do hard rock oitentista dá um passo importante em sua inconstante carreira solo. Lançou um disco que, por pouco, não tira do muito bom “Angel Down” (2007) o posto de sua melhor entrega desde o clássico “Slave to the Grind” (1991), do Skid Row.

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Aliás, é esse olhar carinhoso para o passado multiplatinado que rege a sinfonia no decorrer das 11 músicas que compõem o repertório. Não que Bach e sua turma — Devin Bronson (guitarra), o multibandas Todd Kerns (baixo) e a fera incontrolável Jeremy Coulson (bateria) — estejam tentando recriar obras multiplatinadas de mais de três décadas atrás. Porém, todos parecem ter se dado conta de que há, por parte dos fãs, a expectativa por material que remeta aos áureos tempos, seja nos refrães altamente cantaroláveis, no paredão de guitarras ou na maestria em injetar ingredientes metálicos numa receita a princípio hard. Parafraseando o título da canção coescrita por Myles Kennedy e escolhida como primeira prévia do trabalho, o que ele tem a perder?

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Sinceramente? Nada. Todavia, fazendo um apreciado exercício de futurologia, os ganhos possíveis são valiosos para um artista que nos últimos anos voltou a ter sua obra comparada à do grupo que outrora o projetou. Tudo bem que com Erik Grönwall fora, o Skid Row perde seu Super-trunfo, mas ter mostrado o que é capaz de fazer com o cara certo ao microfone — respeito máximo ao falecido Johnny Solinger, mas o encaixe ali era mínimo — acirrou a disputa entre as facções que, não fosse a mais completa falta de tato e papas na língua de ambas, poderiam muito bem se unir e encher o bolso de dinheiro.

Voltando a “Child Within the Man”, que abre com a faixa de onde foi extraído o título do álbum. Do ponto de vista lírico, “Everybody Bleeds”, adornada por uma fritação de John 5, estabelece o tom autobiográfico a ser majoritariamente seguido pelas dez faixas posteriores — nisto incluem-se desde amargos desabafos a exacerbadas autoafirmações, como em “F.U.”, parceria com Orianthi. Mas o leque temático aborda ainda o que parecem ser tanto um alívio pós-pandêmico (“Freedom”) quanto uma legítima preocupação com os jovens (“Future of Youth”, com Steve Stevens na guitarra); ou seria com o futuro do rock em si?

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Vocalmente, Bach transita numa zona de pequeno conforto; palco adequado para dar amostras de suas técnicas marca-registrada, como urros e rasgados meio thrash. O problema está nas subidas de tom muito acentuadas — a saber, bem menos presentes do que de costume — e a sobreposição de tratamentos de estúdio mais evidencia do que repara essa fragilidade.

“Child Within the Man” chega ao fim com “To Live Again”, a necessária power ballad e cuja letra o nosso “Tião” poderia pôr em prática: virando a página, seguindo em frente e, a fim de evitar bad karma e manchetes negativas, medindo melhor as palavras.

*Ouça “Child Within the Man” a seguir, via Spotify, ou clique aqui para conferir em outras plataformas digitais.

*O álbum está na playlist de lançamentos do site, atualizada semanalmente com as melhores novidades do rock e metal. Siga e dê o play!

Sebastian Bach – “Child Within the Man”

  1. Everybody Bleeds
  2. Freedom (com John 5)
  3. (Hold On) To The Dream
  4. What Do I Got To Lose?
  5. Hard Darkness
  6. Future Of Youth (com Orianthi)
  7. Vendetta
  8. F.U. (com Steve Stevens)
  9. Crucify Me
  10. About To Break
  11. To Live Again

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Marcelo Vieira
Marcelo Vieirahttp://www.marcelovieiramusic.com.br
Marcelo Vieira é jornalista graduado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), com especialização em Produção Editorial pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Há mais de dez anos atua no mercado editorial como editor de livros e tradutor freelancer. Escreve sobre música desde 2006, com passagens por veículos como Collector's Room, Metal Na Lata e Rock Brigade Magazine, para os quais realizou entrevistas com artistas nacionais e internacionais, cobriu shows e festivais, e resenhou centenas de álbuns, tanto clássicos como lançamentos, do rock e do metal.

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