Como Eddie Van Halen acabou ajudando a compor música do Black Sabbath

Saudoso guitarrista do Van Halen contribuiu com ideia de solo em faixa presente no álbum “Cross Purposes” (1994)

Tony Iommi e Eddie Van Halen mantinham uma relação de amizade. Os dois guitarristas ficaram próximos quando o Van Halen abriu para o Black Sabbath na “Never Say Die! Tour” em 1978. Nas décadas seguintes, continuaram em contato – trocando mensagens até pouco tempo antes da morte de Eddie, em outubro de 2020. 

Assim, curiosamente, o saudoso músico ajudou a compor uma música do Sabbath: “Evil Eye”, do álbum “Cross Purposes” (1994). 

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Segundo Tony, enquanto a banda trabalhava na faixa em estúdio, o integrante do Van Halen estava presente e, de maneira natural, teve a ideia para o solo – o qual até tentou replicar na gravação final. Por questões contratuais, Eddie não pôde ser creditado pela criação à época.

Em vídeo de uma conversa com o vocalista Tony Martin, conforme transcrição da Ultimate Guitar, o guitarrista explicou:

“Naquele dia, Eddie estava de folga, então eu perguntei se ele queria vir ao nosso ensaio. E ele veio, eu o peguei em Birmingham, num hotel, e então passamos por uma loja de música, onde ele pegou uma guitarra, um de seus modelos. Depois fomos para o ensaio. Então, eu disse que estávamos trabalhando numa música e começamos a tocá-la. Ele passou a tocar o solo.”

Juntos, em meio a jams, também tocaram outras músicas mais antigas do Sabbath, como “Into the Void”, do disco “Master of Reality” (1971): 

“Nós tocamos algumas músicas antigas do Sabbath primeiro, e eu disse: ‘você está tocando errado’ [risos]. Porque o Van Halen costumava tocar coisas do Sabbath antes que fossem conhecidos. Acho que era ‘Into the Void’, não me lembro. Mas, de qualquer forma, esse é o tipo de relação que tivemos. Ficamos amigos até ele falecer. Falei com ele um pouco antes.”

Tony Iommi e Eddie Van Halen

Anteriormente, Tony já havia contado a história. Para a Rolling Stone em 2020, revelou, inclusive, que há uma fita do solo original do músico perdida em algum lugar – contrariando o que contou no próprio livro, “Iron Man: Minha jornada pelo céu e pelo inferno com o Black Sabbath”, onde explicou que não gravaram adequadamente os improvisos daquele dia. 

“Bem, quando estávamos fazendo ‘Cross Purposes’, o Van Halen estava tocando em Birmingham. Estávamos ensaiando e eu o convidei […]. Tocamos algumas coisas do Sabbath para ele. Curiosamente, uma de suas músicas favoritas era ‘Into the Void’, Tocamos isso e voltamos a compor. Em ‘Evil Eye’, e eu disse: ‘vá em frente, toque um solo’. E ele fez e foi muito bom. Quando gravamos, claro, tentei replicar, mas não consegui. Não sei onde está, mas sei que há uma fita disso. Foi uma verdadeira joia.”

Black Sabbath e “Anno Domini 1989-1995”

Em 31 de maio, o Black Sabbath lança um box set intitulado “Anno Domini 1989-1995”, que traz todos os álbuns gravados nesse período, com exceção de “Dehumanizer”, de 1992. Trata-se de um verdadeiro documento da “era Tony Martin” da banda, o que explica a exclusão do disco de retorno de Ronnie James Dio.

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O box contém versões remasterizadas de “Headless Cross” (1989), “Tyr” (1990) e “Cross Purposes” (1994), além de uma nova versão de “Forbidden” (1995) remixada por Tony Iommi especialmente para a ocasião. O guitarrista vem disponibilizando vídeos onde conversa com Tony Martin a respeito dos álbuns.

Todos esses trabalhos foram lançados pela gravadora britânica IRS, após a banda ter sido mandada embora da Vertigo, responsável por distribuir seus 13 primeiros álbuns de estúdio. A decisão foi tomada após insatisfações com as baixas vendas de “Seventh Star” (1986) e “The Eternal Idol” (1987) — este último ficou fora do box por já ter sido relançado e por não ter saído via IRS.

Vários desses discos serão disponibilizados pela primeira vez em vinil. Já a versão em CD contém três faixas bônus exclusivas: o lado B “Cloak & Dagger” e as anteriormente exclusivas para o mercado japonês “What’s The Use” e “Loser Gets It All”.

O material acompanha um livreto com fotos, capas e liner notes escritas por Hugh Gilmour. Contém ainda um pôster de “Headless Cross” e uma réplica do concert book da turnê do mesmo álbum.

Sobre Eddie Van Halen

Nascido em 26 de janeiro de 1955, em Amsterdã, nos Países Baixos, Eddie Van Halen veio de família musical, visto que seu pai tocava piano, clarinete e saxofone. Mudou-se para os Estados Unidos em 1962.

Na década seguinte, formou com seu irmão, o baterista Alex Van Halen, a banda que carregava o sobrenome de ambos. A formação clássica também incluía David Lee Roth nos vocais e Michael Anthony no baixo.

Eddie chamou a atenção com seu estilo de guitarra inovador, introduzindo novas formas não apenas de tocar, como também de configurar e utilizar equipamentos. Além de grande curioso pela parte eletrônica, era também pianista, o que influenciou sua abordagem no instrumento.

Em 1978, o Van Halen assinou um contrato de gravação com a Warner e lançou seu álbum de estreia homônimo, que não demorou a se tornar um sucesso. A partir daí, uma trajetória de sucesso foi consolidada, seja com Roth ou com seu substituto nos vocais, Sammy Hagar.

Além de seu trabalho com o grupo que carrega seu sobrenome, Eddie Van Halen colaborou com outros artistas renomados, como Michael Jackson, Brian May (projeto Star Fleet), Gene Simmons (Kiss), Black Sabbath, Roger Waters, entre outros.

Faleceu em 6 de outubro de 2020, aos 65 anos, após uma longa batalha contra o câncer. Em seus últimos anos, apesar da reclusão e ausência dos palcos, planejou fazer uma turnê final com todos os músicos que haviam passado pelo Van Halen.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 22 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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