Brasileiro fica no top 5 de concurso de clipes do Pink Floyd

Bruno Mazzilli, que já trabalhou com nomes como Emicida e Céu, se destacou com animação feita para a faixa "The Great Gig in the Sky"

Para comemorar os 50 anos de “The Dark Side of The Moon” (1973), o Pink Floyd decidiu promover um concurso envolvendo o álbum. Juntamente da organização British Film Institute, a banda incentivou os fãs do mundo inteiro a criarem clipes em animação para as dez músicas do disco.

Os melhores de cada faixa, além de divulgados nos canais oficiais dos músicos, também levaram uma quantia em dinheiro. Segundo o regulamento, cada vencedor recebeu £10 mil (aproximadamente R$ 54 mil, na cotação atual), com os três primeiros lugares conseguindo um bônus. No caso do top 1, a quantia foi de £100 mil (cerca de R$ 546 mil).

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Uma nota publicada entre as regras destacou:

“O Pink Floyd tem uma rica história de colaboração com animadores em ascensão desde os primórdios da banda. Em alguns casos, os visuais que acompanham as músicas se tornaram sinônimo da própria música. A banda gostaria de dar aos animadores mais recentes uma oportunidade de inovar e apresentar uma nova impressão desses trabalhos atemporais.”

O anúncio da competição aconteceu em janeiro do ano passado, com os interessados podendo enviar a inscrição até dezembro. Nos últimos dias, os registros escolhidos pelo júri, que incluiu o baterista Nick Mason, começaram a ser divulgados publicamente.

Entre os ganhadores, está um brasileiro. Bruno Mazzilli, de São Paulo, conquistou o quinto lugar entre os finalistas com sua interpretação de “The Great Gig in the Sky”. Freelancer na produção de clipes desde 2006, o profissional já trabalhou com nomes como Tulipa Ruiz, Céu e Emicida.

Ao portal F5, da Folha de S. Paulo, ele revelou que as ideias para a competição surgiram aos poucos. Aproveitava o tempo livre para desenhar e animar um novo quadro e, mesmo diante do tempo corrido, não desistiu de entregar. 

“Em fevereiro do ano passado, um amigo me mandou um link da competição. Era para animadores e juntava duas coisas que eu curto muito: animação e Pink Floyd. Podíamos escolher entre as 10 músicas do ‘The Dark Side of the Moon’. Eu escolhi a música que bateu quando eu escutei novamente o álbum. Agora eu sei que é a música da minha vida. Teve um momento em que fiquei sobrecarregado e quase não consegui terminar. Consegui porque a banda prorrogou o encerramento”.

Assista ao vídeo no player abaixo.

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Os bastidores da criação também foram compartilhados.

Polêmica do concurso

No início de 2023, quando o concurso foi anunciado pelo Pink Floyd, vários profissionais de animação e internautas no geral apontaram duas cláusulas problemáticas no edital. Ambas diziam que qualquer trabalho submetido passará a ser propriedade intelectual da banda e do British Film Institute.

A cláusula 23 diz:

“Você concorda e reconhece que, ao enviar sua inscrição de vídeo, você irrevogavelmente, exclusivamente e com garantia total de propriedade cede ao promotor, inclusive por meio de uma presente cessão de direitos futuros, todos os direitos de e para a sua inscrição de vídeo ( incluindo, sem limitação, todos os direitos autorais e/ou outros direitos de propriedade conforme definido na Lei de Direitos Autorais, Designs e Patentes (1988) e/ou de acordo com as leis em vigor em todo o mundo em perpetuidade e sem restrição e/ou mais pagamento a você e/ou a terceiros.”

Já a cláusula 24 declara:

“Sem limitar de forma alguma a generalidade da cessão de direitos estabelecida na cláusula 23 acima, o promotor terá o direito exclusivo de monetizar e usar o conteúdo de entrada de vídeo enviado dos vencedores, incluindo, sem limitação, no canal do Pink Floyd no YouTube e em suas outras páginas de redes sociais, incluindo, sem limitação, Facebook, Twitter, Instagram e/ou Snapchat.”

Uma das reações mais comentadas veio de Joaquín Baldwin, diretor de fotografia de animação e artista de layout que trabalhou em filmes como “Zootopia”, “Frozen – Uma Aventura Congelante”, “Moana”, “Detona Ralph” e “Encanto”. Ele escreveu no Twitter:

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“Então, vocês estão distribuindo o equivalente a grana de almoço por centenas de vídeos, que vocês terão controle sobre os direitos autorais, pedindo para a maioria desses estudantes e artistas emergentes, que vocês querem tanto apoiar, para trabalhar de graça. ‘Money, it’s a hit. Don’t give me that do goody good bullshit’.”

O quadrinista Dave Scheidt, por sua vez, declarou:

“A pessoa que dirige esta mídia social está sendo paga. Quem pensou nessa ideia estúpida está sendo pago. O Pink Floyd está sendo pago. Por que você faria um animador ou cineasta trabalhar de graça? A exposição não vai pagar seu aluguel. Eles poderiam estar oferecendo US$ 1 milhão, mas isso não muda o fato de que estão pedindo às pessoas que trabalhem de graça com a menor chance de serem pagas por seu tempo e trabalho. Não é como funciona a animação ou a arte profissional. Isso é exploração.”

Pink Floyd e “The Dark Side of the Moon”

Oitavo álbum de estúdio do Pink Floyd, “The Dark Side of the Moon” é seu trabalho mais bem-sucedido, com cerca de 45 milhões de cópias vendidas mundialmente. Permaneceu 741 semanas consecutivas na parada norte-americana, entre 1973 e 1988.

O material foi desenvolvido em performances ao vivo, com boa parte sendo executada nos palcos antes mesmo das gravações. Foi concebido como um trabalho conceitual focado nas pressões enfrentadas pela banda e os problemas de saúde mental do ex-membro Syd Barrett, que deixou o grupo em 1968.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 22 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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