Carlos Maltz fala sobre show com Augusto Licks e defende Humberto Gessinger

"Ele tem direito de tocar como bem entender. Ele está se reinventando, fazendo músicas novas, não há nada errado", opinou o baterista em publicação nas redes

Dois dos três integrantes da formação clássica do Engenheiros do Hawaii, que durou até 1993, voltaram aos palcos recentemente. Augusto Licks (guitarra, violão e teclado) e Carlos Maltz (bateria) tocaram juntos pela primeira vez em três décadas no último dia 21 de abril, no Bar Opinião, em Porto Alegre.

Sandro Trindade, fundador do grupo cover Engenheiros Sem CREA, comandou os vocais e o baixo no lugar do líder Humberto Gessinger — que permaneceu no grupo até o fim das atividades em 2008 e que, atualmente, descarta uma reunião completa para o futuro.

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Por meio do Instagram, conforme transcrição do Whiplash, Maltz publicou um vídeo agradecendo ao público pelo carinho diante da performance. O músico, que também é astrólogo, ainda detalhou os seus sentimentos quanto à retomada da parceria com o antigo colega.

Em suas palavras, a noite trouxe muitas emoções, até por questões astrológicas, relacionadas à fundação do Engenheiros do Hawaii. Primeiramente, ele explicou:

“O show foi forte, estou aqui digerindo esse momento. Toda essa emoção de estar de volta no palco junto com o Augusto, com todos que estavam lá…estou tentando entender o que aconteceu. Sabia que ia ser forte, até por motivos astrológicos. Estudo isso. Tivemos um grande alinhamento do signo de touro. Isso traz um aspecto geométrico. É um assunto técnico. Tem a ver com a data que os Engenheiros foram fundados. Foi no dia 20 de abril. Essa data agora foi 21.”

Logo em seguida, destacou que tiveram pouco tempo para ensaiar, mas que, ainda assim, ficou impressionado com a postura de Sandro, que não intimidou-se pela função desempenhada. Ele disse:

“Foi até maior do que eu esperava. O resultado foi maior. Tivemos muito pouco tempo para ensaiar. Foram quatro dias juntos. Pegar entrosamento de banda só acontece tocando no palco, não tem outro jeito. Respeito a coragem do Sandro e a competência que ele encarou, de ser o frontman.”

Defesa a Humberto Gessinger

Então, aproveitou a oportunidade para defender o antigo parceiro de trabalho, Humberto Gessinger. Como opinou, o cantor tem o direito de focar na carreira solo e de trilhar o próprio caminho, até mesmo porque nunca menosprezou a origem de seu sucesso. 

“Vejo que tem uma polêmica com o Humberto Gessinger. Quero esclarecer que ele está cuidando da vida dele. Ele seguiu na estrada. Esses anos que estávamos fora ele estava aqui. Ele tem direito de tocar como bem entender. Eu faria o mesmo. Ele está se reinventando, fazendo músicas novas. É isso que ele tem que fazer mesmo, não há nada errado. Ele renega o passado? Nunca o vi fazer isso. Está ótimo, se ele faz novas versões, nós estamos fazendo o clássico. Há espaço para todos nesse imenso vazio. As duas propostas podem coexistir. Melhor, vão ter dois shows.”

Por fim, mencionou a empolgação dos fãs e ressaltou que a ideia não é causar qualquer tipo de polêmica e, sim, propagar a união:

“A reação das pessoas me surpreendeu. Não imaginava essa emoção, fiquei até espantado. […]. Vejo que vivemos um momento de desconstrução das referências das pessoas. Familiares, culturais e religiosas. As pessoas estão um tanto quanto desorientadas. Desesperadas por referências. Elas querem ouvir as músicas que ouviam na juventude. Começaram a namorar ouvindo essas músicas dos Engenheiros, que transcendem as gerações. Todos gostam! Não tem necessidade de polêmica. Não vai ser tipo Pink Floyd. A disputa pelo ego maior. Não temos mais idade para isso. O mundo já está cheio disso. Estamos aqui para trazer união”

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Por que Engenheiros do Hawaii não voltará

Segundo Humberto Gessinger, é improvável que uma reunião completa do Engenheiros do Hawaii aconteça em um futuro próximo. O assunto surgiu durante conversa com o canal Alta Fidelidade em 2020, transcrita pelo Tenho Mais Discos que Amigos.

Na ocasião, o músico disse ser muito grato pelo carinho do público, que até hoje admira o trabalho apresentado junto aos antigos colegas. Contudo, o cantor não tem boas memórias atreladas ao período em que fez parte do grupo, sobretudo por causa da exposição exagerada advinda da fama.  

Ele declarou: 

“Cara, eu fico tão feliz que as pessoas se lembrem com carinho desse momento. Mas eu não tenho muitas saudades, não por conta do Carlos e do Augusto, pelo contrário. Mas eu não me sentia muito à vontade com a exposição que a banda tinha. Às vezes eu me lembro e me dá uma sensação boa, mas de alívio também de ter passado. Não por conta do Augustinho e do Carlos, não estou falando disso, falando do momento histórico mesmo, de ter aquele grau de exposição.”

Apesar do bate-papo em questão ter ocorrido quatro anos atrás, Humberto permanece com a mesma opinião. Durante recente participação no podcast Corredor 5, transcrita pelo Whiplash, o cantor mencionou ainda outro motivo pelo qual não tem vontade de reunir a banda novamente.

Para exemplificar, citou os Titãs. Em sua concepção, os músicos do grupo paulistano têm as condições ideais para um retorno triunfal. Já em relação ao Engenheiros do Hawaii, o contexto não é o mesmo. O próprio acredita que “morreria de sono” ao tocar as músicas do antigo grupo, principalmente devido aos arranjos. 

“Os Titãs nessa coisa do retorno é uma coisa excepcional. É a banda certa para fazer isso. Um lance maravilhoso. Eles são um coletivo. Agora, eu morreria de sono no início da minha primeira música se fosse tocar. Ou seja, não sobrevive cinco minutos minha vontade de tocar novamente os arranjos originais […]. O lance dos Titãs é maravilhoso, levaram a coisa para o ambiente de shows em arena, minha geração não tinha acesso a isso. Não é uma coisa para todo mundo, não conseguiria fazer”.

Em contrapartida, os outros dois integrantes não enxergam a situação da mesma forma. Durante entrevista ao jornalista Gustavo Maiato, Carlos Maltz opinou que o problema destacado pelo antigo colega seria fácil de se resolver, visto que poderiam executar versões diferentes ao vivo e adaptar as canções.

Licks, também a Gustavo Maiato, seguiu uma linha de raciocínio parecida. O guitarrista foi além e destacou uma contradição na fala, já que, ao longo da carreira, o Engenheiros mudou por diversas vezes a maneira de tocar as músicas.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 22 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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