O Scorpions é uma banda de rock alemão? Klaus Meine responde

Para o vocalista, som do grupo possui maiores ligações com os Estados Unidos e o Reino Unido

A Alemanha ofereceu vários movimentos que ajudaram a constituir o rock como uma força fora do eixo formado por Estados Unidos e Reino Unido. De lá saiu um dos primeiros movimentos realmente consolidados, o krautrock – que misturava elementos progressivos com sonoridades experimentais, incluindo psicodelia e música eletrônica.

Por outro lado, embora conservasse algumas influências prog em seus primeiros discos, o Scorpions buscava outra abordagem. O grupo mais bem-sucedido da nação queria fazer parte da mesma cena que seus heróis. Sendo assim, seriam eles uma banda de rock alemão ou uma banda alemã de rock?

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A resposta veio do vocalista Klaus Meine, um dos únicos a ter participado de todos os discos dos aracnídeos, junto do guitarrista Rudolf Schenker. Ele disse a Dmitry Epstein, em declaração registrada pelo livro “Wind of Change: A história do Scorpions”, de Martin Popoff – lançado no Brasil pela editora Estética Torta.

“Tem algum elemento alemão em nossa música? Não sei, essa é uma boa pergunta! Obviamente, somos da Alemanha, mas crescemos com música inglesa e americana, que eram fortes inspirações. Muito no começo, nos anos 1970, fomos à Inglaterra, França, Japão e América. Saímos em turnê e nos tornamos uma banda internacional. Acho que nossa música nunca foi alemã, sempre tivemos essa influência anglo-americana – nunca tentamos ser uma banda alemã!”

Ainda assim, o cantor deixa claro que a percepção acontece exclusivamente no lado artístico.

“Somos alemães, sim, mas não em nossa música. Durante nossa adolescência existia uma música que chamamos de Schlager, um tipo de coisa meio pop. Passamos por todos esses estilos diferentes no aspecto das vestimentas, mas sempre estivemos mais perto dos Rolling Stones, porque eles também usavam essas roupas sofisticadas.”

Scorpions e o krautrock

Quanto ao já mencionado krautrock, que deu ao mundo bandas como Can, Tangerine Dream e Kraftwerk, Klaus destaca que o movimento não teve o apoio local, assim como seu próprio grupo:

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“Hoje é uma coisa meio cult, as pessoas dizem ‘ah, o krautrock!’. Mas quando surgiu, lá atrás, no começo dos anos 1970, todas as estrelas internacionais eram quem saíam nas grandes revistas de música em artigos de destaque e reportagens caprichadas. Era como se nos colocassem para baixo e nos diminuíssem. Cada vez mais nos empurravam – especialmente quando éramos jovens – quando precisávamos de apoio para ganhar confiança. A gente sentia que não tinha apoio em casa. Isso nos encorajou a ir para países estrangeiros.”

Foi assim que o Scorpions acabou fincando bandeira em outras terras, o que os ajudou a ter a carreira alcançada.

“Fomos à Inglaterra em 1975 só para entender: ‘Somos alemães, mas cantamos em inglês. Somos bons o bastante? Somos fortes o bastante para sobreviver entre os ingleses, que inventaram o rock n roll?’ Isso sempre foi um tipo de desafio e logo nos tornamos uma atração internacional. Quando começamos, já existiam o Kraftwerk e o Tangerine Dream. Ambas se tornaram muito, muito fortes internacionalmente, mas numa área diferente, outro campo. Eles faziam um tipo de música experimental. O Kraftwerk era incrível. Mas a gente fazia o rock tradicional. Eram outros tempos.”

Menos alemães atualmente

No momento, além de Klaus e Rudolf, o Scorpions conta com apenas mais um alemão na formação, o guitarrista solo Matthias Jabs. O baixista Pawel Maciwoda é polonês e o baterista Mikkey Dee sueco. Também já passou pelo grupo o americano James Kottak, falecido recentemente.

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Entre 11 de abril e 3 de maio, o Scorpions realizará uma nova temporada residente em Las Vegas, Estados Unidos. A “Love at First Sting Las Vegas” terá como sede o Bakkt Theater, dentro do Planet Hollywood Resort & Casino, onde a banda alemã já havia realizado a “Sin City Nights” em 2022.

Os shows contarão com a execução na íntegra do álbum “Love at First Sting”, em celebração a quatro décadas de seu lançamento original. Disponibilizado em março de 1984, o disco se tornou o mais vendido da carreira do grupo, emplacando clássicos como “Rock You Like a Hurricane”, “Still Loving You”, “Big City Nights”, “Coming Home” e “Bad Boys Running Wild”.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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