Da pressão à violência, por que o Bikini Kill acabou nos anos 90, segundo Kathleen Hanna

Fatores incluíram atitude agressiva dos homens perante às musicistas e rejeição por parte da cena underground depois da fama

Surgida no início dos anos 1990, a banda Bikini Kill ficou marcada como uma das pioneiras do movimento riot grrrl. O grupo punk apresentava letras feministas, expressadas além da música nos shows — com a vocalista Kathleen Hanna, por exemplo, subindo ao palco ironicamente com a palavra “slut” (em português, “v*dia”) desenhada na barriga. 

Apesar do destaque na cena, em 1997, o Bikini Kill encerrou as atividades. Somente em 2019 que Kathleen, juntamente de Tobi Vail (bateria) e Kathi Wilcox (baixo), decidiu definitivamente retomar a banda.

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Conversando com o G1, a cantora explicou quais motivos ocasionaram o fim da banda.  Sobretudo, pressão e expectativas muito altas por parte do público estavam entre eles.

“Todas nós tivemos parte nisso, com certeza. Mas existia uma grande pressão de fora em cima da gente nos anos 90. Obviamente, como uma banda franca, feminista, anticapitalista, a gente passou por muitos abusos, porque, uma vez que você se coloca para o mundo como progressista, as pessoas vão tentar constantemente provar que é mentiroso, ou que não é autêntico, ou que é hipócrita, e assim por diante. Ainda por cima, pessoas da nossa comunidade meio que tinham expectativas extremamente altas em relação a gente. Expectativas que eram inalcançáveis, porque somos humanas.”

Não só isso, mas outro fator que pesou para as integrantes foi a violência. Nas palavras da frontwoman, muitos homens não conseguiam lidar com o conteúdo apresentado pelo Bikini Kill e partiam para atitudes mais grosseiras e ameaçadoras. 

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“Tinha homens muito violentos com a gente, que se sentiam ameaçados por nós, como banda, o que parecia bobo porque éramos apenas jovens subindo no palco, cantando músicas que talvez tivessem algum impacto, mas que poderiam ser bem engraçadas. Eu pensava: ‘eles não entenderam a piada. Eles não receberam o memorando’. Então, tinha muita violência nos shows e a gente frequentemente se sentia fisicamente em perigo quando tocava. Especialmente eu. Recebíamos muitas correspondências de ódio, de gente ameaçando nos matar. Depois de um tempo, sete anos passando por isso, fica cansativo.”

Por fim, ela acrescenta que, como tornou-se um nome conhecido na época, o Bikini Hill foi, de certa forma, rejeitado pela cena underground — o que contribuiu para a decisão de encerrar atividades.

“E aí, quando você volta para a sua cena, a cena punk, e se sente rejeitado também, porque muitos deles viam a gente como ah, vocês são famosas agora”. Só que a maneira como a gente vivenciava o mundo era de estar sob pressão e sob ameaças de violências. E então, éramos rejeitadas dentro da nossa própria cena por sermos grandes. Não parecia legal naquela época. Terminamos porque realmente tinha muita pressão sobre a gente.”

Bikini Kill no Brasil

Nesta semana, o Bikini Kill virá ao Brasil pela primeira vez e realizará duas apresentações. A primeira ocorre nesta terça-feira (5), enquanto a segunda — agendada porque a anterior teve seus ingressos esgotados — está agendada para o dia 14. Os dois shows serão na casa de shows Audio, em São Paulo.

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Os ingressos da primeira apresentação já estão esgotados, mas ainda restam entradas para o segundo show. Os ingressos têm valor único de R$ 265 mais taxas — quem optar pela entrada solidária deve doar 1 kg de alimento não perecível (exceto sal e fubá).

Parte da arrecadação será destinada à instituição Girls Rock Camp Brasil, que empodera meninas, mulheres e dissidências por meio da música. Os alimentos entregues na compra da meia entrada social — disponível para todos — serão doados para as aldeias Tekoa Pindo Mirim & Tekoa Itakupé, da Terra indígena Jaraguá em São Paulo.

Para mais informações, basta acessar o site da Ticket360, onde também é possível adquirir ingressos.

Sobre o Bikini Kill

Formado em 1990, o Bikini Kill foi um dos pioneiros e principais representantes do riot grrrl, movimento feminista dentro do punk rock. Suas atividades foram encerradas em 1997, com uma breve reunião em 2017 e um retorno definitivo dois anos depois.

Kathleen Hanna (voz e baixo), Tobi Vail (bateria) e Kathi Wilcox (guitarra) integram o grupo, completo pela guitarrista de turnês Sara Landeau.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 22 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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