Quando Nicolas Cage quase foi Superman em filme de Tim Burton

Projeto batizado de “Superman Lives” esteve muito perto de sair do papel, mas vários problemas decretaram seu fim

The Flash”, o filme solo do velocista da DC, está recheado de participações especiais. Uma delas, confirmada pelo diretor Andy Muschietti antes mesmo da estreia, foi a de Nicolas Cage, que interpretará o Superman na aventura. Mas você sabia que o ator, de fato, quase teve a chance de interpretar o Homem de Aço nas telonas no passado?

Sim, isso esteve muito perto de acontecer. Nos anos 1990, Cage foi escolhido para viver o herói em “Superman Lives”, que marcaria o retorno do personagem da DC nas telonas e teria Tim Burton como diretor. No entanto, uma série de contratempos botaram um fim na empreitada poucos dias antes do início das filmagens.

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A seguir, vamos contar tudo sobre “Superman Lives” e a chance perdida por Nicolas Cage para viver o herói nas telonas.

“Superman Lives” ganha um roteiro

Após o fracasso de “Superman 4 – Em Busca da Paz” (1987), filme final com Christopher Reeve no papel do herói, ficou claro que era preciso dar um tempo nas produções estreladas pelo Homem de Aço. Foi justamente o que aconteceu e apenas no meio dos anos 1990 que as conversas para um novo longa do personagem retornaram.

Uma das primeiras decisões da produtora Warner Bros foi o enredo do filme: ele seria baseado em partes na famosa HQ “A Morte do Superman”, que foi lançada em 1992.

Para escrever o roteiro, a produção escolheu, primeiramente, um nome diferente: o ator, cineasta, comediante e escritor Kevin Smith, fã declarado de quadrinhos. Em seu podcast, Smith revelou que foi procurado pela primeira vez para assumir a tarefa em maio de 1996, que ele, claro, não poderia recusar.

Duas principais exigências do produtor Jon Peters foram apresentadas a Smith. A primeira é que o grande vilão do novo filme teria de ser Brainiac. Já a segunda é que o Homem de Aço deveria, em um momento da obra, perder seus poderes.

A produção também fez outros pedidos bizarras e inusitadas a Smith. Em uma delas, o Superman não poderia voar – Jon Peters acreditava que isso fazia o herói parecer um “escoteiro adulto”. Outras três que valem a menção são: o Homem de Aço deveria enfrentar uma aranha gigante na parte final do filme, seu traje teria de ser diferente do habitual e Brainiac precisaria lutar contra um urso polar na Fortaleza da Solidão.

Na primeira versão do roteiro de Kevin Smith, Brainiac conseguiria bloquear o sol (a grande fonte dos poderes do herói) e enviaria Apocalypse para matá-lo. Sem o herói por perto, o vilão ainda se aliaria com outro grande antagonista do Superman: Lex Luthor.

No entanto, a felicidade dos vilões duraria pouco, pois uma máquina kryptoniana chamada Eradicator consegue ressuscitar o Superman. O herói voltaria à vida sem seus poderes e ganharia um traje especial feito pela máquina até que voltasse ao “normal” para derrotar Brainiac. 

O próprio Kevin Smith também deu suas ideias para a escolha do elenco. Ironicamente, o roteirista queria Ben Affleck para interpretar o Superman – que, como sabemos, se tornou o Batman anos mais tarde. Linda Fiorentino, Jack Nicholson, Famke Janssen e Jason Lee foram cogitados para viver Lois Lane, Lex Luthor, Mercy Graves e Brainiac, respectivamente.

Originalmente, a produção queria nomear o filme como “Superman Reborn” (que podemos traduzir como “Superman Ressuscitou”). Mas Kevin Smith achou que seria mais apropriado o título “Superman Lives” (ou “Superman Vive”) – e a sugestão pegou.

Tim Burton e Nicolas Cage são contratados

Com o roteiro pronto, chegou a hora de fazer “Superman Lives” sair do papel. Foi do próprio Kevin Smith a ideia de trazer Tim Burton para dirigir o filme, afinal, o nome do cineasta estava em alta por conta dos dois filmes do Batman que fez: “Batman” (1989) e “Batman: O Retorno” (1992).

O diretor aceitou o convite e ainda firmou um contrato no qual receberia US$ 5 milhões de salário mesmo se o acordo fosse rompido.

Para o papel do Homem de Aço, o escolhido acabou sendo Nicolas Cage. O ator também estava em alta por ter ganhado, em 1995, o Oscar de Melhor Ator por “Despedida em Las Vegas”. Além disso, assim como Kevin Smith, também era apaixonado por quadrinhos e Jon Peters estava convencido de que o astro faria um bom trabalho.

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Para a Variety, Cage revelou que ele também queria Tim Burton para a direção e que foi ele quem convenceu o cineasta a dirigir o filme.

“Eu disse: ‘tem que ser o Tim Burton (para a direção)’. Liguei para o Tim e disse: ‘você faria o filme?’. Tim não me escolheu, eu escolhi o Tim, e Tim disse ‘sim’. Amei o que ele fez com o Michael Keaton e o Batman e me tornei um grande fã.”

Inclusive, há alguns anos, surgiram vídeos mostrando o ator testando alguns dos trajes do Superman que ele utilizaria no filme. 

Vários outros nomes começaram a ser especulados para completar o elenco de “Superman Lives”. Kevin Spacey foi procurado para viver Lex Luthor – que acabou interpretando o vilão anos depois em “Superman – O Retorno” – enquanto Christopher Walken era o preferido de Tim Burton para interpretar Brainiac. Já para o papel de Lois Lane, foram cogitadas Sandra Bullock, Courteney Cox e Julianne Moore.

Muitas diferenças criativas

A partir daqui, “Superman Lives” saiu dos trilhos a ponto de ser cancelado pela Warner Bros.

O filme entrou oficialmente em pré-produção no verão do hemisfério norte de 1997. Foi aí que veio o primeiro indício de que as coisas começaram a sair do controle: Por ironia do destino, Tim Burton não gostou do roteiro de Kevin Smith – um dos responsáveis por surgir seu nome para a direção – e contratou Wesley Strick, de quem era próximo, para reescrever o roteiro.

O ator e comediante nunca escondeu sua decepção com a decisão e já explicou por que sua versão da história acabou sendo descartada.

“O estúdio estava feliz com o que estava fazendo. Aí o Tim Burton acabou se envolvendo, e quando ele assinou o acordo, disse que queria fazer sua versão do Superman. Então, quem a Warner Bros iria bancar? O cara que fez ‘O Balconista’ (o primeiro filme dirigido por Kevin Smith) ou o cara que deu a eles meio bilhão de dólares com Batman?”

Assim que Wesley Strick colocou as mãos no roteiro, ficou incomodado com diversos aspectos, como a presença do Eradicator – que via como algo que tiraria o protagonismo do herói – e o plano do Brainiac para derrotar o Superman – em sua opinião, uma ideia tirada de um episódio de “Os Simpsons”.

Após ler a HQ que seria parcialmente adaptada, Strick compreendeu melhor alguns pontos do roteiro de Kevin Smith. Ainda assim, promoveu algumas mudanças: em uma delas, Brainiac e Lex Luthor se tornaram uma única entidade chamada “Lexiac”. E em outra, o Eradicator foi substituído por “K”, uma força natural que representaria o espírito dos pais biológicos do Superman.

O aspecto artístico de “Superman Lives” foi uma verdadeira bagunça, culpa do próprio Jon Peters, que queria colocar seu dedo nesta parte a qualquer custo.

Por exemplo, o produtor pediu para a equipe de artistas um traje para o herói que nada lembrava a versão dos quadrinhos e que também agradasse às crianças. Além disso, após ver a imagem de uma caveira em uma revista, pediu para que a nave de Brainiac fosse desenvolvida de maneira semelhante.

Até Tim Burton quis dar seus pitacos para a equipe artística. O designer Sylvain Despretz disse que o cineasta levou para ele um esboço de sua visão para Brainiac, que segundo ele, “parecia um cone com uma bola no topo.”

Se não bastassem todas essas questões, ainda surgiu mais uma: a Warner Bros considerou o novo roteiro de Wesley Strick muito caro e contratou Dan Gilroy para reescrevê-lo novamente, justamente com o intuito de tentar baratear o filme.

Nesta nova versão da história, o herói ficaria bem inseguro sobre sua identidade e como ele se encaixava na Terra. É algo que iria de encontro com um costume que Tim Burton sempre teve em seus filmes: protagonistas que questionam suas identidades e os lugares em que se encontram.

“Superman Lives” cancelado

Quando já era abril de 1998, a poucas semanas do início das filmagens, a Warner Bros – que já havia gasto US$ 30 milhões com a pré-produção do longa – estava preocupada com a qualidade do novo roteiro. A empresa também viu alguns de seus longas mais recentes fracassarem em bilheteria. Diante disso, os executivos acharam melhor aproveitar seu dinheiro com outras produções, paralisando os trabalhos de “Superman Lives”.

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A decisão fez com que Tim Burton abandonasse o projeto. O cineasta afirmou que teve várias diferenças criativas com Jon Peters e o estúdio – e não deixou de dar sua alfinetada no produtor.

“Eu basicamente perdi um ano. E um ano é muito tempo tendo de trabalhar com alguém que você realmente não queria trabalhar.”

Meses após a notícia, um fã do herói e aspirante a roteirista, chamado Alex Ford, desenvolveu um novo roteiro para o filme, que ele chamou de “Superman: The Man of Steel” (“Superman: O Homem de Aço”). A Warner Bros e Jon Peters ficaram impressionados com o novo enredo, que também não viu a luz do dia.

O próprio Alex Ford, assim como Tim Burton, criticou tanto o estúdio quanto o produtor ao afirmar que estavam mais preocupados com a venda de brinquedos e produtos relacionados ao filme.

“Posso dizer que eles não sabiam muito sobre quadrinhos. A audiência deles não é para mim ou você que paga 7 dólares (em um ingresso de cinema). É para os pais que gastam 60 dólares em brinquedos e lancheiras. É um negócio. E o que é mais importante: US$ 150 milhões em bilheteria ou US$ 600 milhões em merchandising?”

Quem não se deu por vencido foi o próprio Jon Peters. Com o roteiro reescrito por Dan Gilroy, entrou em contato com diversos diretores, como Michael Bay e Brett Ratner. Todos recusaram o convite.

Em junho de 1999, o roteiro foi reescrito mais uma vez, agora por William Wisher Jr., que teve uma mãozinha do próprio Nicolas Cage. Mas adivinha? O próprio ator também desistiu do projeto um ano mais tarde.

O ator acredita que o filme foi cancelado por conta de sua ousadia, algo que a Warner Bros não estava disposta a bancar por conta do fracasso financeiro de “Marte Ataca!” – também dirigido por Tim Burton.

“Eu amo ‘Marte Ataca!’. Acho ‘Marte Ataca!’ um filme fantástico e inovador. Mas o estúdio estava assustado por conta de ‘Marte Ataca!’. A Warner Bros perdeu muito dinheiro com o filme. Esses são filmes realmente estranhos, eles são desafiadores e inovadores e deixam muita gente irritada.”

Apesar da falta de uma confirmação oficial, a partir daí, ficou claro que “Superman Lives” foi cancelado de vez pela Warner Bros e nunca teve a oportunidade de sair do papel. 

Projeto descartado ganha documentário

Em 2015, quando quase ninguém mais lembrava que “Superman Lives” estava perto de ganhar vida, foi lançado o documentário “The Death of ‘Superman Lives’: What Happened?”, que conta todos os bastidores do projeto e o seu cancelamento.

A produção conseguiu conversar com diversos nomes envolvidos no projeto, como Kevin Smith, Tim Burton, Jon Peters, Dan Gilroy e Wesley Strick.

A entrevista que mais chamou a atenção foi a do produtor do fracassado projeto. Após ser questionado sobre as exigências reveladas por Kevin Smith, Jon Peters disse que os pedidos para o herói não voar e deixar de usar seu famoso traje eram, segundo ele, falsos.

No entanto, confirmou que realmente pediu para o Superman enfrentar uma aranha gigante no final, cena que o produtor considerou que ficaria “incrível”.

Isso é tudo a respeito de “Superman Lives”. Se considerarmos a bagunça que o projeto tomou depois de um certo tempo e todos esses problemas na parte criativa, podemos dizer que foi até melhor que ele nunca tenha saído do papel.

Ao menos, Nicolas Cage ganhou a chance de viver o herói em “The Flash”, mesmo que se trate apenas de uma participação especial. O ator apaixonado por quadrinhos, com certeza, deve ter gostado da experiência. 

*As informações presentes nesse texto são dos sites Wikipédia, Farout, Collider, Variety e Superman Wiki.

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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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