Goodbye June dá um passo atrás, mas ainda convence em “See Where the Night Goes”

Quarto trabalho do trio de Nashville parece abdicar um pouco do diferencial apresentado em outros momentos e abusar da influência do AC/DC

O Goodbye June oferece sensações mistas em seu quarto álbum de estudio. “See Where the Night Goes”, que chega através dos selos selos Earache Records / Cotton Valley Music, é o tipo de trabalho que agrada qualquer fã de classic hard rock logo na primeira audição. Ao mesmo tempo, parece frear a evolução notada no disco anterior, “Community Inn”.

Antes, um pouco de história: formado em 2009, esse trio americano de Nashville nasceu a partir de uma tragédia. Os músicos, que são primos, se juntaram após a morte do irmão do guitarrista Tyler Baker, no mês de junho daquele ano (por isso, o nome da banda). Além de Tyler, o grupo traz o vocalista Landon Milbourn e o guitarrista/baixista Brandon Qualkenbush.

Embora tenha um álbum lançado em 2013, intitulado “Nor The Wild Music Flow”, o Goodbye June começou a chamar atenção com “Magic Valley” (2017), segundo de sua discografia e único pela gravadora Interscope. Faixas do trabalho foram usadas pela WWE e Budweiser, além da franquia de games “Need for Speed”.

Dispostos a surpreender, os músicos divulgaram em 2019 o ótimo “Community Inn”, um dos melhores discos de uma jovem banda que ouvi nos últimos anos. Arrojado, o trabalho mescla de forma natural um southern rock clássico de ótimo gosto com referências indo do gospel/R&B vintage ao pop/indie contemporâneo.

Nesse sentido, “See Where the Night Goes” dá um passo para trás. Com produção de Paul Moak (Joy Williams, Hillary Duff, Imelda May) e um estilo de gravação aparentemente mais seco e direto, o trabalho parece centrar demais da influência do AC/DC e esquecer-se de outros elementos que davam o diferencial à sonoridade do trio.

As referências à obra dos irmãos Young não é de toda ruim, claro. A abertura com “Step Aside” e a faixa-título caem bem tant pelos bons ganchos melódicos quanto pela dinâmica rítmica do grupo, com linhas de bateria dinâmicas. Mas a fórmula cansa um pouco em músicas como “Breathe and Attack” e “Three Chords”, que passam do ponto no quesito “influência excessiva”.

Os melhores momentos do álbum ocorrem justamente quando o trio foge dessa estética. Raramente cito uma balada como destaque de um disco, mas “What I Need” merece: guiada por piano e violão, essa canção surpreende ao mostrar todo o poderio vocal de Landon Milbourn. Outros momentos que despertam a vontade de apertar o “replay” são a explosiva “Stand and Deliver”, a grudenta “Everlasting Love”, a densa “Nothing” e o encerramento com “Black”.

No todo, “See Where the Night Goes” é um bom trabalho. Mesmo as faixas na pegada do AC/DC são divertidas e podem convencer o ouvinte de primeira viagem. Só perde um pouco de brilho quando é traçado o paralelo com “Community Inn”.

Ouça “See Where the Night Goes” a seguir, via Spotify.

O single está na playlist de lançamentos do site, atualizada semanalmente com as melhores novidades do rock e metal. Siga e dê o play!

Goodbye June – “See Where the Night Goes”

  1. Step Aside
  2. See Where the Night Goes
  3. Breathe and Attack
  4. Take a Ride
  5. What I Need
  6. Stand and Deliver
  7. Baby I’m Back
  8. Everlasting Love
  9. Nothing
  10. Three Chords
  11. Black

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