A morte de Brian Epstein, o empresário que agia como pai dos Beatles

Manager era o responsável por esfriar muitos conflitos na banda e sua ausência facilitou a separação

Muitas pessoas receberam o título de “o quinto Beatle” ao longo dos anos: do pianista Billy Preston ao produtor George Martin. Certamente, um dos que mais merecem a honra seja o empresário dos Beatles, Brian Epstein, cuja morte em 1967, com apenas 32 anos, pode ter sido o primeiro passo na direção do fim da banda.

Epstein foi o primeiro empresário de Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr, assumindo o posto em 1961. Na época, ele nunca havia empresariado um grupo e trabalhava como gerente de uma loja de discos em Liverpool, mas assinou um contrato de cinco anos, com vigência iniciada em janeiro de 1962.

Ainda que tenha administrado a carreira de outras bandas menores, incluindo artistas de Liverpool, foi com os Beatles que Brian Epstein entrou para a história. O empresário é creditado por criar o visual do grupo em seus primeiros anos, bem como ajudá-los a mudar a postura com que se apresentavam no palco e outros pequenos detalhes que fizeram o Fab Four ser o que foi.

Fim das turnês

Em 1966, logo após o lançamento do álbum “Revolver”, os Beatles resolveram parar de fazer turnês e shows ao vivo. Os motivos para a decisão envolvem uma mudança na direção artística da banda, com músicas cada vez mais difíceis de reproduzir em um show, além de experiências ruins e público já não tão grande em algumas das últimas turnês pela Ásia e Estados Unidos.

Dessa forma, Brian Epstein, cujo trabalho como empresário tinha relação direta com a organização das longas turnês, acabou relegado a um trabalho mais burocrático, mais administrativo, onde passou a lidar com finanças e papelada. A situação o deixou bastante desmotivado.

O afastamento acabou sendo natural, o que provocou pelo menos dois efeitos distintos. Para o próprio empresário, que queria continuar fazendo turnês, a diminuição das viagens e contato direto com o grupo foi triste. Alguns anos mais velho que os integrantes, Epstein acabava sendo uma espécie de figura paternal na estrada.

Já para John, Paul, George e Ringo, a ausência de Brian representou os primeiros grandes desentendimentos entre eles. Geralmente responsável por colocar “panos quentes” em possíveis brigas, o manager já não estava lá o tempo todo para segurar o ímpeto criativo, principalmente de John Lennon e Paul McCartney.

A morte de Brian Epstein

Os meses sem turnês fizeram mal ao manager, que acabou tendo problemas de insônia, além do vício em algumas drogas. Pouco antes de sua morte, ele planejou uma festa com amigos em uma de suas casas, em Kingsley Hill, Warbleton, Sussex. Alguns desses amigos se atrasaram, o que o desanimou e o fez voltar para Londres.

Já na capital britânica, ele falou ao telefone com um desses amigos, que pediu para que ele voltasse a Kingsley Hill para um feriado. A voz de Epstein estava fraca e lenta, indicando que algo não estava bem.

Brian Epstein foi encontrado morto em seu quarto pelos mordomos e por seu médico particular, que tiveram que arrombar a porta do quarto onde ele estava. Ele morreu em 27 de agosto de 1967, aos 32 anos, por uma overdose acidental do calmante Carbrital, misturado ao álcool.

Tentando resolver as brigas agora por conta própria, os Beatles estavam em um retiro espiritual com um guru indiano no País de Gales quando souberam da morte de seu amigo e empresário.

O efeito da perda para os Beatles

O retiro foi encerrado por uma verdadeira invasão da imprensa, que queria ouvir as palavras dos integrantes a respeito da perda. Todos ficaram completamente consternados. Durante o documentário “The Beatles: Get Back”, em gravações de 1969, Paul McCartney chega a comentar que o grupo nunca mais foi o mesmo sem ele.

Sem a figura conciliadora do empresário, que fazia as vezes de “paizão” em muitos momentos, a banda optou por criar a Apple Corps, uma empresa que ficaria responsável por administrá-la. Anos depois, McCartney iria sugerir que Lee Eastman, seu sogro, assumisse a carreira do grupo. A sugestão foi negada pelos outros músicos, que escolheram Allen Klein, empresário dos Rolling Stones, numa opção que se provaria errada anos depois.

A ausência de Brian Epstein faria com que a guerra de egos dentro dos Beatles acontecesse livremente. Paul e John acabariam tomando a frente dessa disputa, com George Harrison e Ringo Starr sendo deixados em um injusto segundo plano. A hierarquia não-oficial foi crucial para o fim das atividades do grupo, em 1970, apenas 3 anos após a morte do empresário.

* Texto por André Luiz Fernandes, com pauta e edição por Igor Miranda.

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