O comunicado em que Freddie Mercury confirma ter Aids, divulgado um dia antes de sua morte

Vocalista do Queen lutava contra a doença há anos e sua perda foi uma das mais sentidas na história da música moderna

Desde meados dos anos 1980, todos pareciam ter certeza de que havia algo de errado com o Queen, principalmente com o vocalista Freddie Mercury. A banda realizou sua última turnê em 1986 e desde então era cada vez mais raro ver os músicos na mídia.

As raras aparições de Mercury a partir daí revelavam sua fragilidade. Começaram, então, diversas especulações sobre sua saúde – em especial, citando que ele teria contraído o vírus HIV, causador da Aids. Vale lembrar que o mundo registrava muitos casos da doença na década de 1980.

Nesse período, o cantor não fazia qualquer comentário sobre sua saúde de forma pública. Somente em 23 de novembro de 1991, um dia antes de sua morte, ele confirmou estar com Aids por meio de um comunicado oficial.

Freddie já estava muito debilitado e havia decidido suspender o uso de medicação semanas antes de veicular a nota. Sua morte ocorreu no dia seguinte, em 24 de novembro de 1991, aos 45 anos de idade, por complicações de uma pneumonia agravada pelo vírus HIV.

Leia, a seguir, o comunicado à imprensa onde Freddie Mercury confirma ter o vírus HIV.

Comunicado de Freddie Mercury sobre a Aids

“Após enormes conjecturas na imprensa, quero confirmar que testei positivo para o vírus HIV e que tenho Aids. Guardei essa informação até agora para proteger a privacidade das pessoas à minha volta. No entanto, chegou a hora de meus amigos e fãs ao redor do mundo saberem a verdade. E espero que todos se juntem a mim, meus médicos e ao mundo todo na luta contra esta terrível doença.”

Freddie Mercury, 23 de novembro de 1991

Doença, morte e tributo do Queen

Pessoas próximas a Freddie Mercury relatam que ele sabia sobre o vírus pelo menos desde 1987.

Os próprios integrantes do Queen só receberam a notícia oficialmente dois anos antes da morte do vocalista, que fazia questão de manter sua vida pessoal bem longe dos holofotes, como o baterista Roger Taylor ressaltou em entrevista à Entertainment Weekly.

“Ele não queria ser visto como um objeto de pena ou curiosidade. E ele não queria abutres voando em círculos sobre sua cabeça.”

No ano seguinte à morte de Mercury, os remanescentes do Queen e vários artistas realizaram um gigante show-tributo, com ingressos revertidos à Mercury Phoenix Trust. A ONG, fundada pelos músicos junto do empresário da banda, Jim Beach, existe até hoje e presta apoio a pacientes com Aids, além de financiar estudos sobre a doença.

À revista Veja, o guitarrista Brian May destacou que o evento foi primordial para o combate contra a Aids em todo o mundo. Muitas pessoas se conscientizaram a respeito da doença e souberam também da instituição.

“O show-tributo de 1992 fez uma grande diferença para a comunidade gay. Fazemos questão de manter a memória de Freddie viva e desde então contribuímos com instituições que lutam contra a aids ao redor do mundo.”

Sem Freddie, o Queen chegou ao fim. O nome da banda voltou a ser usado em 2004 em uma parceria com Paul Rodgers (Free, Bad Company), batizada Queen + Paul Rodgers. Atualmente, a banda segue em turnê com Adam Lambert nos vocais, sob a marca Queen + Adam Lambert.

* Texto por André Luiz Fernandes, com edição de Igor Miranda.

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