O Angra em 2001, na formação que gravou o álbum "Rebirth"

Quando o Angra renasceu e lançou “Rebirth”, seu álbum mais bem-sucedido até hoje

Divulgado em 13 de outubro de 2001, trabalho marcou as estreias de Edu Falaschi, Felipe Andreoli e Aquiles Priester

Por mais que a formação clássica seja a que gravou os álbuns “Holy Land” e “Fireworks” – o baterista Ricardo Confessori não registrou o debut, “Angels Cry”, embora tenha feito a turnê –, o melhor desempenho comercial da carreira do Angra veio em “Rebirth”. Quarto full-length do grupo, o trabalho marcou o fim de um misto de agonia e incertezas dos fãs com a estreia de uma nova formação.

Da fase anterior haviam sobrado apenas os guitarristas Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro. O vocalista Edu Falaschi, o baixista Felipe Andreolli e o baterista Aquiles Priester completaram a nova banda.

Quando do anúncio do line-up, os remanescentes do período anterior publicaram uma carta aberta ao público.

“Caros amigos, fãs e seguidores do Angra,

Este último ano que passou foi, certamente, o mais difícil de nossas carreiras. Fomos todos tomados de surpresa por uma série de acontecimentos que dividiram os interesses musicais e profissionais da banda: muito desgaste, rumores, expectativa, e uma notícia: três de nossos colegas decidiram que seus destinos não mais cruzariam com o do Angra.

Agradecemos muito a vocês que acreditaram, acompanharam e esperaram conosco. Em alguns momentos, também nos desanimados e foram vocês que nos incentivaram a continuar.

Agora que o temporal já passou, podemos pedir desculpas pelo comprometimento no qual todos vocês foram submetidos e assumimos a nossa falta de comunicação.

Estamos muito felizes agora, animados e revigorados. A nova formação está matadora, as músicas são excelentes, e em breve os fãs cadastrados no fã-clube oficial terão o privilégio de ouvir, de antemão, o novo material.

Para quem não conhece, o Edu é um cara excepcional, excelente vocal e muito profissional. O Felipe e o Aquiles formam juntos a melhor cozinha do atual cenário nacional, e por isso foram chamados para gravar e participar da turnê internacional do ex-Iron Maiden Paul Di’Anno.

O heavy nacional está crescendo, muitas bandas boas estão surgindo e é importante que ao invés de uma competição nociva, nós tenhamos uma união amigável para que juntos sejamos imbatíveis também no cenário internacional.

Devemos, agora, enterrar as brigas, baixar as armas e deixar que das sementes do passado brotem apenas os bons momentos. Vamos tocar a bola pra frente e continuar representando vocês, dentro e fora do Brasil.

É hora de reconstruirmos ideais, enxergar o futuro com otimismo e deixar renascer o espírito que nos une: a música. Estamos na era da transformação, completamos um ciclo, ouvimos no ar o pranto desesperado dos anjos, descobrimos através das águas a terra sagrada e assistimos de perto a rebelião do fogo, que incendeia sem dó a natureza para que esta possa renascer fortalecida.

Temos os quatro elementos nas mãos para criarmos, com vocês, o nosso futuro. A NOVA ERA.

Kiko Loureiro e Rafael em nome do Angra.”

Rebirth: um seguro renascimento

Outro elemento renovado da nova etapa do Angra veio na produção, com Dennis Ward, americano radicado na Alemanha e então conhecido como baixista do Pink Cream 69. A aliança se repetiria pelos próximos dois discos, “Temple of Shadows” e “Aurora Consurgens”.

A temática lírica de “Rebirth” girava em torno da reconstrução de um mundo em ruínas. Simbolizava o momento pelo qual o grupo passava.

Musicalmente, o quinteto apostou em uma sonoridade segura, deixando o experimentalismo de lado para solidificar a nova equipe de trabalho. Não à toa, é um dos trabalhos que mais possui melodias cantaroláveis em toda a discografia do grupo. E o resultado foi colhido.

O auge da popularidade do Angra

Foto: Guilherme Andrade / divulgação / via Resenhando

“Rebirth” vendeu quase um milhão e meio de cópias em todo o planeta até hoje. Ganhou discos de ouro no Brasil e Japão.

Por aqui, além da parceria já esperada com a MTV, a banda se viu em alta na mídia, aparecendo em programas de televisão e rádio que fugiam do trivial para uma banda de heavy metal. Entre os momentos mais pitorescos, uma participação no “Noite Afora”, programa de cunho erótico da RedeTV! comandado por Monique Evans.

Em clima de Copa do Mundo, a banda também registrou uma nova versão da música “Pra Frente Brasil”, que embalou o tri da seleção brasileira no México em 1970. A gravação foi usada pelo SporTV à época do mundial disputado no Japão e Coreia do Sul, no ano seguinte.

Para completar, o Angra fazia turnê na Ásia exatamente no período da disputa, o que rendeu até aparição no “Jornal da Globo”. A comoção pelo penta ajudou a colocá-los nos holofotes de um público que sequer era seu.

Em artigo de 2019, a Metal Hammer colocou “Rebirth” entre os 25 maiores álbuns da história do power metal. Eis o que é dito pela revista:

“O quarto LP do Angra foi um renascimento literal triunfante para os líderes da cena brasileira. A extravagante dupla de guitarristas Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt teve que substituir seu vocalista, baterista e baixista antes da gravação, mas a fluidez, coesão e dinamismo deste álbum levanta apostas que sugerem uma banda ligada a uma velocidade indecente.

Alternando alguns dos headbangers mais rápidos e pesados do Angra (‘Nova Era’, ‘Acid Rain’, ‘Running Alone’) com anseios melódicos mais calmos e reflexivos (culminando no rearranjo final de Kiko para um opus de Chopin), ‘Rebirth’ também incorpora momentos de delicadeza baladeira, outros bombásticos e sinfônicos, texturas densas e progressivas, além de grooves e ritmos latinos, o todo caracterizado por uma atmosfera de alegria que permeia.”

Talvez “Rebirth” não ganhe qualquer pesquisa de melhor álbum do Angra feita junto aos fãs. Porém, é um dos momentos mais importantes de sua carreira, gerando renascimento de uma ideia e consolidação de uma marca que demonstrava força que ia além de seus integrantes.

Angra – “Rebirth”

  • Lançado em 13 de novembro de 2001.
  1. In Excelsis
  2. Nova Era
  3. Millenium Sun
  4. Acid Rain
  5. Heroes of Sand
  6. Unholy Wars (I. Imperial Crown / II. Forgiven Return)
  7. Rebirth
  8. Judgement Day
  9. Running Alone
  10. Visions Prelude (adaptada da Op. 28 em C menor de Chopin)
  11. Bleeding Heart (faixa bônus da edição japonesa)

Formação

  • Edu Falaschi (vocal)
  • Kiko Loureiro (guitarra)
  • Rafael Bittencourt (guitarra)
  • Felipe Andreoli (baixo)
  • Aquiles Priester (bateria)

Participações

  • Gunter Werno (teclados)
  • Andre Kbelo, Zeca Loureiro, Maria Rita, Carolin Wols (backing vocals)
  • Roman Mekinulov (cello)
  • Douglas Las Casas (percussão)
  • Mestre Dinho & Grupo Woyekè (vozes maracatu em “Unholy Wars”)

Produção

  • Dennis Ward (produção, engenharia de áudio, mixagem, arranjos de coros)
  • Andre Kbelo (engenheiro assistente)
  • Jürgen Lusky (masterização)
  • Antonio D. Pirani (produção executiva)
  • Capa por Rafael Bittencourt e Isabel de Amorim
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