Foto: divulgação

5 discos para conhecer o lado rock de Cher, cantora consagrada na música pop

Em seis décadas de atividade, onde lançou mais de 25 álbuns, cantora flertou com folk, blues, new wave e hard rock

Cher é uma das artistas de maior longevidade na música como um todo. São praticamente seis décadas de atividade, com mais de 25 álbuns lançados, milhares de shows por todo o mundo e muito sucesso.

Embora tenha se tornado famosa pelo trabalho na música pop, a cantora americana flertou com diversos estilos ao longo de sua carreira. Um deles foi o rock, que influenciou, em ramificações variadas, alguns de seus trabalhos em momentos bem diferentes da carreira.

A lista a seguir reúne cinco álbuns de Cher que flertaram com o rock. Tem hard rock, tem new wave e tem blues rock.

O lado rock de Cher em cinco álbuns

“Stars” (1975)

Vivendo momentos de instabilidade em sua carreira na década de 1970, Cher resolveu apostar em um som bem diferente para seu 12º álbum de estúdio. Intitulado “Stars“, o trabalho divulgado em 1975 é uma das pérolas perdidas em sua discografia, dando uma boa amostra da versatilidade da artista.

Quase totalmente orientado ao blues e folk rock, o trabalho conta com algumas versões para músicas como “Mr. Soul” (Neil Young), “These Days” (Jackson Browne) e até o reggae “The Harder They Come” (Jimmy Cliff).

O grande destaque, porém, fica por conta de “Bell Bottom Blues”. A música é original do Derek and the Dominos, banda criada por Eric Clapton no início da década de 1970 – aquela mesma, que compôs “Layla”.

Apesar de ser reconhecido hoje como um bom trabalho, “Stars” passou batido na época. As vendas foram tão decepcionantes que o álbum nunca foi lançado em CD e não consta em plataformas de streaming.

“Black Rose” (1980)

No fim da década de 1970, Cher havia voltado a conseguir algum reconhecimento comercial com o álbum “Take Me Home” (1979). Na época, ela começou a namorar com o músico Les Dudek e decidiu montar um projeto com ele.

Nascia assim, a banda Black Rose, que trazia Dudek na guitarra, Trey Thompson no baixo e Gary Ferguson na bateria, além de vários convidados.

Com uma sonoridade mais inclinada à new wave, o único álbum do projeto, também intitulado “Black Rose“, saiu em 1980. Apesar da aposta feita pela gravadora Casablanca, as vendas foram bem abaixo do esperado: 400 mil cópias em todo o mundo.

Ainda assim, trata-se de um trabalho interessante. Na época, o grupo foi comparado ao Blondie, que estava no auge de sua popularidade. É sempre interessante ouvir a voz de Cher em um campo de maior ousadia, fora do pop que a consagrou.

Havia, ainda, um bom time de compositores que ajudou a elevar o nível do projeto. Entre eles, estão Bernie Taupin, eterno letrista de Elton John, e os tecladistas Steve Porcaro e David Paich, ambos integrantes do Toto e que também constam nos créditos do álbum como músicos de estúdio.

Só não tente ouvi-lo no streaming. Como “Stars”, “Black Rose” também está fora das plataformas digitais.

“Cher” (1987)

Após o fim do Black Rose, Cher lançou o álbum “I Paralyze” (1982), que seria mais um fracasso comercial, além de não acrescentar muito musicalmente.

As baixas vendas levariam a cantora a distanciar-se de sua carreira na música, focando mais na atuação. O retorno aconteceu apenas 5 anos depois, em 1987, com seu álbum homônimo.

O trabalho representou um ressurgimento de Cher enquanto cantora. É possível apontar que o sucesso no campo cinematográfico auxiliou o 18º disco da artista a emplacar, já que ela estava indo muito bem como atriz, mas não daria para fazer isso sem boas músicas e uma roupagem mais contemporânea.

Foi essa a grande estratégia de “Cher”, o álbum: aposta em uma sonoridade mais inclinada ao hard rock da década de 1980, ainda que aproveitando mais o lado “baladesco” do subgênero. O processo de produção envolveu um verdadeiro “dream team do rock farofa” entre compositores, produtores e músicos convidados, o que foi facilitado pelo novo contrato com a Geffen, a gravadora mais forte na época nesse segmento.

Por estar namorando com o guitarrista Richie Sambora, todo o Bon Jovi participou do álbum. Além do próprio Sambora, colaboraram o vocalista Jon Bon Jovi (que co-produziu o disco junto do colega e de outros nomes), o baixista Alec John Such, o baterista Tico Torres e o tecladista David Bryan.

Além do Bon Jovi, que estava no auge de sua popularidade na época, o disco trouxe colaborações de Michael Bolton, Desmond Child, Bonnie Tyler, Holly Knight, Tony Levin, Steve Lukather, Diane Warren, Maurice White, Bob Rock e Joe Lynn Turner, entre muitos outros.

O resultado? Uma sequência de hits, com destaque a “I Found Someone” e “We All Sleep Alone”, que chegaram às posições de número 10 e 14, respectivamente, das paradas americanas. “Skin Deep”, “Bang-Bang” e “Main Man” também saíram como singles.

“Heart of Stone” (1989)

Em time que está ganhando, não se mexe – mas nada impede que alguns reforços cheguem para melhorar ainda mais a situação.

Foi exatamente isso o que aconteceu em “Heart of Stone”, o álbum que sucedeu o trabalho homônimo de 1987. A sonoridade hard rock foi mantida, trazendo de volta praticamente toda a equipe do disco anterior, com direito a algumas adições interessantes.

Um exemplo foi o então iniciante guitarrista Blues Saraceno, futuramente conhecido pelo trabalho com o Poison, toca na música “Emotional Fire”. A mesma faixa trouxe o já experiente colega de instrumento Steve Lukather, membro do Toto e músico de estúdio bastante ativo. O também consagrado tecladista Jonathan Cain, do Journey, por sua vez, assina a música “Starting Over” ao lado de Michael Bolton.

O envolvimento do Bon Jovi foi mais tímido dessa vez, já que o relacionamento com Richie Sambora havia chegado ao fim. Junto de Jon Bon Jovi, o guitarrista assinou a música “Does Anybody Really Fall in Love Anymore?”, que também teve colaborações de Diane Warren e Desmond Child. A faixa, vale lembrar, foi regravada por Kane Roberts, ex-guitarrista de Alice Cooper, em carreira solo.

Com tantos astros trabalhando juntos, novamente, o resultado foi satisfatório. “Heart of Stone” conseguiu superar o sucesso do lançamento anterior, com 3 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos e ainda mais hits que ficariam marcados na carreira de Cher, como “If I Could Turn Back Time”, “After All”, “Just Like Jesse James”, “You Wouldn’t Know Love” e a faixa-título.

“Love Hurts” (1991)

A trilogia iniciada em “Cher” e prosseguida por “Heart of Stone” foi concluída em “Love Hurts”, outro trabalho de grande repercussão que dialoga muito com o hard rock. Desta vez, porém, a roupagem foi um pouco mais sóbria, sem tantos excessos típicos dos anos 80, como pedia o momento.

“Love Hurts” não superou os dois anteriores em vendas, mas ainda assim obteve bons resultados. Conquistou disco de ouro nos Estados Unidos, chegou ao primeiro lugar das paradas do Reino Unido e teve “Love and Understanding” como seu single de destaque.

Parte daquela “seleção” de músicos e produtores dos outros dois trabalhos se manteve, mas outros artistas de orientações distintas também se envolveram com esse álbum. A enorme lista de colaboradores inclui o baterista Mickey Curry, os produtores Richie Zito e Bob Rock e vários membros do Toto, como Steve Lukather, Jeff e Mike Porcaro e David Paich, entre outros.

Um destaque interessante de “Love Hurts” é o cover de “A World Without Heroes”, balada do Kiss lançada em “Music From The Elder” (1981). Curiosamente, Cher teve um relacionamento no fim da década de 1970 com o vocalista e baixista da banda, Gene Simmons, que canta a faixa na versão original.

* Texto desenvolvido em parceria por Igor Miranda e André Luiz Fernandes. Pauta, edição geral e argumentação-base por Igor Miranda; redação geral e apuração adicional por André Luiz Fernandes.

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