Foto: divulgação

Por que o álbum do Temple of the Dog levou um ano para estourar

Razões estão ligadas à própria situação dos músicos envolvidos na época em que o trabalho foi gravado

O primeiro e único álbum do Temple of the Dog, homônimo, é aclamado por fãs de grunge e do rock como um todo. Porém, o trabalho, lançado em 16 de abril de 1991, demorou algum tempo – mais especificamente, um ano – até fazer sucesso.

As razões para isso têm relação com a própria situação dos músicos envolvidos na época em que o trabalho foi gravado: o Pearl Jam e o Soundgarden, bandas principais dos integrantes do projeto, só ganhariam popularidade algum tempo depois.

Temple of the Dog, um tributo a Andrew Wood

Idealizado pelo vocalista Chris Cornell, do Soundgarden, o Temple of the Dog foi uma homenagem ao também cantor Andrew Wood, do Mother Love Bone. Considerado um dos pioneiros do grunge, ele morreu um ano antes, em 1990, em decorrência de uma overdose de heroína.

Cornell recrutou para o projeto dois ex-colegas de Wood no Mother Love Bone: o guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament, que voltariam a tocar juntos no Pearl Jam.

Completavam a formação outros músicos que seriam ligados ao Pearl Jam no futuro, como o guitarrista Mike McCready, o vocalista Eddie Vedder (que faz vocais de apoio) e o baterista Matt Cameron, que na época integrava apenas o Soundgarden.

Os músicos gravaram um álbum, também chamado “Temple of the Dog”, que foi lançado pela gravadora A&M. Inicialmente, vendeu “apenas” 70 mil cópias nos Estados Unidos – um número considerado baixo para a época e para o tamanho do investimento.

Ou seja: passou despercebido pela maioria do público. Todavia, nada como o tempo para mudar uma situação dessas.

Supergrupo ao contrário

Em 1992, o cenário já era outro. O grunge estava se consolidando de vez após o lançamento de “Nevermind” (1991), do Nirvana, que trouxe outras bandas do estilo na “esteira”. Entre elas, estavam o Soundgarden e o recém-formado Pearl Jam, que também estouravam com “Badmotorfinger” (1991) e “Ten” (1991), respectivamente.

Foi nesse momento que a gravadora A&M percebeu que o álbum do Temple of the Dog poderia render. O selo tinha em mãos o material de um supergrupo que, ao contrário do que ocorre normalmente, havia se formado antes de seus membros fazerem sucesso.

Com isso, o disco foi relançado e recebeu um tratamento muito mais digno por parte da gravadora em termos de divulgação, incluindo um clipe para o single “Hunger Strike”.

Jeff Ament relembrou em entrevista para a revista Guitar World, em 1997, que o Pearl Jam chegou a pedir para que um adesivo com o nome do Pearl Jam fosse incluído no relançamento do Temple of the Dog, mas a ideia acabou descartada.

No fim das contas, o álbum do Temple of the Dog entrou para a lista dos 100 álbuns mais vendidos nos Estados Unidos em 1992. Acabou ganhando um disco de platina, alcançando a marca de 1 milhão de cópias.

O grupo fez uma turnê em celebração aos 25 anos do lançamento em 2016, pouco tempo antes da morte de Chris Cornell, idealizador do projeto. No mesmo ano, o álbum foi relançado com diversos materiais extra.

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