Evanescence soa amarrado e se posiciona em 2021 no álbum “The Bitter Truth”

Em novo trabalho, banda liderada por Amy Lee conseguiu se atualizar sem perder sua essência

O Evanescence lançou, nesta sexta-feira (26), seu quinto álbum de estúdio. Intitulado “The Bitter Truth”, o trabalho chega a público por meio da gravadora BMG.

Primeiro álbum de inéditas do Evanescence em uma década, “The Bitter Truth” seria divulgado ainda em 2020. Entretanto, a pandemia atrapalhou os planos da banda, que preferiu segurar o álbum em vez de liberá-lo sem poder fazer turnês de divulgação – o que não mudou muita coisa desde então.

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A produção é assinada por Nick Raskulinecz, o mesmo que comandou a função no disco de inéditas anterior, o homônimo “Evanescence”, de 2011. A formação atual do grupo traz Amy Lee nos vocais e piano, Jen Majura (em seu primeiro álbum todo inédito) e Troy McLawhorn nas guitarras, Tim McCord no baixo e Will Hunt na bateria.

Vale lembrar que, em 2017, o Evanescence lançou o álbum “Synthesis”, que é considerado na discografia oficial, mas conta apenas com algumas músicas inéditas. A maioria do material é composta de canções antigas da banda, rearranjadas com elementos de orquestra e eletrônicos.

Ouça “The Bitter Truth” a seguir, via Spotify, e leia resenha em seguida.

Contemporâneo e bem amarrado

A sonoridade arrojada e experimental de “Synthesis” deixou alguns fãs receosos com relação ao futuro do Evanescence, que poderia seguir por caminhos bem diferentes de seus primeiros (e mais vendidos) álbuns. Entretanto, os primeiros singles de “The Bitter Truth” já mostravam que não seria assim.

Por outro lado, o Evanescence está, de fato, diferente. E a mudança é positiva. A banda adotou uma pegada mais contemporânea, permitindo-se levar por influências de nomes até mais jovens, como Bring Me The Horizon e Billie Eilish. Tudo isso, claro, sem perder a essência clássica da banda.

Há, ainda, outros dois pontos curiosos na sonoridade de “The Bitter Truth”. O primeiro é que, desta vez, Amy Lee deixou seu clássico piano de lado, permitindo que o panorama geral ficasse mais orgânico e conduzido por guitarras. Deu mais peso, o que se refletiu positivamente.

O segundo é que, ao menos em minha visão, a banda nunca soou tão entrosada como agora. Em outros momentos do passado, o Evanescence parecia mais um projeto de Amy Lee com músicos convidados – o que não é ruim, apenas restringia outros “brilhos”. Agora, tudo parece estar mais amarrado, como grupo. Gosto mais assim.

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Faixa a faixa

A vinheta de abertura “Artifact/The Turn” prepara o clima de forma soturna para o que vem a seguir: “Broken Pieces Shine“, uma das melhores músicas do álbum. A faixa tem batida marcante, bons timbres e, como habitual, performance irretocável de Amy Lee.

Na sequência, há várias músicas que já haviam sido lançadas como singles. Mais especificamente, entre as faixas 3 e 8, apenas a quinta, “Feeding the Dark”, não era conhecida do público anteriormente.

A primeira dessa série é “The Game Is Over“, que dá seguimento à pegada da faixa anterior, mas com versos mais calmos e refrão mais amplificado. “Yeah Right“, por sua vez, tem uma pegada mais upbeat – na medida do possível, claro. O bom uso de batida eletrônica nos versos deu um charme adicional à canção, além de posicionar a banda, de vez, em 2021.

Feeding the Dark“, embora não esteja exatamente deslocada, não atinge o mesmo patamar das outras faixas. O panorama é modificado com “Wasted on You“, que, não à toa, foi divulgada como a primeira música de trabalho do álbum. Envolvente em seu andamento, possui os principais elementos típicos do Evanescence, especialmente aquela mistura boa entre gótico e pop.

Better Without You” preserva e até amplifica essa mesma pegada de fácil assimilação, com um andamento mais convencional. Repleta de participações especiais, “Use My Voice” traz uma letra de tom político, voltando a “puxar” a banda para o momento atual. Os vocais adicionais de Lzzy Hale (Halestorm), Taylor Momsen (The Pretty Reckless), Sharon Den Adel (Within Temptation), entre outras, são o diferencial aqui.

O terço final do álbum nos reserva alguns momentos mais diferenciados. A ótima “Take Cover“, por exemplo, tem andamento pouco convencional, especialmente por seu groove que vai do swing ao heavy em um estalo de dedos. Já “Far From Heaven“, enfim, traz o piano como protagonista, providenciando uma amálgama bem sutil entre elementos orquestrais e eletrônicos. Na performance de Amy Lee, há quase uma mistura entre Adele e Billie Eilish.

Próxima do fim, a intensa “Part of Me” aposta no peso – e convence. É direta e apresenta um refrão, como de costume, bem construído. O encerramento fica a cargo de “Blind Belief“, que também se garante no peso, mas aposta em ganchos melódicos ainda mais chamativos. Traz, inclusive, uma das melhores performances vocais de Amy Lee em todo o álbum.

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No fim das contas…

O conceito de trazer o Evanescence para 2021 foi bem executado em “The Bitter Truth”. O álbum tem capricho em quase todos os seus segmentos: composições de letra e melodia, timbragens de instrumentos, performance individual e coletiva, entre outros aspectos.

O único ponto de atenção na sonoridade do disco, em minha visão, está em como a voz de Amy Lee se apresentou na mix final. Parece ter ficado um pouco “atrás” demais. Há passagens em que guitarras e instrumentos adicionais quase “encobrem” o canto da artista, o que, vez ou outra, me deixava incomodado.

Por outro lado, pode ter sido intencional, talvez até para reforçar que o Evanescence é, mais do que nunca, uma banda. E, evidentemente, trata-se de um detalhe que não afeta a qualidade geral das composições e performances.

“The Bitter Truth” é um álbum tão necessário para o Evanescence que não apenas sacia a “fome criativa” da banda, como, também, motivará cada vez mais pedidos dos fãs por novos discos. Esse trabalho deixa claro que Amy Lee e seus companheiros não podem ficar tanto tempo sem divulgar material inédito. Espero que isso seja compreendido a partir de agora.

O álbum está representado em minha playlist de lançamentos, atualizada sempre às sextas-feiras. Siga e dê o play:

Evanescence – The Bitter Truth

1. Artifact/The Turn
2. Broken Pieces Shine
3. The Game Is Over
4. Yeah Right
5. Feeding the Dark
6. Wasted on You
7. Better Without You
8. Use My Voice
9. Take Cover
10. Far from Heaven
11. Part of Me
12. Blind Belief

Formação:

  • Amy Lee (vocal, piano, teclados, programação adicional)
  • Troy McLawhorn (guitarra)
  • Jen Majura (guitarra)
  • Tim McCord (baixo)
  • Will Hunt (bateria)

Músicos adicionais:

  • Deena Jakoub, Lzzy Hale, Carrie Lee, Lori Lee, Sharon den Adel, Lindsey Stirling, Taylor Momsen e Amy McLawhorn (backing vocals na faixa 8)
  • David Campbell (arranjo de cordas)
  • Alan Umstead (maestro)
  • Nashville Music Scoring (orquestra)
  • Scott Kirkland (produção de programação na faixa 1)
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Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

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