Apesar de ter mantido contato constante com o saudoso Ozzy Osbourne, Tony Iommi passou quase dois anos sem ver o colega pessoalmente. O reencontro entre os artistas só aconteceu nos ensaios para o show de despedida do Black Sabbath, ocorrido no dia 5 de julho de 2025, no Villa Park, em Birmingham, na Inglaterra.
Na ocasião, o guitarrista confessou ter ficado chocado. Isso porque o cantor estava extremamente debilitado, como revelou à Guitar World.
Segundo Iommi, o estado de saúde do Madman havia piorado em um curto período de tempo. Tanto é que o vocalista precisou ser carregado para que praticassem as canções, porque praticamente não conseguia andar:
“Eu não via Ozzy desde que participamos dos Jogos da Commonwealth, em 2022. Foi a última vez que o vi, porque ele estava nos Estados Unidos e não conseguia voltar por causa de seu estado de saúde. Não permitiam que ele viajasse de avião. Quando ele finalmente veio e nos encontramos para os ensaios, ficamos chocados, porque ele praticamente foi carregado para dentro. Eu não conseguia acreditar no quanto ele havia piorado.”
Diante do cenário delicado, o guitarrista sugeriu que realizassem os ensaios somente com instrumentos e sem os vocais. Ainda assim, Osbourne quis tentar participar do momento:
“Estávamos todos realmente em choque. Ele ficou sentado ali, e eu disse a ele: ‘você sabe, não precisa cantar. Podemos apenas passar pelas músicas instrumentalmente’, mas ele disse: ‘não, vou tentar’, e cantava um pouco. Então terminávamos o dia e eu dizia: ‘não precisa vir amanhã, vamos apenas passar pelas músicas instrumentalmente com o Bill [Ward]’. Ele dizia: ‘tudo bem’, e então podia aparecer no dia seguinte ou não.”
Iommi relembra que “foi muito difícil” ver o amigo naquela situação. Ao mesmo tempo, acredita que ter seguido em frente e realizado o show foi a decisão certa:
“Foi muito difícil, porque eu estava acostumado a ver Ozzy pulando e correndo até mim para me abraçar. Foi algo completamente diferente, e foi muito difícil fazer aquilo. Mas, sabe, fico feliz que tenhamos feito, porque era a formação original e não vamos fazer isso novamente. Estou muito feliz que tenhamos feito isso por Ozzy e pelos fãs.”
Anteriormente, o guitarrista já havia destacado a condição de Ozzy nos ensaios. Ao programa Trunk Nation with Eddie Trunk, o músico contou que o grupo planejava executar, originalmente, entre seis e sete músicas na despedida, mas cortou o número para quatro por causa da debilitação do artista:
“Era uma questão de quanto tempo o Ozzy conseguiria aguentar, porque a gente não sabia, já que ele faria o próprio show [logo antes]. Eu disse pra ele que achava que não deveria fazer [o show solo], porque eu não queria que ele ficasse esgotado na hora de tocar com a gente. Mas não foi o caso, ele fez o show dele. No fim, acabamos tocando quatro músicas, embora tivéssemos separado seis ou sete.”
De acordo com uma fonte ao tabloide The Sun, toda a preparação para o show piorou o seu quadro de saúde. O insider afirmou:
“Ele vinha enfrentando problemas de saúde por causa do Parkinson e aquele grande show final cobrou seu preço. Ninguém previu que ele partiria tão rapidamente. Mas, apesar do choque, há uma gratidão por eles terem podido estar todos juntos.”
A morte de Ozzy Osbourne
Ozzy Osbourne, um dos maiores nomes da história do heavy metal, faleceu aos 76 anos, no dia 22 de julho de 2025 — apenas 17 dias após seu show de despedida com o Black Sabbath.
Seu atestado de óbito lista “infarto agudo do miocárdio” e “parada cardíaca fora do hospital” como razões para o falecimento. O documento também lista doença arterial coronariana e Parkinson com disfunção autonômica como “causas conjuntas”.
Osbourne foi sepultuado às margens do lago em sua casa em Buckinghamshire. Um dia antes, um cortejo pelas ruas de Birmingham, sua cidade natal na Inglaterra, foi realizado. Milhares de pessoas estiveram nas ruas para se despedir dele.
Sobre o Back to the Beginning
O último show do Black Sabbath com a formação original aconteceu no dia 5 de julho de 2025, no Villa Park, estádio em Birmingham, cidade inglesa onde a banda foi formada. Exatamente 17 dias depois, Ozzy Osbourne morreu aos 76 anos.
O evento também contou com inúmeras apresentações de outros ícones da cena. Ozzy Osbourne (solo), Guns N’ Roses, Metallica, Slayer, Tool, Pantera, Gojira, Alice in Chains, Halestorm, Lamb of God, Anthrax, Mastodon e Rival Sons estiveram entre as atrações, além de convidados adicionais como Steven Tyler (Aerosmith), Ron Wood (Rolling Stones), Billy Corgan (Smashing Pumpkins), David Draiman (Disturbed), Lzzy Hale, Jake E. Lee, Yungblud, Jonathan Davis (Korn), Nuno Bettencourt (Extreme), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), Travis Barker (Blink-182), Vernon Reid (Living Colour), K.K. Downing, Mike Bordin (Faith No More), Papa V Perpetua (Ghost), Rudy Sarzo, Sammy Hagar, Slash, Sleep Token II (Sleep Token) e Tom Morello.
O lucro do evento foi distribuído para três organizações diferentes:
- Cure Parkinson’s, entidade inglesa que financia pesquisas com objetivo de curar, interromper ou reduzir a evolução do Parkinson;
- Birmingham Children’s Hospital, centro médico em Birmingham especializado em cuidar de crianças e adolescentes;
- Acorn Children’s Hospice, instituição que presta cuidados paliativos e apoio a crianças com sérios problemas de saúde e suas famílias em toda a região de West Midlands.
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