As 10 músicas definitivas do Judas Priest para Ian Hill

Baixista anunciou aposentadoria por problemas de saúde; escolhas foram reveladas em fotolivro para celebrar os 50 anos da banda

O Judas Priest anunciou nesta sexta-feira (9) a aposentadoria do baixista Ian Hill, o único integrante presente em todas as formações da banda desde 1970. O músico teve de tomar a decisão devido a problemas de saúde que colocam em dúvida sua capacidade de voltar a se apresentar com o grupo.

Hill tinha apenas 18 anos de idade quando ajudou a estabelecer o Judas Priest com, entre outros músicos, o guitarrista e amigo K.K. Downing. Por naturalmente ter sido o integrante mais longevo do grupo, o baixista esteve envolvido com todos os trabalhos lançados, começando pelo álbum “Rocka Rolla”, de 1974. Ele também estará no próximo disco a ser disponibilizado pela banda, ainda sem data confirmada.

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Desta forma, conta bastante a opinião de Hill em relação àquelas que foram as 10 músicas definitivas lançadas pelo Judas Priest ao longo de sua história. As escolhidas do baixista foram reveladas no fotolivro “Judas Priest: 50 Heavy Metal Years”, lançado em 2021 para celebrar os 50 anos da banda. Confira a relação completa abaixo (via Louder).

As 10 músicas definitivas do Judas Priest para Ian Hill

“Dying to Meet You” (“Rocka Rolla”, 1974)

“As pessoas acham que o heavy metal surgiu da noite para o dia, mas foram necessários quase dez anos inteiros para que o gênero ganhasse força de verdade. No início, tudo era muito eclético — basta olhar para o ‘Top of the Pops’ daquela época: em uma semana, Helen Shapiro; na seguinte, Cream ou Jimi Hendrix! Era tudo música pop, até mesmo o blues. Ninguém dizia ‘não vou ouvir isso porque é heavy metal’ ou qualquer coisa do tipo. Era uma grande cena eclética. ‘Dying To Meet You’ é uma extensão disso — a música realmente mostra a versatilidade da banda, com passagens suaves, trechos rápidos, alternância entre momentos tranquilos e intensos, além de rock, funk e jazz em uma única canção!”

“Dissident Aggressor” (“Sin After Sin”, 1977)

“‘Dissident Aggressor’ deve muito à bateria de Simon Phillips, que assumiu o posto depois que Alan [Moore, baterista] saiu. As partes de bateria dele são fundamentais para a faixa — são muito enxutas. Embora seja apenas uma música básica de rock, que ficou pronta em cerca de vinte minutos, ela tem uma sonoridade crua de rock que é fenomenal. O riff é selvagem; adoro tocá-lo ao vivo e fazer com que seja enfiado goela abaixo do público — é ótimo! A plateia também adora, mas, obviamente, quando lançamos álbuns novos, algumas músicas acabam ficando de lado. Essa já saiu e voltou ao repertório algumas vezes ao longo dos anos.”

“Better By You, Better Than Me” (“Stained Class”, 1978)

“‘Better By You, Better Than Me’ nos causou muitos problemas anos depois, quando fomos parar na Justiça por causa de supostas mensagens subliminares. Achamos que era brincadeira quando alguém nos contou pela primeira vez. Na vez seguinte em que nos demos conta, estávamos em um avião rumo a Reno, para comparecer ao tribunal, enquanto toda aquela gente se reunia do lado de fora, segurando cartazes e entoando palavras de ordem. Os advogados deles também eram bons — houve momentos em que pensamos que talvez nós realmente tivéssemos feito aquilo! Para piorar, a música só entrou no disco porque a CBS, nossa gravadora na época, pediu que a incluíssemos depois que as gravações já haviam sido concluídas. E, no fim das contas, ela nem sequer foi lançada como single!”

“The Rage” (“British Steel”, 1980)

“‘The Rage’ tem algo bastante raro para nós… uma introdução com baixo! É outra música que demonstra nossa versatilidade, com aquela abertura em ritmo de reggae antes de desembocar em uma balada épica, meio power ballad. São quase dois estilos musicais completamente diferentes. A ideia surgiu quando Ken [K.K. Downing, guitarra] ou Glenn [Tipton, guitarras] me pediu para colocar algo fora do ritmo por cima, e foi aquilo que criei. Enquanto isso, Dave [Holland, bateria] acrescentou aquela batida de ‘tchaca-tchaca’ sobre as guitarras. Tudo ficou definido durante a fase de ‘British Steel’ — nosso som, nossa imagem e assim por diante —, e isso basicamente nos colocou no caminho que nos levaria diretamente a ‘Defenders Of The Faith’.”

“You’ve Got Another Thing Comin’” (“Screaming For Vengeance”, 1982)

“‘You’ve Got Another Thing Comin’’ foi basicamente a música que nos fez estourar nas rádios — na Europa, nos Estados Unidos, no Japão… onde quer que você imagine, estavam tocando essa música sem parar. A turnê que estávamos organizando naquela época teve de ser descartada para que pudéssemos reservar espaços maiores. Acho que é a única música do Priest que tocou em rádios AM, e ela contribuiu enormemente para nos fazer estourar nos Estados Unidos. Alcançamos segurança financeira e sentimos um enorme alívio ao perceber que poderíamos dedicar mais tempo a aperfeiçoar as coisas entre um disco e outro.”

“Freewheel Burning” (“Defenders Of The Faith”, 1984)

“‘Freewheel Burning’ atinge a velocidade máxima logo no começo e permanece assim até o fim! Estávamos gravando em Miami e acabamos dando uma festa gigantesca com [o produtor] Tom Allom. Minha lembrança mais marcante é Tom sentado ao piano, tocando ‘Freewheel Burning’, fazendo caretas e gritando ‘Freewheel Gurning’! Talvez fosse preciso estar lá para entender… Naquela época, chegamos muito perto de nos tornar uma moda passageira, e o problema das modas é que, mais cedo ou mais tarde, elas saem de cena. Ainda assim, foi uma época ótima — alguns dos shows que fizemos eram absolutamente gigantescos; chegávamos a tocar para até 20 mil pessoas por noite.”

“Painkiller” (“Painkiller”, 1990)

“Não dá para fazer uma lista de músicas do Priest sem incluir ‘Painkiller’. Scott Travis [bateria] abriu novos caminhos para nós com seu trabalho mais veloz no bumbo, algo que Dave — Deus o abençoe — realmente não era capaz de fazer. Scott é um dos melhores bateristas de heavy metal do mundo e, mesmo hoje, parece ficar cada vez melhor. ‘Painkiller’ definiu nossa nova direção, embora eu ache, para ser sincero, que poderíamos ter evitado a saída de Rob [Halford, vocais] se tivéssemos lidado com as coisas de maneira um pouco diferente. Mas o que aconteceu, aconteceu. Ainda assim, foi uma pena.”

“Judas Rising” (“Angel of Retribution”, 2005)

“Escrevemos algumas músicas ótimas com Ripper [Tim Owens, vocalista do Priest entre 1996 e 2003], que é um vocalista extraordinário, mas, quando você tenta escolher apenas dez músicas, é impossível destacar algumas delas! As pessoas ficaram muito empolgadas quando Rob voltou para ‘Angel of Retribution’, e aquele era realmente o lugar a que ele pertencia. Voltar ao estúdio pareceu algo tão natural quanto calçar uma luva velha. ‘Judas Rising’ é a primeira música do álbum — e que maneira de voltar! Tocamos a faixa novamente em turnê recente e as pessoas ficaram surpresas com o quanto ela continua poderosa.”

“Halls Of Valhalla” (“Redeemer of Souls”, 2014)

“Ken decidiu se aposentar antes de ‘Redeemer Of Souls’, mas, felizmente, encontramos um ótimo guitarrista em Richie Faulkner. Assim que o ouvimos tocar, não houve mais dúvida — algumas das coisas que ele fez em ‘Redeemer…’ são extraordinárias, e ‘Halls Of Valhalla’ se destaca como uma obra de produção realmente brilhante. Tenho lembranças muito boas de tocar essa música ao vivo. Olhava para os bastidores e via nossa equipe inteira sentada em fila, fingindo remar! Morri de rir com aquilo, mas a música é grandiosa demais, e adoro tê-la no repertório.”

“Guardians” / “Rising from Ruins” (“Firepower”, 2018)

“Sinceramente, eu poderia ter incluído o álbum inteiro ‘Firepower’. Sei que as pessoas costumam dizer que seu álbum mais recente é o melhor, mas realmente acho que esse é o melhor disco que já fizemos, o ápice de tudo o que temos feito há mais de 50 anos. A combinação de ‘Guardians’ como introdução para ‘Rising From Ruins’ parece muito apropriada depois de tudo o que vivemos com a pandemia, mas também é uma construção musical épica, que facilmente poderia ter feito parte de um filme — especialmente com aquele trecho de piano que abre a sequência. Acho que isso transmite uma mensagem enorme sobre quem somos hoje e sobre quem sempre fomos.”

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Augusto Ikeda
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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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