Espólio de Brent Hinds esclarece processo contra Mastodon

Representantes do falecido guitarrista entraram com uma ação judicial por uso indevido da imagem do músico e pagamentos incorretos

Como noticiado anteriormente, o espólio de Brent Hinds entrou com uma ação judicial contra o Mastodon. Conforme publicado pelo The Atlanta Journal-Constitution, os representantes do falecido guitarrista, membro da formação entre 2000 e 2025, alegam que o músico não recebeu pagamentos corretos referentes à sua participação no grupo e que sua imagem está sendo usada de maneira indevida.   

Em comunicado nas redes sociais, a banda apenas descreveu as acusações como “de má-fé” e “sem fundamento”. Também afirmou que não pretende continuar tratando do assunto publicamente por considerar que isso seria um desrespeito “à memória de Brent”. 

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Diante da repercussão e dos comentários, o espólio do músico resolveu emitir uma declaração a respeito do processo e a motivação por trás da atitude. Segundo a Guitar.com, em nota, os envolvidos, primeiramente, negaram os boatos de que entraram na Justiça somente para ganhar uma compensação financeira, escrevendo:

“Infelizmente, a discussão pública tem se concentrado principalmente no uso da imagem de Brent pelo Mastodon na arte do novo álbum e, às vezes, tem colocado o processo como uma tentativa da família de obter um ganho financeiro. Não é disso que se trata o processo.”

De acordo com o espólio, a questão é que o próprio Brent havia solicitado um levantamento de contas antes de falecer. No caso, a sondagem não chegou a ser concluída e o artista não recebeu qualquer pagamento:

“Depois que Brent deixou o Mastodon, ele solicitou um levantamento das contas, uma avaliação e a separação formal das participações que mantinha em empresas pertencentes aos membros fundadores. Ele morreu antes que esse processo fosse concluído. Brent ainda não havia recebido qualquer pagamento referente a essas participações.”

Brent Hinds continua “relevante para a marca Mastodon”

Os representantes também destacam que Brent continua “relevante para a marca Mastodon”, mesmo que o grupo “negue a relevância contínua de suas contribuições” no campo dos negócios:

“Os integrantes remanescentes afirmam que Brent não participou do novo álbum do Mastodon, mas a banda decidiu usar uma imagem dele para divulgar o disco e fez isso sem o consentimento do espólio. Isso demonstra que Brent continua relevante para a marca Mastodon mesmo após seu afastamento e sua morte. O espólio sustenta que a banda não pode recorrer à identidade de Brent quando isso é comercialmente conveniente e, ao mesmo tempo, negar a relevância contínua de suas contribuições quando se trata da prestação de contas sobre suas participações.”

Por fim, o texto conclui:

“O processo não pede que ninguém tome partido ou diminua o que Brent e seus companheiros de banda criaram juntos. Também não pede que o público julgue o luto ou as intenções de ninguém.”

Os detalhes do processo

Como relatado e compartilhado pelo Blabbermouth, o Mastodon teria enviado um cheque de US$ 80 mil ao espólio de Hinds como proposta de pagamento pelos direitos que o guitarrista ainda detinha na banda e nas companhias ligadas ao grupo. O problema é que o valor teria sido oferecido com base em um documento enviado para o instrumentista anunciando a compra de sua parte, sendo que o músico não assinou o acordo. 

Por isso, o espólio aguarda uma prestação de contas que deverá determinar quanto Hinds efetivamente tinha direito a receber pelos negócios. Não há nenhuma quantia especificada.

Além disso, o espólio argumenta que Mastodon utilizou a imagem de Brent indevidamente para promover o recém-lançado álbum “Marrow Deep”, disponibilizado no último dia 28 de agosto. No caso, a capa do disco traz o rosto do instrumentista, assim como o de Michele Jeanne Lawrence, mãe do baterista e vocalista Brann Dailor, que também morreu em 2025, sutilmente escondido. 

Por fim, a ação ainda critica especificamente Troy Sanders, baixista e vocalista, e Bill Kelliher, guitarrista, por revelarem informações pessoais a respeito de Hinds no especial “The Mastodon In The Room” — liberado em julho no YouTube. No documentário, os membros sugerem que o guitarrista deixou a formação por problemas com abuso de substâncias, informação, que, de acordo com o declarado, “souberam em caráter confidencial, eram detalhes que Brent decidiu manter em sigilo enquanto estava vivo”.

A morte de Brent Hinds

No dia 20 de agosto do ano passado, Brent Hinds, ex-guitarrista e vocalista do Mastodon, morreu aos 51 anos. Segundo divulgado, o músico sofreu um acidente fatal de moto em Atlanta, nos Estados Unidos, depois que a motorista de uma BMW SUV não teria cedido a passagem ao fazer uma curva em um cruzamento. 

Como compartilhado pelo Blabbermouth, a motorista em questão permaneceu no local depois da colisão e afirmou à polícia que tinha “certeza de que o sinal estava verde” quando fez a curva e atingiu o músico — versão contestada por uma testemunha, que declarou que o semáforo estava vermelho. 

Uma pessoa que chamou as autoridades e estava “dois carros atrás” alegou ter visto o músico “voando no ar” e “girando algumas vezes” antes de cair com o impacto. De acordo com a descrição, parecia “que a perna esquerda dele se cruzou sobre a direita”. Já outras duas testemunhas disseram que o artista conduzia a moto “em alta velocidade” no momento do acidente. Brent foi encontrado inconsciente pelos policiais que atenderam a ocorrência por volta das 23h35 no horário da região.

Poucos meses antes, em março de 2025, o Mastodon anunciou ter rompido com o artista em uma “decisão mútua”. Um comunicado destacou:

“Amigos e fãs, depois de 25 anos monumentais juntos, Mastodon e Brent Hinds decidiram mutuamente se separar. Estamos profundamente orgulhosos e extremamente gratos pela música e história que compartilhamos e desejamos a ele nada além de sucesso e felicidade em seus empreendimentos futuros.”

Nos meses seguintes, Hinds — que foi substituído em shows por Ben Eller — fez uma série de críticas aos ex-colegas. Na mais recente, disse que os antigos parceiros não conseguiam cantar afinados e afirmou ter sido expulso da banda.

“Minha guitarra soa ótima [em um vídeo nas redes], mas Troy [Sanders] e Prawn [aparentemente Brann Dailor] soam absolutamente horríveis. Eles estão completamente fora de tom. É constrangedor. Me expulsaram da banda por envergonhá-los por ser quem eu sou, mas e quanto a quem eles são? São duas pessoas que não conseguem cantar… juntos, ao vivo ou em qualquer outro lugar do mundo. Tudo o que eles tentam cantar no estúdio é manipulado por AutoTune porque eles são incapazes de cantar afinados. Que se f#d@m esses caras, só eu sei quem eles realmente são. Eles são os maiores fãs de si mesmos… nunca vi ninguém na minha vida se olhar no espelho mais do que Troy Sanders. Ele acha que é um presente de Deus para qualquer coisa. Nunca conheci três pessoas tão cheias de si. É nojento.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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