Zak Starkey saiu em definitivo do The Who em maio do ano passado. Membro desde 1996, o baterista havia sido tirado da banda no mês anterior após um desentendimento com o vocalista Roger Daltrey, mas acabou recontratado e, então, demitido novamente e substituído por Scott Devours.
Pouco depois, apesar das mágoas, o músico deixou em aberto a possibilidade de colaborar com os ex-colegas novamente. À época, numa postagem do Instagram, o filho de Ringo Starr declarou:
“Tive uma ótima conversa por telefone com o Roger no fim da semana passada, que realmente deixou nós dois completamente confusos. Rog disse que eu não tinha sido ‘demitido’ e, sim, que eu tinha sido ‘aposentado’ para trabalhar nos meus próprios projetos. Expliquei para o Rog que acabei de passar quase oito semanas no meu estúdio na Jamaica finalizando esses projetos, que meu grupo Mantra of the Cosmos lançaria um single no começo de junho e, depois que isso tivesse sido finalizado (geralmente em 5/6 semanas), eu estaria completamente disponível num futuro próximo. Rog disse ‘ah!’ e meio que deixamos por isso mesmo. Estamos em bons termos e continuamos grandes amigos, como sempre fomos.”
Agora, Starkey, de fato, voltou a tocar com o The Who. Na última quarta-feira (26), durante uma apresentação solo em Las Vegas, nos Estados Unidos, Daltrey revelou que o grupo vinha ensaiando com o ex-integrante e que estavam “soando ótimos”.
Então, na última sexta-feira (28), o baterista compartilhou a notícia e, sem entrar em detalhes, confirmou a informação. Ele escreveu:
“Estou ansioso para cair na estrada e fazer aquela bagunça com o The Who novamente. Nosso ensaio foi ótimo. Não acho que já tenhamos ensaiado com tanta intensidade assim… Normalmente, tomamos chá e ficamos conversando sobre que horas vamos para casa! Vocais fantásticos de Roger na música ‘Certified Rose’.”
Por enquanto, The Who não tem nenhum compromisso agendado. A última apresentação aconteceu em outubro do ano passado.
Demissão de Zak Starkey
No dia 15 de abril do ano passado, veio à tona a notícia de que The Who havia demitido o baterista Zak Starkey após quase três décadas. Rumores a respeito dos possíveis motivos começaram a ganhar repercussão na internet, até que, no dia 19, o grupo voltou atrás e confirmou que o músico continuava na formação.
De início, circulava o boato de que o desligamento do artista teria ocorrido por causa de um desempenho aquém do esperado, além de erros, nas apresentações realizadas no Royal Albert Hall, em Londres, na Inglaterra, no fim de março. Segundo uma fonte ao The Mirror, a situação nos bastidores teria sido “um pouco tensa, para dizer o mínimo”.
Um vídeo da performance de “The Song is Over” mostrava Roger Daltrey irritado por não conseguir ouvir o tom em seu retorno por causa da bateria. Diante do momento, e até mesmo de uma postagem irônica de Zak, o vocalista foi atribuído como o responsável pela decisão.
Por meio de um longo texto publicado nas redes sociais no dia 19 de abril, Pete Townshend comunicou o retorno de Zak Starkey. E explicou o motivo.
Segundo o guitarrista, de fato houve “problemas de comunicação” e um certo desconforto com o estilo de tocar que Zak vinha adotando desde o fim da turnê com orquestra “The Who Hits Back!” em 2023 — questões que, em suas palavras, já foram resolvidas. Ele também reconheceu que o baterista “cometeu alguns erros” nas apresentações mais recentes, mas deixou claro que ambos os lados conversaram a respeito, e assumiu a culpa pelo pouco tempo de ensaio para os espetáculos.
Diz a primeira parte da postagem:
“Zak não vai deixar o The Who. Houve alguns problemas de comunicação, pessoais e privados de todos os lados, que precisavam ser resolvidos, e isso foi feito da melhor maneira. Roger e eu gostaríamos que Zak ajustasse um pouco seu estilo de bateria mais recente, que evoluiu, para se adequar à nossa performance sem orquestra e ele concordou prontamente. Eu assumo a responsabilidade por parte da confusão. Nossos shows do Teenage Cancer Trust no Royal Albert Hall foram um pouco complicados pra mim. Achei que quatro semanas e meia seriam tempo suficiente para me recuperar completamente de um problema no joelho e eu estava errado. Talvez não tenhamos dedicado tempo suficiente às passagens de som, o que causou problemas no palco. É sempre mais difícil de lidar com o som no centro do palco. Roger não fez nada de errado, só tentou ajustar seu retorno in-ear. Zak cometeu alguns erros e pediu desculpas. Ainda que com [um vídeo de] um pato de borracha.”
Em seguida, Pete destacou que todos são uma “família” e que iriam seguir em frente “com otimismo e fogo no coração”. Por fim, mencionou o falso boato de que Scott Devours, colaborador de Daltrey que já excursionou com o The Who, iria substituir Zak e pediu desculpas ao colega de profissão pela confusão:
“Somos uma família. Isso tudo explodiu muito rápido e recebeu atenção demais. Já passou. Seguimos em frente agora com otimismo e fogo no coração. Quanto ao Roger, os fãs podem curtir seus próximos shows solo com seu baterista incrível, Scott Devours — sobre quem circularam boatos de que poderia substituir Zak no The Who —, e que sempre foi um grande apoiador da banda. Devo um pedido de desculpas ao Scott por não ter desmentido esse boato antes que ele se espalhasse. Ele ficou magoado com isso. Prometo pagar uma bebida bem grande pra ele e dar um abraço.”
Só que, pouco depois, o grupo confirmou que o músico estava novamente fora. Uma nota assinada por Roger e por Townshend afirmou que, diante da turnê de despedida “The Song is Over – The North American Farewell Tour” e do desejo de aposentadoria para um futuro próximo, a melhor solução era dispensar Zak, que “tem um grande futuro pela frente com sua nova banda e outros projetos empolgantes. Ele precisa dedicar toda a sua energia para que tudo isso seja um sucesso”.
Num primeiro momento, o filho de Ringo Starr não acatou a justificativa. Em postagem nas redes sociais, o músico deixou claro que a decisão não partiu de sua parte – embora o grupo preferisse que essa fosse a versão divulgada – e que era plenamente capaz de conciliar os projetos paralelos com a posição de baterista na formação:
“Fui demitido duas semanas após minha reintegração e me pediram para fazer uma declaração dizendo que havia deixado The Who para seguir meus outros projetos musicais. Isso seria mentira. Eu amo The Who e nunca teria saído. Então, não fiz a declaração. Sair do The Who também teria decepcionado as inúmeras pessoas incríveis que me apoiaram (obrigado a todos um milhão de vezes e mais) durante as semanas de caos em que eu entrava e saía, entrava e saía, entrava e saía como uma caixa de compressão. Para esclarecer sobre ‘outros projetos’: sim, eu tenho outros projetos – e sempre tive. O The Who tem feito turnês de forma esporádica ou mínima na maioria dos anos, com exceção de duas turnês extensas em 2000 e 2006/2007 […]. sempre houve tempo para outros projetos. De 2022 até agora, estou com o Mantra of the Cosmos, junto com Shaun Ryder, Bez, Andy Bell e NG. Lançamos alguns singles, mas não fizemos turnê porque os integrantes estão muito ocupados. Nada disso jamais interferiu com o The Who – e nunca foi um problema para eles.”
No entanto, depois, Zak pareceu ter compreendido melhor a postura dos antigos colegas. Por meio do Instagram, o músico contou que teve uma conversa por telefone com Roger, na qual os dois conseguiram esclarecer as coisas. Segundo ele, o vocalista não tinha a intenção de “demiti-lo” do The Who, apenas de “aposentá-lo”.
Sobre Zak Starkey
Filho de Ringo Starr, Zak Starkey juntou-se ao The Who em 1996, durante turnê celebrando o álbum “Quadrophenia” (1973), e acabou permanecendo na formação por mais tempo do que o saudoso Keith Moon. Além do trabalho na banda, o artista é conhecido por integrar o grupo indie Mantra of the Cosmos e por ter sido baterista do Oasis entre 2004 e 2009, substituindo Alan White.
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