Fernanda Lira detalha hate sofrido online: “criam pornô com você nas redes”

Vocalista e baixista da Crypta desabafou a respeito do tema e revelou como situação afeta até mesmo seus amigos e sua família

Fernanda Lira frequentemente lida com o ódio nas redes sociais. Seja por posições políticas, pela aparência ou por escolhas na vida pessoal, a vocalista e baixista da Crypta costuma receber muitos ataques na internet. 

Durante entrevista a Felipe Ernani para o TMDQA, o assunto foi abordado em detalhes. Ao entrar no tópico, a musicista opinou que qualquer pessoa em posição de destaque acaba virando um alvo de críticas, mas a situação é ainda mais complicada para mulheres em um meio predominantemente masculino:

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“É preciso entender que qualquer pessoa que estiver em destaque vai receber hate. Quando essa pessoa é uma mulher, o hate dobra. Ainda mais quando é uma figura pública que é uma mulher em um meio historicamente predominantemente masculino, e ainda mais quando é uma pessoa que, além de tudo isso, ainda dá uma desafiada na norma. E eu não faço de propósito! Eu uso rosa, eu sou de esquerda… é quem eu sou, gente, o que eu posso fazer? Eu nasci assim, cresci assim. Só que é isso: é vegana, não bebe… isso é diferente do estereótipo, da norma ‘não-oficializada’ mas muito vigente do Metal.”

Fernanda não esconde as dificuldades de enfrentar a situação. Até mesmo porque, em suas palavras, os comentários vão além e envolvem teorias, ofensas e criação de material pornográfico, com o intuito de atingi-la:

“Ainda estou no processo de separar quem eu sou, a Fernanda Lira que está aqui com meus amigos, e quem sou como Fernanda Lira que as pessoas criaram no imaginário delas. Aí eu entendi que o hate que eu recebo é por conta dessas várias camadas de exposição e de personalidade, de transparência. Não é fácil. Não vou falar que é fácil. Não é facil. Você vê muita gente que não te conhece, que você nunca fez nada, que você nunca viu, criando teorias sobre você, te xingando, ofendendo, criando material pornográfico com você nas redes, porque isso existe, e é uma coisa que eu vou falar mais com o tempo.”

Situação também afeta família e amigos

Segundo a artista, isso também acaba afetando sua família e amigos. Ela concluiu:

“Eu não sou esse monstro, sabe? Acho que qualquer pessoa que recebesse esses comentários… poxa, os meus amigos, familiares, companheiros, veem ali o que falam e todo mundo fica mal junto comigo porque é complicado, é pesado. Não é só tipo, ‘ela é chata, feia e boba’. Eu já recebi ameaça de morte. Não é fácil. Mas eu aprendi a separar, entender por que existe esse hate, entender que a pessoa com um destaque vai estar ali e, quando é mulher, é pior ainda. Mulher que se posiciona, então, pior ainda.”

Como Fernanda Lira lida com o ódio na internet

Por mais que não se cale diante dos comentários, Fernanda Lira confessa que tem dificuldade em lidar com todo o ódio recebido na internet. Ao mencionar o tópico durante entrevista ao canal L’Ma3adine – The Metalheads (via Whiplash) no ano passado, ela trouxe o seguinte relato: 

“Eu recebo muito ódio na internet. Se começasse a contar o tipo de ódio que recebo, você não acreditaria. Acho que é algo com que ainda tenho dificuldade em lidar, porque tem muitas pessoas dizendo coisas horríveis sobre mim e são pessoas que não me conhecem. Não estou dizendo que sou um anjo, mas definitivamente não sou a pessoa horrível que pintam que sou.” 

Lira chorou em certos casos e desabafou a respeito com pessoas próximas. Com o tempo, porém, a artista chegou à conclusão do motivo por trás de tantos ataques: sua autenticidade.

“Quando meus amigos conversam comigo sobre isso, quando eu desabafo sobre isso, todos dizem tipo: ‘você recebe ódio porque é autêntica, porque você está sendo você mesma’. E tantas vezes eu me lembro de chorar no meu quarto, pensando: ‘por que estou recebendo tanto ódio por ser eu mesma?’.”

Para a frontwoman, o hate é fruto do capitalismo e da configuração da sociedade presa aos estereótipos. Sendo assim, apesar das consequências difíceis, a cantora enxerga a própria postura com orgulho: 

“Não falo para criar polêmica. Falo porque isso sou eu. É como me sinto, é minha personalidade. Se minha personalidade está fazendo as pessoas sentirem algo a meu respeito, tem algo aí. Sei que hoje vivemos em uma sociedade com medo de autenticidade. A sociedade, o capitalismo, tudo que comanda o mundo agora quer que você seja gado, que vai tolerar tudo e vai seguir todas as regras e todos os estereótipos. Se, no meu caso, sou odiada ou chamada de poser por ser quem sou, e sou alguém que desafia estereótipos, o sistema e as normas, então estou feliz em ser eu mesma.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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