Em setembro de 2024, o Angra anunciou que entraria em um hiato “de dois a três anos” depois que concluísse a turnê em celebração às duas décadas de “Temple of Shadows” (2004). Contudo, na prática, a pausa não durou nem mesmo um ano completo.
No último mês de novembro, poucos meses após o término da excursão em agosto, o grupo divulgou a saída do vocalista Fabio Lione, a substituição por Alírio Netto e um show de reunião com a formação do “Rebirth” (2001) no Bangers Open Air. Aos poucos, a agenda foi aumentando e, em março, os músicos confirmaram que voltaram completamente às atividades.
Rafael Bittencourt garante que, apesar de curto, o hiato de sete meses não foi uma jogada de marketing e a ideia inicial era, de fato, passar mais tempo longe da estrada. O assunto surgiu durante entrevista ao podcast Flow, transcrita pela RockBizz.
O membro fundador explicou que partiu dele o pedido para uma pausa, já que precisava de um descanso diante do ritmo intenso desde a pandemia. Contudo, com a proposta para tocar no Bangers, precisou reavaliar o cenário:
“Eu tinha proposto um hiato, um tempo fora. Eu precisava! Completei um ciclo com ‘Cycles of Pain’, fizemos um acústico, turnê do ‘Temple of Shadows’, então foi um batidão saindo da pandemia. Quando finalmente tinha conseguido o hiato, veio essa proposta de fazer um show de reunião de uma formação apelidada de Nova Era, que é a formação do ‘Rebirth’ [no Bangers Open Air].”
Ainda assim, o guitarrista permanece querendo um hiato no futuro. Em suas palavras, “é uma necessidade”:
“Eu permaneço com o sonho do hiato. O hiato é um sonho, meu sonho. Eu estou pedindo faz tempo esse hiato. Eu preciso dele. Não é falácia, não é estratégia de marketing, é uma necessidade”.
Ao Ibagenscast no ano passado, Marcelo Barbosa declarou que Bittencourt vinha solicitando uma pausa há tempos. De acordo com o guitarrista, o membro fundador chegou até a sugerir que o Angra continuasse tocando sem ele para não prejudicar os colegas— uma ideia considerada absurda pelos demais integrantes:
“O Angra tem um ritmo de trabalho muito intenso e tava todo mundo muito cansado mesmo. No final das contas, eu acho que isso é uma coisa que partiu muito mais do Rafael. Ele já vem falando em dar um tempo já faz tempo, ele tem estado cansado também. O Rafa sempre fala assim, ele até já disse: ‘se vocês quiserem fazer umas turnês sem mim, põe um outro cara aí e faz’. Mas como é que faz sem o Rafa? O cara que compôs as músicas! É viagem, né?”
Mais tarde, em junho de 2025, Bittencourt abordou o tema em seu podcast Amplifica. À época, o músico contou que queria focar em outros projetos no período afastado do Angra:
“Tenho o Bittencourt Project, que está em uma gaveta. O Amplifica é o que mais demanda hoje em dia. Também tenho um projeto de música infantil, que eu quero dar mais força. Ainda há collabs com outros artistas. São várias coisas que quero fazer e, se não for agora que ainda tenho pique, não vai ser nunca. E eu não quero transformar esses planos em frustrações […]. Alguns não queriam parar, discordam, achavam que esse não era o momento, pois estávamos fazendo shows no Japão, recuperando o prestígio. Eu já queria há um tempo, pois foram muitas mudanças e revoluções dentro da banda que foram muito duras. E eu fui resiliente para manter o legado. Nunca quis parar em momentos de dificuldade, como troca de formação ou brigas. Agora, que as coisas estão harmonizadas, acho perfeito para parar.”
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