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Yngwie Malmsteen prega apenas para os seus no Monsters of Rock 2026

Em show morno, guitarrista sueco limitou-se a oferecer sua inigualável destreza e raros momentos realmente envolventes

Às 13h40 de sábado (4), posicionado na grade à frente da mesa de som, este escriba notou o caminhar decidido de um casal de meia idade, parando a meio metro de distância para cumprimentar um profissional da empresa responsável pelo som do Monsters of Rock 2026. Foi inevitável reparar numa frase do técnico em questão sobre o palco de Yngwie Malmsteen: “Estão vendo aquela parede de Marshalls? Tudo falsa… O que funciona mesmo ali fica embaixo do palco”.

Tal recurso visual enganaria plateias na década de 1980. Manter algo assim vai da teimosia à desconexão da realidade. Não é questão de pegar no pé do exímio e revolucionário guitarrista, mas sua última vinda a São Paulo, em 2022, já havia sido controversa, com bandas de abertura acusando-o de vetar seus shows. Desta vez, não houve relato negativo — a não ser sobre o show.

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Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Começar o tiroteio de notas com “Rising Force” foi escolha certeira, ainda que não tocada por inteiro, expediente que se tornou padrão observado nas duas próximas: “Top Down, Foot Down” e “No Rest for the Wicked”, ambas de “World on Fire” (2016). Para maximizar o número de músicas, a opção foi essa mesmo: adotar a execução de excertos, de modo similar ao material encontrado em “Tokyo Live” (2025).

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Houve momentos em que Malmsteen cantou, como em: “Soldier”, “Relentless Fury”, “Fire and Ice” e “Smoke on the Water” – sim, a do Deep Purple. Ao vê-la no setlist abaixo, bem como “Bohemian Rhapsody”, não pense em versões completas, mas reduzidas. A do Queen, por exemplo, foi praticamente uma “outro” para “Far Beyond the Sun”, primeira efetivamente tocada na íntegra e chegando a meia hora no relógio.

“Wolves at the Door” também contou com a voz do sueco, porém com suporte do tecladista Nick Marino e do baixista Emi Martinez, formando outra “parede”, desta vez interessante e vocal. Já “Rising Force” e “I’ll See The Light Tonight”, exatamente a primeira e a última da tarde, trouxeram vocais exclusivos de Nick, ainda que a primeira tenha tido apenas as duas primeiras estrofes cantadas.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Não houve intercorrências intempestivas ao longo do repertório. O guitarrista mostrou-se à vontade, até sorriu e fez brincadeiras, como arremessar a guitarra de costas a um roadie ao encerrar seu solo (sim, além dos solos nas músicas, teve um “solo só dele” perto do fim). Ao despedir-se, estava feliz: “Muito obrigado! Obrigado! Amo vocês. Até a próxima”, completados por mais quatro “Obrigados” e um “Boa noite”, de “Good night” do inglês mesmo, às 14h45.

Enfim, em meio à chuva de notas (água mesmo cairia só no início da apresentação do Extreme), faltou conexão e as pessoas percebem. A sensação contínua de pé no freio permaneceu mesmo com Malmsteen e banda detonando no palco.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Rumo ao metrô Barra Funda ao fim da noite — e começando a se sentir um bisbilhoteiro —, este repórter pegou outro trecho de conversa na rua. Uma garota disse a um amigo, ambos na casa dos vinte e muitos anos: “Gostei daquela mina cantando. Não conhecia, mas vou tentar ouvir mais”. De fato, Lzzy Hale, única vocalista do evento todo, arrebentou como sempre. É inviável imaginar alguém indo embora, na mesma situação, afirmando: “Gostei daquele guitarrista tocando. Não conhecia, mas vou tentar ouvir mais”.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Nenhum fã é obrigado a conhecer todo o lineup de um festival e é comum haver saborosas descobertas ao mirar numa determinada atração e acertar em cheio em outra. Porém, mediante o que demonstrou, Yngwie Malmsteen só pregou para seus próprios fiéis. Muito pouco para quem já ofereceu tanto, em especial nas décadas de 1980 e 1990.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Repertório — Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026

  1. Rising Force
  2. Top Down, Foot Down
  3. No Rest For The Wicked
  4. Soldier
  5. Into Valhalla
  6. Baroque & Roll
  7. Relentless Fury
  8. Now Your Ships Are Burned
  9. Wolves At The Door
  10. Paganini’s 4th
  11. Adagio
  12. Far Beyond The Sun
  13. Bohemian Rhapsody [Queen]
  14. Fire And Ice
  15. Evil Eye
  16. Smoke On The Water [Deep Purple]
  17. Trilogy (Vengeance)
  18. Badinere
  19. Solo de guitarra
  20. Black Star
  21. I’ll See The Light Tonight
Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

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