Às 13h40 de sábado (4), posicionado na grade à frente da mesa de som, este escriba notou o caminhar decidido de um casal de meia idade, parando a meio metro de distância para cumprimentar um profissional da empresa responsável pelo som do Monsters of Rock 2026. Foi inevitável reparar numa frase do técnico em questão sobre o palco de Yngwie Malmsteen: “Estão vendo aquela parede de Marshalls? Tudo falsa… O que funciona mesmo ali fica embaixo do palco”.
Tal recurso visual enganaria plateias na década de 1980. Manter algo assim vai da teimosia à desconexão da realidade. Não é questão de pegar no pé do exímio e revolucionário guitarrista, mas sua última vinda a São Paulo, em 2022, já havia sido controversa, com bandas de abertura acusando-o de vetar seus shows. Desta vez, não houve relato negativo — a não ser sobre o show.

Começar o tiroteio de notas com “Rising Force” foi escolha certeira, ainda que não tocada por inteiro, expediente que se tornou padrão observado nas duas próximas: “Top Down, Foot Down” e “No Rest for the Wicked”, ambas de “World on Fire” (2016). Para maximizar o número de músicas, a opção foi essa mesmo: adotar a execução de excertos, de modo similar ao material encontrado em “Tokyo Live” (2025).

Houve momentos em que Malmsteen cantou, como em: “Soldier”, “Relentless Fury”, “Fire and Ice” e “Smoke on the Water” – sim, a do Deep Purple. Ao vê-la no setlist abaixo, bem como “Bohemian Rhapsody”, não pense em versões completas, mas reduzidas. A do Queen, por exemplo, foi praticamente uma “outro” para “Far Beyond the Sun”, primeira efetivamente tocada na íntegra e chegando a meia hora no relógio.
“Wolves at the Door” também contou com a voz do sueco, porém com suporte do tecladista Nick Marino e do baixista Emi Martinez, formando outra “parede”, desta vez interessante e vocal. Já “Rising Force” e “I’ll See The Light Tonight”, exatamente a primeira e a última da tarde, trouxeram vocais exclusivos de Nick, ainda que a primeira tenha tido apenas as duas primeiras estrofes cantadas.

Não houve intercorrências intempestivas ao longo do repertório. O guitarrista mostrou-se à vontade, até sorriu e fez brincadeiras, como arremessar a guitarra de costas a um roadie ao encerrar seu solo (sim, além dos solos nas músicas, teve um “solo só dele” perto do fim). Ao despedir-se, estava feliz: “Muito obrigado! Obrigado! Amo vocês. Até a próxima”, completados por mais quatro “Obrigados” e um “Boa noite”, de “Good night” do inglês mesmo, às 14h45.
Enfim, em meio à chuva de notas (água mesmo cairia só no início da apresentação do Extreme), faltou conexão e as pessoas percebem. A sensação contínua de pé no freio permaneceu mesmo com Malmsteen e banda detonando no palco.

Rumo ao metrô Barra Funda ao fim da noite — e começando a se sentir um bisbilhoteiro —, este repórter pegou outro trecho de conversa na rua. Uma garota disse a um amigo, ambos na casa dos vinte e muitos anos: “Gostei daquela mina cantando. Não conhecia, mas vou tentar ouvir mais”. De fato, Lzzy Hale, única vocalista do evento todo, arrebentou como sempre. É inviável imaginar alguém indo embora, na mesma situação, afirmando: “Gostei daquele guitarrista tocando. Não conhecia, mas vou tentar ouvir mais”.

Nenhum fã é obrigado a conhecer todo o lineup de um festival e é comum haver saborosas descobertas ao mirar numa determinada atração e acertar em cheio em outra. Porém, mediante o que demonstrou, Yngwie Malmsteen só pregou para seus próprios fiéis. Muito pouco para quem já ofereceu tanto, em especial nas décadas de 1980 e 1990.

Repertório — Yngwie Malmsteen no Monsters of Rock 2026
- Rising Force
- Top Down, Foot Down
- No Rest For The Wicked
- Soldier
- Into Valhalla
- Baroque & Roll
- Relentless Fury
- Now Your Ships Are Burned
- Wolves At The Door
- Paganini’s 4th
- Adagio
- Far Beyond The Sun
- Bohemian Rhapsody [Queen]
- Fire And Ice
- Evil Eye
- Smoke On The Water [Deep Purple]
- Trilogy (Vengeance)
- Badinere
- Solo de guitarra
- Black Star
- I’ll See The Light Tonight

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Mas que Reviewzinha mequetrefe e tendenciosa que escolheram pra postar aqui no Blog do Igor Miranda! Duvido que o próprio dono aqui do Portal iria se dignar a tratar um Artista com anos de carreira (e consequentemente aqueles que o acompanham à décadas) com tamanho desdém! Um sugestão: verifiquem melhor quem pode publicar aqui no Blog, para não virar uma seção fútil de opiniões pessoais, estilo revista de Fofoca
Yngwie Malmsteen sempre se julgou um Ritchie Blackmore da vida: inovador, criativo, técnico e encrenqueiro. Infelizmente apenas a parte do técnico e encrenqueiro são verdadeiras. Musicalmente, ele é aclamado por ter criado o shredding, que acabou sendo copiado por outros guitarristas. Agora dizer que ele criou o metal neoclássico é um pouco demais. Neoclássico foi criado 10 anos antes dele aparecer em cena. Lembro de uma entrevista do Ritchie no início dos anos 80 quando ele afirmou que Malmsteen era um dos melhores no que ele fazia porque conhecia as escalas. Na cabeça do Blackmore isso era um grande elogio. Uns anos depois ele se corrigiu, dizendo que a “técnica de Malmsteen é impressionante mas carece de alma”. Mais tarde ele voltou a criticar dizendo que “quando ele arrebentar todas as cordas exceto uma e tocar a mesma música usando apenas ela, aí então ficarei impressionado”. Acho que isso resume bem Yngwie Malmsteen
Graças a Deus ele tocou para os dele né !
Reportagem ridícula , concordo com o comentário a cima do Alisson
Haha acho q o Malmsteen é o guitarrista com mais haters da história. Ninguém fala q ele faz os vibratos mais insanos, só falam q ele toca muita nota.
Chato pra caralho