Como o machismo fez Polly Samson evitar envolvimento com o Pink Floyd

Escritora colaborou em composições do álbum “The Divison Bell” (1994), mas ficou receosa inicialmente quanto a receber os créditos

David Gilmour iniciou um namoro com a escritora Polly Samson em 1992. Dois anos mais tarde, em 1994, o eterno guitarrista do Pink Floyd casou-se com a companheira, com quem tem quatro filhos e permanece até hoje. Desde o começo, o relacionamento envolveu uma parceria profissional. 

Polly, por exemplo, coassinou algumas músicas de The Divison Bell, álbum lançado pelo Pink Floyd em 1994. Segundo a própria em entrevista à Uncut, sua colaboração veio por incentivo do marido quando passaram a morar juntos.

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Ela contou:

“A questão é que [o relacionamento] envolve a relação de David com as palavras. E se estende para sua primeira tentativa de me fazer compor letras para suas músicas. Tínhamos acabado de começar a morar juntos. Eu era uma mãe solteira que tinha acabado de contrair mononucleose [conhecida como doença do beijo], então David teve que cuidar de mim.”

À época, como a esposa estava doente, o músico trabalhava nas mixagens do disco e então voltava para casa para fazê-la companhia. Durante o período, trocavam ideias, e ela, mesmo com febre e acamada, dava sugestões:

“Ele murmuraria alguma música e eu diria: ‘bem, tem uma maneira melhor de cantar essa parte, seria melhor desse jeito aqui’. Ele anotava e então cantava para mim, até que eu dissesse: ‘não acho que isso funcione, você provavelmente deveria acrescentar aquela rima ali em vez de apenas uma palavra com três sílabas’. E foi assim.”

Receio com machismo

Porém, havia um certo receio por parte de Polly Samson quanto a colaborar com o Pink Floyd. Devido ao machismo presente na indústria da música, a escritora acreditava que não seria levada a sério, como também sofreria julgamentos. Por isso, em suas palavras, não queria receber os créditos pelas composições:

“É uma indústria dominada pelos homens. As mulheres têm sido vistas como ‘menininhas’ e ‘bobinhas’ e não como colaboradoras. Quando comecei a compor para David, eu só queria ser paga, mas não queria meu nome nos créditos, porque já conseguia sentir a misoginia antes mesmo que acontecesse. Implorei para que não me creditasse.”

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Mesmo assim, os créditos vieram. Os dois continuaram compondo juntos. Polly é citada como coautora nos álbuns solo “On an Island” (2006) e “Rattle That Lock” (2015), como também na faixa “Louder than Words”, presente no disco final do Pink Floyd, “The Endless River” (2014).

Polly Samson e David Gilmour

Entre 1975 e 1990, David Gilmour foi casado com outra mulher: a artista Virginia “Ginger” Hasenbein. Juntos, também tiveram quatro filhos.

Em contrapartida, no passado, Polly Samson viveu um relacionamento com o poeta e dramaturgo Heathcote Williams, de quem ficou grávida do filho Charlie. No entanto, o guitarrista do Pink Floyd assumiu a paternidade da criança.

Pink Floyd e “The Division Bell”

“The Division Bell” foi lançado em 28 de março de 1994. O título é uma referência aos sinos do parlamento do Reino Unido, que são tocados quando é o momento de uma votação. As letras lidam com o conceito da comunicação enquanto mecanismo para resolver diferenças.

Vendeu mais de 7 milhões de cópias em todo o mundo, tendo chegado ao topo de diversas paradas, incluindo Estados Unidos e Inglaterra. No Brasil, ganhou disco de platina.

As esculturas da capa, desenvolvidas pelo artista Storm Thorgerson, estão atualmente na sede do Rock and Roll Hall of Fame, em Cleveland, Estados Unidos.

A turnê foi vista por mais de 5 milhões de espectadores e rendeu o álbum/vídeo P.U.L.S.E. (1995), que trouxe a execução de “The Dark Side Of The Moon” (1973) na íntegra.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 22 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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