Como MTV e mentalidade “sexo vende” mataram o rock, segundo Chrissie Hynde

Líder do The Pretenders condenou a exploração exagerada da imagem feminina nos videoclipes

A MTV é fruto de suspiros saudosistas até de quem não acompanhou o canal em seu auge. Com possibilidades revolucionárias para o período em que este em alta, a emissora liderou todos os movimentos que ocuparam a linha de frente da indústria a partir dos anos 1980.

Porém, como sabemos, não há unanimidade. Chrissie Hynde, por exemplo, foi uma crítica contumaz de algumas posturas adotadas no período.

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A líder do Pretenders condena, especialmente, a hipersexualização das mulheres, especialmente na década onde os videoclipes se valeram do recurso à exaustão.

Ela disse à Classic Rock em 2016, conforme resgate do Far Out Magazine:

“Muitas garotas perceberam que sexo vende e se dariam bem se fizessem vídeos como se fossem pornôs leves, batendo e se esfregando em suas roupas íntimas. Isso tomou conta da indústria por anos. Então, você passa para outra geração, e as garotas que cresceram assistindo acham que isso as ‘empodera’.”

A imagem objetificante estava totalmente em desacordo com o espírito da revolução punk na qual Hynde se envolveu depois de se mudar para Londres em meados da década de 1970.

“Essa ideia de que tirar a roupa te empodera é bem esquisita. Eu não entendo. Para mim, o rock’n’roll sempre foi andrógino e irreverente. Você não estava tentando deixar alguém excitado, sabe?”

Sobrou espaço até para estabelecer uma comparação com o que Chrissie viu em terras inglesas.

“Na época em que Malcolm [McLaren] e Vivienne [Westwood] estavam usando esse estilo bondage, nós víamos como uma brincadeira com a sociedade conservadora. Dois dedos do meio para o establishment. Mas, então, a próxima geração perdeu o senso da ironia… tanto que agora música é apenas propaganda. As balizas de parâmetros não foram apenas movidas, mas sim completamente desmontadas e transferidas para outro planeta.”

Ronnie James Dio e a MTV

Outro crítico do canal musical era Ronnie James Dio. O cantor acusava a emissora de ter contribuído com a “morte” do heavy metal, após ter lucrado milhões com a divulgação do gênero. Durante entrevista em vídeo concedida na década de 2000 (via Rock and Roll Garage), ele disse:

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“A MTV matou o heavy metal. Você tinha que ter um videoclipe, o que é verdade, senão você estava condenado. E acho que todos nós odiamos isso. Aqueles que não cresceram na era do vídeo odiavam, porque tínhamos que nos transformar em algo que competia com uma coisa que não gostávamos. Havia as bandas de hair metal surgindo.”

Na visão de Dio, as bandas de glam metal da década de 1980 eram “apenas sobre como era o visual, a quantas festas os integrantes conseguiam ir e quantas garotas de 14 anos eles conseguiam pegar depois dos shows”.

“A música deles era uma porcaria. Destruíram o que o resto de nós havia criado. Todos eram colocados no mesmo lugar na MTV.”

Dando nome aos bois, o vocalista prosseguiu:

“Deveria haver uma placa dizendo: ‘o Poison matou tudo’. Esse tipo de banda realmente fez isso. Essas ‘coisas’ de sair e usar maquiagem, sabe. O que é isso? Não é metal. Desculpe, não é. Virou mais o mundo do Bon Jovi do que o mundo do Led Zeppelin. De repente, ninguém sabe o que é. Quando comecei, por sorte, era uma forma de música, um hard rock. De repente, você não é mais o que era.”

Inaugurada nos Estados Unidos em 1º de agosto de 1981 a MTV se tornou um expoente da cultura pop nas décadas posteriores, se valendo da música para influenciar o engajamento do jovem na sociedade. Embora tenha perdido a relevância em tempos recentes, segue sendo um símbolo importante no contexto histórico.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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