Nuno Bettencourt relembra convite negado para banda de Ozzy Osbourne

Guitarrista do Extreme enviou fita para o Madman na adolescência, mas abordagem veio apenas uma década depois

Quando Randy Rhoads morreu tragicamente, Ozzy Osbourne recorreu a Bernie Tormé (ex-Gillan) como substituto imediato. Após alguns shows, o britânico deu lugar a Brad Gillis (Night Ranger). A vaga só seria ocupada de forma mais concreta um ano depois, quando Jake E. Lee se tornou o titular das seis cordas.

Nesse período, um jovem português radicado nos Estados Unidos sonhou em conquistar o emprego. Falando a Rick Beato, Nuno Bettencourt relembrou o momento de puro sonho para um aspirante que sequer havia chegado a algum lugar com o próprio grupo.

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O músico do Extreme disse, conforme transcrição do Metal Injection:

“A primeira vez que toquei em um amplificador de verdade foi quando a Circus Magazine publicou um anúncio. Acho que saiu quando Randy Rhoads faleceu, infelizmente, e todos nós ficamos arrasados. Havia um pequeno recorte, tipo, quase como um anúncio; ‘Mande sua fita para cá, Ozzy, procura um guitarrista’. Pensei ‘Esta vaga é minha! Eu posso fazer isso!’.

Morávamos em uma casa de quatro famílias em Hudson, Massachusetts. O anúncio dizia, se não me engano: ‘Envie uma performance de Crazy Train em fita cassete para este endereço.’ Liguei a uma amigo perguntando: ‘Posso pegar seu Marshall emprestado?’, e coloquei no meu quarto. Não conseguiria sem um cabeçote. Peguei emprestado um 4×12. Jamais tinha tocado em um antes… Também peguei emprestado um harmonizer. Nem sabia como operá-lo, mas pensei: ‘É isso!’.”

Apesar de reconhecer que o resultado pode não ter sido dos melhores, Nuno tinha muita confiança. A ponto de realmente acreditar que a vaga seria sua.

“Toquei a música provavelmente de forma horrível. Mas fiz o solo… Não contei a ninguém. Anotei o endereço, lambi o selo, levei para o correio e pensei: ‘Ok, agora só tenho que esperar. Mas vou ser escolhido’.”

No entanto, como sabemos, não rolou. O que fez o portuga chorar.

“Semanas se passaram e fiquei realmente chateado. Então, li que Brad Gillis estava atuando como membro temporário e pensei ‘Oh cara, é melhor eles não mantê-lo, porque este é o meu lugar’. Eu acreditava que iria conseguir. Meses se passaram até que anunciaram Jake E. Lee. Devo ter derramado lágrimas, pois realmente tinha fé que seria a minha vez.”

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Um novo convite de Ozzy Osbourne

A chance real aconteceu somente uma década mais tarde. O ano era 1993 (segundo a memória do músico, embora não pareça exato) e o Extreme havia experimentado o sucesso. Através do agente Rod MacSween, uma sondagem aconteceu.

“Nunca vou esquecer. Ele me puxa para um canto e diz: ‘Nuno, Sharon Osbourne me ligou. Ozzy quer que você seja o guitarrista dele. O que você acha?’ E tudo o que eu pude dizer foi, ‘Eles ouviram a fita?’, e ele fica tipo, ‘Do que você está falando?’… Eu estava literalmente pensando na fita que enviei quando tinha 12 anos. Esse é o trauma que eu tive.”

À época, Nuno tinha mais que 12 anos, na verdade. Ainda assim, a proposta veio com algumas semanas de antecedência.

“Recusei porque eu estava em uma banda, fazendo meu trabalho. Foi a coisa mais estúpida que já fiz. Por quê? Porque eu deixei o Extreme cerca de duas semanas depois. Fui um idiota. Poderia ter feito uma turnê com Ozzy e tocado no álbum seguinte… Tocar com Ozzy era quase um rito de passagem, como se você fosse o escolhido… Se Ozzy o escolheu, você era alguém… Mas, eu estava tentando trilhar meu próprio caminho, e ser minha própria pessoa. Não sei o que eu estava pensando, eu deveria ter feito isso.”

Sobre Nuno Bettencourt

Nascido em Praia da Vitória, Portugal, Nuno Duarte Gil Mendes Bettencourt (Nuno Bettencourt) juntou-se ao Extreme em 1985, seguindo com o grupo por toda a sua carreira, participando das suas atividades no geral. Mais de 10 milhões de cópias foram vendidas em todo o planeta.

No hiato da banda, entre 1996 e 2007, além do disco solo, participou do Mourning Widows, Population 1, DramaGods, The Satellite Party e Baby Animals, com sua ex-esposa Suze DeMarchi.

Ainda produziu e gravou com nomes como Dweezil Zappa, Steel Panther, Dan Reed Network, Robert Palmer e Nickelback. Também possui extensa lista de colaborações com artistas fora do âmbito do Rock, como Janet Jackson, Rihanna (com quem excursionou por alguns anos), Joe Jonas e Toni Braxton.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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