As diferenças criativas do System of a Down, explicadas por Serj Tankian

Banda não lança um álbum completo de músicas inéditas há quase duas décadas e não parece que situação irá mudar

O System of a Down não lança um álbum completo de músicas inéditas desde 2005, quando saiu a dobradinha “Mezmerize” e “Hypnotize”. Desde então, apenas duas canções inéditas saíram, ambas em 2020: “Protect the Land” e “Genocidal Humanoidz”.

Durante recente entrevista à CBC Radio One, o vocalista Serj Tankian tentou elaborar sobre o que teria levado a este hiato criativo. O foco da reposta foi a relação artística com o guitarrista Daron Malakian, que também passou a cantar cada vez mais com o passar do tempo.

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Ele disse, conforme transcrição do Metal Injection:

“Bem, mudar a dinâmica envolve basicamente anos e a progressão da banda, o sucesso, tudo o que aconteceu entre o dia em que nos conhecemos e agora, basicamente, 25, 30 anos. Muita coisa muda nesse tempo. E então eu acho que isso faz parte. Daron adquiriu uma experiência de vida, é incrivelmente sério, protetor e vulnerável com sua música. Todas essas coisas meio que andam juntas. Foram elas, eu acho, que criaram algumas das diferenças criativas que começamos a encontrar. E também é a nossa progressão.”

A evolução artística de Serj Tankian

Serj ainda mencionou que a evolução natural acabou criando uma série de possibilidades que se expandiram além da colaboração inicial em grupo.

“Quando Daron e eu começamos a trabalhar juntos, eu não escrevia muita música instrumental – escrevia principalmente letras; Eu era o letrista; Eu era o cantor. E ele não escrevia nenhuma letra, apenas música. Mas, conforme o tempo passou e eu toquei mais instrumentos musicais, comecei a me tornar um compositor e arranjador. Da mesma forma, ele começou a escrever mais letras. Começamos a cobrir o território um do outro.”

O intérprete ainda garante que, apesar do distanciamento gerado, a situação traz mais benefícios do que prejuízos, mesmo que tenha “custado” a banda, de certo modo.

“Fiquei bem com isso. Se ele queria escrever letras, eu passei a tentar encorajá-lo a escrever mais, porque acredito no crescimento artístico. Acredito na progressão. Não acredito em que as coisas continuem do mesmo jeito, pelo bem da música. Caso contrário, se tornará a mesma coisa repetidamente. Essa progressão é necessária na vida de todo artista ou de todo grupo. Então, eu encorajei muito isso.”

A única alfinetada vem na alegação de que o colega não o apoiou da mesma forma.

“Eu só queria ter um pouco disso de volta. E esse não foi o caso, então, foi decepcionante. E isso se tornou uma diferença criativa ao longo do caminho da banda, e tudo mais, a grande prazo.”

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System of a Down, presente e futuro

O System of a Down segue realizando show de forma esporádica. Recentemente, o quarteto se reuniu para um show no festival Sick New World, em Las Vegas. O momento foi um reencontro para uma carreira que não tem previsão de ser retomada em tempo integral.

Ao canal do YouTube Live Signing, conforme transcrição do Blabbermouth, Serj explicou:

“Adoro me apresentar, mas quanto a turnês longas… Acho que quando você faz uma turnê longa, não é apenas fisicamente exaustivo, mas é artisticamente redundante depois de um tempo, repetindo a mesma coisa. Prefiro eventos especiais, ocasiões especiais. Não podemos fazê-los em todos os lugares. Também tive alguns problemas nas costas, passei por cirurgias e tratamentos que estavam me impedindo de performar. Estou muito melhor agora, me exercito, então muita coisa já foi resolvida. Quanto a fazer uma turnê, estou aberto a analisar, mas não muito entusiasmado. Prefiro me concentrar em algumas datas específicas.”

A fala compactua com outra proferida à edição de novembro do ano passado da revista Revolver. À época, o cantor falou:

“Minhas costas estão muito melhores, o que é legal. Tenho outras coisas com as quais estou lidando agora, que podem ou não ser afetadas por viagens ou turnês. Mas não foi uma decisão relacionada apenas à saúde, no que diz respeito a reduzir as turnês. Foi uma opção de estilo de vida, baseado na família e na visão pessoal das coisas. Estou em turnê há cerca de 20 anos, intermitentemente, é claro. Não todos os anos. É divertido, é lucrativo, deixa muita gente feliz em termos de estar lá e compartilhar a música, ver a reação e as pessoas realmente gostando, você recebe esse feedback. Mas depois de anos fazendo isso e das viagens envolvidas, é uma daquelas coisas que não é mais a principal prioridade na minha lista na vida.”

“Protect the Land” e “Genocidal Humanoidz”, as já mencionadas músicas derradeiras, foram motivadas pelo conflito entre Artsakh e Azerbaijão, com todos os rendimentos sendo revertidos aos esforços humanitários na Armênia, terra natal dos ancestrais dos músicos. Junto com outras doações de fãs em suas páginas nas redes sociais, a banda arrecadou mais de US$ 600 mil.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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