Metal — conheça a origem do termo que define o estilo musical

Termo passou a ser usado nos anos 1960, mas dentro do contexto da época e de forma não positiva, e precisou de um tempo para se popularizar no meio da música

O metal, também citado por muitos como heavy metal, é um dos estilos musicais mais famosos de todos os tempos. Também se tornou um dos mais diversos, com vários subgêneros e ramificações. Mas afinal de contas, por que ele tem esse nome?

Se traduzirmos “heavy metal” ao pé da letra, o termo significa “metal pesado”, que é o caso do ouro, prata e cobre, conhecidos por terem altas densidades. Peso à parte, ainda não há muita explicação. Como é que ele também passou a ser utilizado para definir o estilo musical?

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A origem do termo metal — ou heavy metal

A verdade é que não existe um consenso sobre a origem do termo para definir o estilo e são várias as histórias sobre sua origem. Deena Weinstein, professora de sociologia da Universidade DePaul, em Chicago, Estados Unidos, revelou no estudo “Just So Stories: How Heavy Metal Got Its Name — A Cautionary Tale” (via Loudwire) que “heavy metal”, em seus primórdios, era usado no contexto cultural como um todo.

“Indo atrás de sua verdadeira origem, por meio de pesquisas na imprensa musical e correspondência com os envolvidos (em menção aos primeiros que usaram o termo), em parte e como um todo, era mais pelo ar cultural da época. Existiam termos competindo para o estilo de música que foi chamado de ‘heavy metal’, mas nenhum deles deu a esse gênero a mesma configuração e sensibilidade.”

Prosseguindo com o raciocínio, Weinstein também acredita que, no geral, o termo começou a ser usado nos anos 1960 e 1970 para descrever coisas pesadas ou que eram significantes.

De qualquer forma, vamos abordar algumas das histórias sobre a origem de “metal” para descrever o gênero musical.

Livros e Steppenwolf

A primeira vez que o termo “heavy metal” foi utilizado na cultura popular foi durante os anos 1960, graças ao escritor Williams S. Burroghs. Em 1961, ele publicou um livro chamado “The Soft Machine”, que continha um personagem conhecido como “Uranian Willy, The Heavy Metal Kid”. Como você percebeu, este caso não contém nenhum contexto musical.

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Burroghs voltou a utilizar o termo em seu livro seguinte, “Nova Express”, de 1964, no qual “heavy metal” é usado como uma metáfora para drogas com alto poder viciante.

Não mencionamos essas duas obras à toa: foi por influência delas que “heavy metal” acabou aparecendo, pela primeira vez, em um contexto musical. Em 1967, o grupo britânico Hapshash and the Coloured Coat lançou um álbum chamado “Featuring the Human Host and the Heavy Metal Kids”.

A maior parte das fontes compiladas pela Wikipédia aponta que o termo “pegou” dentro do universo musical graças ao hit “Born to be Wild”, lançado em 1968 pelo Steppenwolf. Um de seus versos é “heavy metal thunder”, que foi usado no contexto da música para descrever uma motocicleta. Não à toa, a canção figura na trilha sonora do filme “Easy Rider” (1969), que aborda justamente o motociclismo.

Uso por críticos musicais

Outras versões sobre a origem do termo garantem que ele se popularizou graças a alguns críticos musicais, que cunharam “heavy metal” em suas avaliações e contribuíram para sua popularização no meio.

Por exemplo, ao avaliar o álbum ao vivo “Got Live if You Want It”, dos Rolling Stones, para a revista Crawdaddy em 1967, o crítico Sandy Pearlman utilizou as seguintes palavras.

“Neste álbum, os Stones se transformam em metal.”

Não parece ter sido um elogio, curiosamente. Ou será que foi? Outro trecho da resenha diz:

“Um público mecanicamente histérico é combinado com um som mecanicamente histérico. O lado dois do álbum é um lado do metal. O mais mecânico… a música de metal definitiva até agora: ‘Have You Seen Your Mother, Baby, Standing in the Shadow?’ ,’ tão histérica e tensa quanto possível… Uma performance desleixada – mas nunca flácida. Alguns detalhes ruins, mas muita tensão. É uma concepção e realização mecânica (como todas as músicas de metal) – com os instrumentos e a voz de Mick Jagger densamente organizados em planos sonoros duros e de arestas vivas: uma construção de superfícies auditivas e planos de superfície regulares, uma concepção planar, produto de uma disciplina mecanicista, com ênfase na organização geométrica dos sons percussivos.”

Barry Gilford fez o mesmo em sua crítica do álbum “A Long Time Comin'”, do grupo The Electric Flag, em 1968. Nela, usou justamente o termo “heavy metal”.

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“Essa é a nova música soul, a síntese do blues branco e do rock heavy metal.”

Um dos exemplos mais famosos veio de uma crítica de Mike Saunders para a revista Rolling Stone em 1970, que fez o seguinte comentário ao falar sobre o álbum “As Safe as Yesterday is”, do Humble Pie:

“(O disco) ‘As Safe as Yesterday is’, primeiro lançamento americano deles (Humble Pie), provou que o Humble Pie pode ser chato de diferentes formas. Aqui, eles foram uma banda de m*rda barulhenta, não melódica e carregada de heavy metal – com as partes altas e barulhentas, sem dúvida.”

Foi ao longo da década de 1970 que “heavy metal” passou a ser usado pelos críticos para descrever o estilo musical — mesmo que tivesse carregado de conotações negativas —, o que também contribuiu para sua popularização. Por vezes, também eram usadas as expressões “hard rock” e “acid rock”, como sinônimos.

Como se nota, não existe um consenso sobre a história. Fato é que, no geral, “heavy metal” passou a ser usado dentro do contexto cultural da época em que surgiu. Tornou-se sinônimo de música pesada depois de ser associado a algo negativo.

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Augusto Ikeda
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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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