AC/DC fez “50 álbuns que soam a mesma coisa”, diz Pete Townshend

Com 10 anos a mais de estrada, o The Who lançou menos discos — e o guitarrista explica o motivo na base da comparação

Desde o início dos anos 80, o The Who tem se mantido pouco ativo em termos de lançamentos inéditos. Depois de “It’s Hard” (1982), a banda só lançou dois álbuns, com intervalos enormes – “Endless Wire” (2006) e “Who” (2019). O mesmo não se pode dizer do AC/DC, que mesmo tendo diminuído o ritmo nas últimas décadas, continua fazendo discos com algum ritmo de produção.

No entanto, quando questionado sobre sua própria banda, Pete Townshend usa o grupo dos irmãos Young como comparativo. Em entrevista ao The New York Times, o guitarrista falou sobre como o The Who funcionava nos tempos áureos, ainda citando uma possível turnê de “avatares”, similares ao projeto do Kiss — provavelmente de forma irônica.

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Ele disse:

“O AC/DC fez 50 álbuns, mas todos os álbuns deles são a mesmo coisa. Não era assim que o The Who funcionava. Nós éramos uma banda de ideias. O The Who não é Roger Daltrey (vocalista) e Townshend no palco com 80 anos, fingindo que são jovens. É nós quatro em 1964, quando tínhamos 18 ou 19 anos. Se você quer ver o mito do The Who, espere pelo show de avatares. Seria bom!”

No caso, é claro, ele exagerou nos números: o grupo do guitarrista Angus Young disponibilizou “apenas” 17 discos até hoje, contra 12 do Who. A diferença nem é tão grande assim, mas se torna maior quando lembramos que Pete e companhia têm quase 10 anos de estrada a mais do que os australianos.

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Pete Townshend apenas pela grana

Na mesma entrevista, Townshend falou sobre a possível despedida do The Who e confessou que só faz shows até hoje pelo dinheiro, da forma mais sincera possível. Em resposta a uma pergunta sobre criar material novo, ele disse:

“Eu quero e acho que vou (criar novas músicas). Eu sinto que há uma única coisa que o The Who pode fazer e é uma turnê de despedida onde tocaremos em todos os territórios do mundo e então nos recolheremos para morrer. Eu não me empolgo tanto tocando com o The Who. Para ser realmente honesto, tenho feito turnês pelo dinheiro. Minha ideia de um estilo de vida comum é muito elevada.”

O fim do The Who?

No dia 28 de agosto do ano passado, o The Who realizou o derradeiro show da turnê “Hits Back!”, que contou com participação de diferentes orquestras na América do Norte e Europa. Desde então, nada mais aconteceu no universo da banda britânica.

Aparentemente, a situação não deve se modificar. Quem garante é o vocalista Roger Daltrey. O cantor de 80 anos deixou claro não imaginar que a banda – hoje resumida a uma dupla com o guitarrista Pete Townshend – volte a ter atividades.

Ele disse ao jornal britânico The Times, em janeiro de 2024:

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“Não posso dar uma resposta definitiva. Eu não escrevo as músicas. Nunca escrevi. Precisamos sentar e ter uma reunião. Porém, no momento, estou feliz em dizer que essa parte da minha vida está encerrada.”

A declaração ecoa a do colega de jornada, dita no final do ano passado. Durante conversa com a revista Record Collector (via Blabbermouth), Townshend foi franco ao dizer que pretende se reunir com Daltrey para definir o que fazer no futuro. Aos 78 anos, o músico e compositor não descartou qualquer possibilidade. Incluindo o desfecho da carreira.

“Acho que é hora de Roger e eu almoçarmos e conversarmos sobre o que acontecerá a seguir. Porque Sandringham (condado inglês onde o último concerto aconteceu) não deveria parecer o fim de nada, mas parece o fim de uma era.”

A dupla se mantém unida como únicos integrantes oficiais do grupo. De qualquer modo, Pete não adianta qualquer conclusão.

“É uma questão de analisar, realmente, o que é viável, o que seria lucrativo, o que seria divertido? Então, escrevi para Roger e disse: ‘Vamos conversar e ver o que há.’”

Caso a situação se confirme, o The Who sai de cena com seis décadas de carreira e mais de 100 milhões de discos vendidos em todo o planeta.

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

3 COMENTÁRIOS

  1. Se uma banda fez “50 álbuns” todos iguais e todos são bons, infeliz daquele que acha que tem ideias boas e essas ideias não renderam nem 5 músicas boas em 50 anos.

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