As duras críticas que Robert Plant fazia ao heavy metal

Cantor nunca se sentiu confortável com a ligação do Led Zeppelin ao gênero; sobrou até para o Judas Priest

Não é segredo para ninguém que o Led Zeppelin possui influência direta na criação do que veio a ser conhecido como heavy metal a partir da virada dos anos 1970. Embora não fosse uma definição tão bem acabada do gênero quanto foi o Black Sabbath, a banda ajudou a construir as bases do que se tornaria um dos movimentos musicais mais conhecidos da história.

Da mesma forma, todos sabemos que os integrantes do grupo nunca se sentiram confortáveis com a associação ao rótulo. Robert Plant que o diga. Em mais de uma ocasião, o cantor se mostrou um tanto quanto constrangido com a referência, a evitando de forma veemente.

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Em entrevista de 1988 à Q (resgate do Far Out Magazine), o frontman chegou a apontar para um pôster do Judas Priest e declarou:

“Se eu sou responsável por isso de alguma forma, então estou muito, muito envergonhado. Hard rock, heavy metal hoje em dia é apenas uma forma de se vender dizendo: ‘Venha e me compre. Estou aliado ao Diabo – mas apenas nesta foto, porque depois disso serei muito legal e um dia vou crescer e ser o empresário de um grupo pop.’”

Led Zeppelin não era nem rock and roll para Plant

O distanciamento estratégico não é mero discurso. De fato, o vocalista de uma das bandas mais criativas da história sequer considerava o que faziam rock and roll, dada a extensa gama de elementos que incluíam em suas composições.

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Em entrevista ao Louisville Eccentric Observer, em 2018, ele destacou:

“Rock and roll era Jerry Lee, Litlte Richard, Larry Williams e Fats Domino. O que aconteceu no fim dos anos 1960 é que não dá para chamar Big Brother and the Holding Company ou Janis Joplin de rock and roll. Tinha algo mais e acho que seguimos com isso para os Estados Unidos, gente como o Cream e quem quer que estivesse por perto naqueles tempos. Herman’s Hermits, talvez?”

Para exemplificar, Plant até mesmo citou algumas músicas.

“O que quer que fosse, não éramos rock and roll – éramos uma banda que tocava algumas coisas ‘malvadas’, duras e realmente poderosas, que era chamado de rock. E, então, quando chegou às mãos de quem interpretava incorretamente, tornou-se hard rock. Ainda assim, alguém vai dizer que ‘Friends’ ou ‘Battle of Evermore’ é hard rock? Acho que não. Acho que a coisa toda, de 1968 até agora, é apenas fazer música.”

Robert Plant queria abandonar o rock antes do fim do Led Zeppelin

Um ano mais tarde, durante seu podcast “Digging Deep”, Robert foi além e revelou até mesmo ter pensado em se desligar de vez do rock quando o Led Zeppelin ainda estava na ativa.

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Embora se descrevesse como ainda “fascinado” pelo poder e potencial do seu grupo enquanto força criativa, também estava cada vez mais próximo do vasto guarda-chuva chamado world music.

“Conforme o tempo foi passando a partir de 1975 ou 1976, comecei a sentir… sabe, havia muito da música do norte da África que me intrigava naquele momento, desde minha primeira viagem para o Marrocos em 1972. Eu sabia que havia a possibilidade de trabalhar em muitas áreas diferentes.

Acho que o glorioso confinamento de estar em uma banda de quatro integrantes por um longo período… era magnífico às vezes, mas a ideia própria de trabalhar com qualquer outra pessoa e descobrir outro ângulo musical… não estava nas cartas.”

Não à toa, Robert Plant passou as últimas décadas explorando caminhos diferentes. Seus álbuns mais recentes, sejam em carreira solo ou parcerias, flertam com world music, blues, country e americana.

Isso explica o fato de o cantor ter o mais arredio em relação a uma volta do Led Zeppelin em tempo integral. A ponto de fazer o guitarrista Jimmy Page e o baixista John Paul Jones testarem outras alternativas para a função – todas rechaçadas pelo motivo óbvio: ninguém mais é Robert Plant.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

1 COMENTÁRIO

  1. Realmente, não existe outro Robert Plant, mas sinceramente não gostei de nada que ele fez na carreira solo.Outro exemplo é Peter Gabriel. Phill Collins foi outro Gênesis e Gabriel com uma carreira solo Boa no início, embora abaixo do que fazia com o Gênesis e depois ficou melancólico. Acho que isso é da carreira dele.Exceção seja feita ao Rolling Stones que continua a mesmice de sempre . Não é meu estilo

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