O verdadeiro último álbum do Pink Floyd na opinião de Roger Waters

Para o baixista e vocalista, trabalhos posteriores já eram focados totalmente em sua individualidade

Não é segredo que, a partir de determinado momento nos anos 1970, o Pink Floyd virou uma carreira solo de Roger Waters – especialmente na questão dos conceitos abordados em seus discos. A situação não é exatamente uma novidade. Com o passar do tempo, várias bandas adotam uma postura menos democrática, com seus líderes concentrando o processo criativo.

Em entrevista de 1992, resgatada pelo fansite Neptune Pink Floyd, o baixista e vocalista refletiu sobre o momento em que a chave foi virada de forma definitiva. Ao contrário do que muitos imaginam, não foi em “The Wall” (1979) ou “The Final Cut” (1983), seus derradeiros trabalhos junto a David Gilmour e Nick MasonRichard Wright já estava fora após as sessões do primeiro mencionado.

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Surpreendentemente, ele citou:

“Eu acho que você poderia dizer que ‘Wish You Were Here’ foi escrita, parcialmente especificamente sobre Syd, mas principalmente sobre meu sentimento de ausência dentro da banda. No que me diz respeito, ‘Wish You Were Here’ foi o último álbum do Pink Floyd.”

Os registros mencionados acima, de acordo com Roger, já possuíam uma característica individual – embora ele reconheça as contribuições de dois nomes que se tornariam desafetos com o passar do tempo.

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“‘The Wall’ e ‘The Final Cut’ foram discos meus, embora eu não queira menosprezar as contribuições de Dave no primeiro. Ele tocou grandes músicas e também escreveu alguns ótimos riffs de guitarra: ‘Run Like Hell’, a introdução de ‘Young Lust’… Mas, em geral, esses registros não tinham nada a ver com ninguém além de mim. E certamente a contribuição de Bob Ezrin (produtor) para ‘The Wall’ foi muito maior do que a de qualquer pessoa na banda. Fizemos o trabalho juntos e ele foi de grande ajuda. Você sabe, Rick já estava fora naquele ponto.”

A substituição da banda pela tecnologia

A seguir, Waters segue refletindo sobre como as sessões de “Wish You Were Here” sofreram de uma espécie de ausência coletiva da banda.

“Em ‘Wish You Were Here’, nós ‘não estávamos lá’, assim por dizer. Todos nós, em diferentes momentos, nos afastamos. E acho que de certa forma é por isso que é um bom disco, porque expressa honestamente o que aconteceu.”

A ideia mudou de vez nos trabalhos finais, quando a tecnologia supriu o sentimento, embora tenha oferecido o resultado desejado.

“A razão pela qual ‘The Wall’ é um bom disco é porque é um texto autobiográfico honesto meu. E o maquinário instalado no estúdio, que me permitiu fazer o que almejava. Mas naquela época eram apenas máquinas. Não havia dúvida de que havia um ‘grupo’ em algum lugar. E o mesmo com ‘The Final Cut’. É muito mais fácil substituir um tecladista do que um compositor. Se você não escreve fica muito difícil produzir arte.”

Pink Floyd e “Wish You Were Here”

Nono disco de inéditas do Pink Floyd, “Wish You Were Here” é o segundo trabalho conceitual da carreira do grupo, trazendo uma crítica à objetificação da arte pela indústria.

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Também conta com tributos a Syd Barrett na faixa-título e em “Shine On You Crazy Diamond”. O guitarrista e vocalista original chegou a visitar a banda durante as gravações. Os antigos colegas não o reconheceram, graças à aparência totalmente alterada.

O músico folk inglês Roy Harper gravou os vocais em “Have A Cigar”.

“Wish You Were Here” chegou ao primeiro lugar das paradas norte-americana e britânica, tendo vendido mais de 13 milhões de cópias em todo o mundo. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas nas sessões de gravação, David Gilmour e Richard Wright já o classificaram como o melhor disco da banda.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

5 COMENTÁRIOS

  1. Obscured by clouds é o álbum mais perto da perfeição sonora que eles gravaram. Depois dele ficou muito comercial, quase pop rock. Deixou de ser progressivo!

    • Eles sempre foram prog rock. Principalmente ao vivo, porém não apenas eles, mas o Genesis, Yes, e outros decidiram por gravar sob um rumo mais ‘comercial’ na década 80s. Todas possuem o DNA prog, mas talvez por influência de gravadoras, e o contexto presente naquela época, principalmente na Europa, isso tudo pode ter empurrado todos esses medalhões do prog para uma sonoridade mais pop. Já o Marillion foi criado com uma proposta então diferente, chamada neo-prog (rock neoprogressivo). Nos tempos do vocal do Fish, eles lembrava o Genesis da década 70s, entre Phil Collins e Peter Gabriel.

  2. Achei estranho não haver no texto qualquer menção ao álbum Animals. Se o Waters afirma que Wish You Were Here foi o último que considera ser coletivo e que The Wall e The Final Cut são “discos dele”, como fica o Animals? Ainda é do grupo, é dele, ou é “mais ou menos”? Ainda tem criação coletiva ali, embora toda a temática e as letras sejam dele. No final das contas digo: ainda prefiro “álbuns solo” do Waters como Pink Floyd do que “álbuns do Pink Floyd” sem o Roger Waters.

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