Michael Schenker explica pedido de jatinho para tocar com Ozzy Osbourne

Guitarrista alemão foi convidado a substituir Randy Rhoads e não sabia como dizer “não” ao Madman

O desastre que tirou a vida de Randy Rhoads não apenas representou o desfecho trágico da vida de um dos guitarristas mais promissores de sua geração. Reconstruindo a carreira após a demissão do Black Sabbath, Ozzy Osbourne se viu severamente ameaçado.

Pior ainda: todos ao redor temiam alguma atitude drástica do cantor. Ele estava afundado nas drogas e na depressão por conta do que havia acontecido.

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A decisão mais urgente foi a de se manter na estrada. Pode ter sido prematuro, mas foi o que todos viram como prudente para manter o Madman minimamente distraído, tendo em vista o inevitável luto. Porém, seria imprescindível encontrar um substituto. O primeiro nome tentado foi o de Michael Schenker.

Em entrevista à revista Guitar World, o alemão reconheceu que não desejava estar naquela posição. Ele recorda:

“Recebi um telefonema de Ozzy Osbourne no meio da noite, gaguejando, me pedindo para ajudá-lo porque Randy Rhoads havia morrido naquele acidente de avião. Eu amava o Sabbath e deveria ter ficado encantado em participar – imediatamente tive visões de Ozzy me arrastando pelo palco pelos cabelos. Mas uma voz em minha cabeça disse: ‘Michael, siga sua visão’. Eu deixei o UFO e o Scorpions porque não queria ir mais longe com a fama, preferia liberdade e paz. Então, achei que seria uma loucura entrar.”

O instrumentista até mesmo reconhece ter feito um pedido extravagante apenas para não ter que dizer não a alguém que admirava tanto.

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“Ozzy sabia que eu era o guitarrista favorito do Randy, então ele achou que eu seria a escolha perfeita, mas não era o momento certo. Já estávamos ensaiando o álbum ‘Assault Attack’ com Graham Bonnet. A única maneira que encontrei para sair dessa foi inventando exigências escandalosas, então foi o que fiz. Em seu livro, Ozzy disse que eu pedi um jato particular. E isso é verdade, mas foi apenas para que ele me recusasse.”

A versão de Ozzy Osbourne

No oitavo capítulo de “Eu Sou Ozzy”, o Madman dá sua versão sobre o ocorrido.

“Não sei quem começou a fazer as ligações para encontrar um novo guitarrista. Sharon estava um desastre, totalmente consternada, então deve ter sido o escritório do pai dela que organizou tudo em Los Angeles. Mas, no final, a busca se tornou uma distração bem-vinda, uma forma de pensarmos em outras coisas. Lembro que num momento liguei para Michael Schenker, o alemão que tinha tocado no UFO. Ele disse algo do tipo: ‘Faço esse favor, mas quero um jato particular, e quero isso e quero aquilo’.

Eu falei para ele: ‘Por que você está estipulando suas exigências nesse momento? Só me ajude no próximo show e a gente conversa’. Mas ele ficou falando: ‘Oh, vou precisar disso e daquilo’. Então, no final, eu falei: ‘Sabe o quê? Vai se f*der’. Ele é doido mesmo, esse Schenker, então não fiquei bravo com ele.”

Ozzy recorreria inicialmente a Bernie Tormé, ex-Gillan. Na sequência, Brad Gillis (Night Ranger) assumiu a função, gravando o álbum e vídeo “Speak of the Devil” (1982). A vaga seria preenchida em definitivo por Jake E. Lee logo a seguir. Um resumo deste período pode ser conferido aqui.

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Sobre Michael Schenker

Nascido em Sarstedt, Alemanha Ocidental, Michael Schenker começou a tocar com o Scorpions aos 11 anos de idade. Quando o grupo lançou seu álbum de estreia, “Lonesome Crow”, tinha 17. Após uma turnê com o UFO como convidado, acabou se juntando ao grupo britânico. Entre idas e vindas, fez parte da banda em três distintas ocasiões.

Em sua lista de convites recusados ou ignorados estão propostas e testes com Aerosmith, Ozzy Osbourne, Rolling Stones (esta só ele lembra) e Deep Purple.

Após um breve retorno ao Scorpions, se estabeleceu de vez como cabeça de uma banda que já se chamou Michael Schenker Group (reutilizado atualmente), McAuley Schenker Group, Michael Schenker’s Temple Of Rock e Michael Schenker Fest.

Também participou do supergrupo Contraband, com integrantes do L.A. Guns, Shark Island e Vixen. Nos anos 1990, ainda substituiu brevemente Robin Crosby no Ratt.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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