A crítica de Dee Snider ao novo modelo de repertório do Metallica

Cantor entende que não priorizar os hits acaba alienando a maior parte do público, que vai aos shows pelos sucessos

A atual turnê do Metallica, denominada “M72”, conta com peculiaridades bastante próprias. A banda faz dois shows em cada cidade onde para. Eles são 100% diferentes em termos de repertório. Até mesmo as atrações de abertura não se repetem de uma noite para a outra.

Em entrevista ao Shout It Out Loudcast (transcrita pelo Blabbermouth), Dee Snider fez aquilo que mais gosta: opinar sobre o trabalho alheio. E teceu algumas críticas à estratégia adotada pelos gigantes do heavy metal.

“Bem, eu não sabia que estavam fazendo isso e dou crédito para eles. Mas acho que é uma espécie de interesse na própria satisfação. Só atrai uma pequena parcela do público. A maioria dos que vão a esses shows — não apenas o Metallica, mas bandas como Kiss e Twisted Sister também – está lá pelos sucessos. A porcentagem de pessoas que conhecem os cortes mais profundos e estão dispostas a aceitar não ouvir ‘Enter Sandman’ uma noite representa um grupo muito pequeno.”

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A seguir, o frontman se usou como exemplo.

“Quando o Twisted Sister se reuniu no show New York Steel em 2001, que Eddie Trunk apresentou, os outros caras queriam fazer um setlist com músicas raras. Colocaram algumas coisas dos tempos de bar no repertório. Como era o primeiro show juntos em anos, não quis causar nenhum problema. Mas lembro que tocamos essas canções e o público estava morto. Cerca de oito mãos erguidas no ar, dava para contar. Depois disso, eles próprios admitiram: ‘Tudo bem. Chega de colocar essas coisas no show’. Porque é realmente egoísta, atende a uma parte muito pequena do público. A menos que você esteja comprando os dois ingressos – e talvez seja a ideia. Mas o público do Metallica cresceu muito além de apenas fãs hardcore. Eles têm sucessos.”

A seguir, Dee citou outro exemplo, de quando o Iron Maiden executou o então novo álbum “A Matter of Life and Death” (2006) na íntegra em sua turnê de divulgação. A situação gerou protestos a ponto de cartazes serem levados aos shows – com direito a Bruce Dickinson rasgar um em pleno palco.

“Eles se recusaram a tocar qualquer um de seus sucessos. O público ficou furioso. Bruce gritava com a multidão porque eles não estavam se divertindo. Foi egoísta fazer isso. Tanto que a seguir eles fizeram outra turnê apenas os maiores sucessos, tiveram que compensar os fãs.”

Metallica e “M72”

De qualquer modo, a “M72” tem se mostrado um grande sucesso. Recentemente, o Metallica quebrou o recorde de público de Taylor Swift em Los Angeles. De acordo com estimativas da produção da própria banda, em torno de 80% do público tem comprado entradas para as duas noites em cada parada.

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Sobre Dee Snider

Nascido em Nova York, Dee Snider entrou para o Twisted Sister em 1976. Apesar de a banda já existir à época, assumiu a liderança, sendo responsável pela composição das músicas.

Após o primeiro fim da banda, se juntou a Bernie Tormé, Clive Burr e Marc Russel no Desperado. O grupo existiu entre 1988 e 1990, mas teve seu único disco, “Bloodied But Unbowed”, lançado apenas em 1996.

De 1991 e 1994 comandou o Widowmaker. Novamente com o baixista Marc Russel e o baterista Joey Franco, além do guitarrista Al Pitrelli, lançou dois discos antes da separação.

Em carreira solo, lançou uma série de discos, além do Van Helsing’s Curse, espetáculo teatral onde era narrador e atuava.

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Entre várias aparições em TV e rádio, atuou como apresentador do “Heavy Metal Mania”, primeiro programa especializado no gênero a ser produzido pela MTV.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

2 COMENTÁRIOS

  1. Só um detalhe esquecido pelo Dee Snider. O show é como se fosse um só, só que dividido em dois dias. Quando você compra o ingresso, você compra para dois dias então você verá um repertório diferente da mesma maneira como veria se eles tocassem as 32 músicas num único dia. Eles apenas dividiram em dois dias tocando 16 músicas em cada noite. Então, se você não ver master ou enter.sandam numa noite , com certeza verá na segunda. Significa que o público ficará muito satisfeito em ver uma banda que não tem medo de arriscar. Por isso se tornou a maior banda de.Metal do mundo.

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