Anedonia musical: a condição que faz alguém não gostar de música

Condição afeta uma parcela pequena da população e não deve ser confundida com um transtorno psiquiátrico

Escutar música é um dos passatempos preferidos de muitas pessoas em qualquer lugar do mundo. Quem nunca trabalhou, estudou ou se exercitou enquanto ouvia suas canções favoritas? Ainda assim, há quem não goste de gastar seu tempo com a atividade — e antes que você ache que é por “chatice”, saiba que há uma explicação científica para isso: anedonia musical.

Essa condição já foi alvo de alguns estudos, os quais mostraram que ela afeta apenas uma parcela pequena da população, tudo graças a uma conexão reduzida entre duas partes do nosso cérebro. Além disso, também não deve ser associada a qualquer transtorno psiquiátrico.

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A seguir, entenda mais a respeito da anedonia musical, como ela afeta seus portadores e os estudos que já foram conduzidos sobre o assunto.

O que é a anedonia musical

A anedonia musical é uma condição neurológica que faz seu portador ou portadora não sentir qualquer tipo de prazer musical. Diferente da agnosia — que é incapacidade de conseguir reconhecer música —, a pessoa até consegue ter noção de que está escutando uma canção ou batida, mas é incapaz de aproveitá-la e ter algum tipo de prazer ou sentimento.

É importante ressaltar que quem possui a condição não consegue sentir prazer com nenhum tipo de música, independente do gênero. Desta forma, não ache que quem gosta de um estilo e despreza outros possui a anedonia musical.

O médico Robert Zatorre, da Universidade McGill, no Canadá, e responsável por um dos estudos mais importantes do assunto, resumiu a condição em poucas palavras.

“Pessoas com a anedonia musical vão dizer: ‘não, música não provoca emoções’ e ‘não, nunca quero realmente dançar quando eu escuto música’. Descobrimos que estes indivíduos — não existem muitos deles, mas existem — são indiferentes com relação à música.”

Em linhas gerais, as pesquisas mostraram que os portadores da condição possuem conectividade reduzida entre duas regiões do cérebro: o córtex, responsável por processar sons, e o chamado “núcleo accumbens”, que nos proporciona a sensação de prazer e recompensa.

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A anedonia musical é divida em dois tipos: com e sem danos no cérebro. O primeiro tipo, óbvio, se manifesta em pessoas que nunca tiveram qualquer tipo de dano neurológico e é mais comum. Já o segundo, como seu nome deixa implícito,  surge após o portador sofrer algum dano cerebral que impeça a comunicação entre as duas partes do cérebro que citamos acima, além de ser mais raro.

Conforme dito por Robert Zatorre, de fato são poucas as pessoas que possuem a condição: os estudos já mostraram que apenas de 3% a 5% da população mundial, no geral, é afetada pela anedonia musical. 

É importante ressaltar que quem tem a condição não é, necessariamente, uma pessoa fria e sem sentimentos: os portadores da anedonia musical podem ter emoções normais como qualquer outra. Eles apenas não conseguem se emocionar ou ter prazer escutando música.

O que o principal estudo já revelou

Um dos estudos mais importantes sobre a anedonia musical foi feito em 2014 e teve justamente a presença de Robert Zattore. O primeiro passo, claro, foi comparar as reações de portadores da condição com aqueles que não a possuem.

Como esperado, o médico Josep Marco-Pallares, coautor do estudo, relatou o seguinte:

“Os outros participantes (que não tinham a condição) relataram arrepios quando escutaram música. Com o grupo anedônico, eles não tiveram calafrios. Eles não tiveram uma resposta real à música.”

A segunda fase do estudo consistiu em determinar as causas da condição. Para isso, os pesquisadores chamaram 45 participantes para responder perguntas sobre seu nível de sensação à música. Em seguida, foram divididos em três grupos, de acordo com suas respostas.

Para a parte final do estudo, os cérebros dos participantes foram escaneados enquanto escutavam música para analisar os níveis de prazer. Para garantir que a resposta era única às canções executadas, os voluntários também passaram pelo mesmo procedimento enquanto participavam de um jogo no qual poderiam ganhar ou perder dinheiro pra valer.

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Os resultados mostraram que os anedônicos tinham uma atividade menor na área do cérebro responsável pela sensação de recompensa enquanto escutavam música. No entanto, ela estava ativada enquanto participavam do jogo que valia dinheiro.

Do outro lado da moeda, as pessoas que tinham sensibilidade “normal” à música registraram uma grande conectividade entre as partes do cérebro responsáveis por processar os sons e a sensação de prazer e recompensa. Quanto mais a pessoa aproveitava o que escutava, maiores eram os níveis detectados.

Anedonia musical não é um transtorno psiquiátrico

Antes que um anedônico musical pense que sofre de um transtorno mental, fique tranquilo: para os cientistas, a condição não deve ser encarada como um transtorno psiquiátrico, por exemplo. 

É justamente o que o próprio Robert Zattore afirma. O cientista também revelou que há anedônicos musicais que o agradecem pelo estudo, pois sabem que não estão sozinhos.

“Eu tento tomar cuidado para não a chamar de um transtorno. Conversei com as pessoas que têm anedonia musical e elas, na verdade, me dizem que são realmente gratas pela pesquisa. Elas já me disseram: ‘durante toda minha vida achei que era estranho/estranha, mas agora, você me mostrou que existem outras pessoas como eu.”

Quem sofre com a anedonia musical pode apenas ter dificuldade de socializar com outras pessoas. Afinal, ir a um show ou casa noturna são atividades comuns de socialização que podem não ser interessantes para seus portadores. Ao menos, podem usar essa explicação científica para justificar sua indiferença a músicas. 

*Texto construído com informações da Wikipedia, Far Out, Huffington Post e Super Interessante.

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Augusto Ikeda
Augusto Ikedahttp://www.igormiranda.com.br
Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

4 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia João!
    Apenas uma observação! Robert Plant e Page executaram Stairway to Heaven no Hollywood Rock de 1996 no Pacaembu. Foi inesperado para os fãs presentes (eu estava lá).

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