Entrevista: Envolta em ruído, Terraplana está de olho no próximo passo

Quarteto curitibano de shoegaze lançou 1º álbum, saiu em turnê e emendou com EP ao vivo; em dezembro, tocam no Primavera Sound São Paulo

O shoegaze é um segmento do rock alternativo caracterizado por guitarras altas e ruidosas, que pode ou não investir em melodias vocais. A fama é de rock triste, mas também não precisa ser sempre assim. Mesmo que não seja o gênero mais popular do mundo, germinou um circuito de bandas e fãs devotos à cena no Brasil. Entre esses grupos, está a Terraplana (que adota grafia em caixa baixa).

Formado em Curitiba, o grupo faz um shoegaze conduzido por melodias palatáveis e letras mais otimistas, ainda que reflexivas. Chamam atenção até pelo nome, controverso para o contexto dos últimos anos e sobre o qual até fazem graça nas redes sociais.

“Não somos [terraplanistas], nossa meta na verdade é combater a desinformação: quando a galera for procurar coisa de terraplanismo eles vão cair nas nossas músicas.”

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Em entrevista ao site, o guitarrista e vocalista Vinícius Lourenço falou sobre o agitado ano da banda que teve até aqui. Em 2023 foram dois lançamentos — de um álbum e um EP ao vivo —, apresentações em diferentes estados e o convite para integrar a escalação do Primavera Sound São Paulo, mais especificamente na série de eventos prévios Primavera na Cidade.

Além de Vinícius, a Terraplana conta com Stephani Heuczuk (baixo e voz), Cassiano Kruchelski (guitarra e voz) e Wendeu Silverio (bateria). Os curitibanos estrearam com “Exílio”,  EP que saiu perto do Natal de 2017, mas o primeiro álbum, “Olhar pra Trás”, só veio no primeiro dia de março deste ano.

Isso não quer dizer que estiveram inativos durante o entreato. Segundo Vinícius, o disco foi composto quase todo antes de 2020, quando ainda podiam se apresentar ao vivo até que estourou a pandemia. Foi possível também intensificar a presença da banda na internet e mostrar o material que tinham para mais gente.

“O álbum foi quase que inteiro escrito antes de 2020, mas acho que as letras e temas se encaixam com a sensação geral de nostalgia e de autorreflexão gerada também pelo isolamento na pandemia. Acho que essa parte de superação andou muito comigo nesses últimos anos, tendo um olhar mais otimista sobre o futuro, apesar do que quer que tenha acontecido no passado. […] É importante olhar pra trás para entender as coisas que aconteceram, mas lembrando que o importante é ver o que está a sua frente, o presente e o futuro.”

Esperar esse tempo valeu a pena. Ano passado, venceram um concurso promovido pela Groover para participar da edição de 10 anos do Balaclava Fest. Essa aproximação rendeu a assinatura com o selo pelo qual saiu “Olhar pra Trás”.

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A recepção positiva e o timing de pós-pandemia fizeram com que mais pessoas se interessassem pelo som e permitiram à Terraplana excursionar por São Paulo, Piracicaba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba, incluindo uma data abrindo para a Deafheaven na capital paulista. Em várias dessas noites, de acordo com Vinícius, as entradas se esgotaram.

O quarteto emprega bastante substância à suas letras, ainda que breves. Falam sobre lidar com relações, absorver conclusões do que aconteceu e mirar num futuro melhor e possível. Músicas como “Conversas” e a faixa-título de “Olhar pra Trás” são dois bons exemplos. Pode parecer estranho, mas forma e conteúdo fazem boa fusão quando as poesias de Stephani e Vinícius encontram a receita de shoegaze e post rock empregada por eles.

E não deve demorar até pintarem mais novas canções. O músico afirma:

‘‘O ‘Olhar pra Trás’ demorou muito mais do que deveria pra sair, foram mais de 5 anos entre nosso primeiro EP e o álbum de estreia, e isso não é uma coisa que queremos repetir. Já estamos trabalhando em músicas novas que devemos experimentar nas próximas datas.’’

Ao Vivo na Vinícola

Mais recentemente, a Terraplana disponibilizou “Ao Vivo na Vinícola”. A sessão aconteceu logo após essa “primeira parte” da turnê e apresenta cinco músicas.

Idealizado como uma extensão do álbum, o material tomou forma quando Enzo Merolli, à frente do projeto “Na Vinícola”, convidou a banda para uma gravação. A oportunidade veio a calhar, uma vez que havia o desejo de dar forma mais crua e intensa às faixas do disco. Vinícius Lourenço comenta:

“Pensamos em gravar um material que mostrasse como as músicas funcionam ao vivo, no show. Não pensamos muito no setlist, desde o começo já sabíamos quais músicas queríamos ter nessa live session. As duas que faltaram, ‘Olhar pra Trás’ e ‘Me Encontrar’, gravamos junto com uma faixa do EP em outra live session que deve sair em breve. No final, todas teriam uma versão ao vivo.” 

São 23 minutos com gravação e mixagem de Leonardo Gumiero e masterização por Jack Shirley, que já trabalhou com Deafheaven e Whirr. O EP está disponível em todas as plataformas digitais desde 18 de julho.

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Sequência

Após shows em São Paulo, Brasília e Goiânia, dando seguimento à turnê do álbum de estreia, também foi anunciado que a banda vai integrar o lineup do Balaclava Fest. Existe o plano de um novo EP sair em breve, mas a cereja do bolo para 2023 é sem dúvidas, a data marcada no Primavera na Cidade, dentro do Primavera Sound.

Vinicius conta que foi uma festa quando receberam a notícia que iriam compartilhar o mesmo cartaz com artistas que são referência direta em sua obra.

“É uma coisa que até hoje é meio surreal pra gente. A ficha cai um pouco quando a gente vê nosso nome no line up, ao lado de todo mundo, mas acho que só vai cair mesmo quando estivermos no palco.”

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Gabriel Caetano
Gabriel Caetano
Publicitário que escreve sobre arte e entretenimento. Desde 09 tô na internet falando do que gosto (e do que não gosto) para quem possa gostar (ou não) também.

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