Como era trabalhar com os Rolling Stones em meio a tretas, segundo produtor

Gravações do álbum "Dirty Work" (1986) foram marcadas por brigas entre Mick Jagger e Keith Richards, como relembrou Steve Lillywhite

Em 1986, os Rolling Stones lançaram o álbum “Dirty Work”. Além dos singles “Harlem Shuffle” (cover do duo Bob & Earl) e “One Hit (To the Body)”, o trabalho ficou marcado pelo clima ruim entre os integrantes, sobretudo entre Mick Jagger e Keith Richards.

Pouco tempo antes das gravações, o vocalista lançou o seu primeiro disco solo, “She’s the Boss” (1985). Enquanto a ideia dele era focar na “nova carreira”, o companheiro guitarrista tinha outros planos.

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A situação guiou todo conflito envolvendo ambos, como contou Richards em trecho da autobiografia “Vida”, disponibilizada em 2010:

“O clima estava péssimo quando nos encontramos em Paris, em 1985, para gravar ‘Dirty Work’. As gravações tinham sido adiadas porque Mick andava trabalhando no seu álbum solo e estava ocupado promovendo a própria carreira. Ele tinha contribuído com pouquíssimas músicas para o nosso álbum, pois havia usado quase todas no dele. Além disso, ele frequentemente estava ausente do estúdio […]. A atmosfera horrível no estúdio afetou a todos nós. Bill Wyman (baixista) quase não aparecia mais. Charlie Watts (baterista) foi passar um tempo em casa. Hoje posso ver como as faixas daquele disco eram cheias de violência e ameaça.”

Quem precisou contornar o cenário foi Steve Lillywhite, produtor responsável pelo “Dirty Work”. Em entrevista ao Produce Like a Pro (via Ultimate Guitar), o profissional relembrou o período tempestuoso.

“A banda estava meio que separada, porque Mick e Keith não estavam conversando, todo mundo sabia. Mick tinha acabado de lançar seu primeiro álbum solo, que era carinhosamente conhecido como ‘aquele álbum disco’.”

Havia mais uma característica marcante (e engraçada) nos bastidores, segundo Lillywhite. Keith, juntamente do outro guitarrista Ronnie Wood, realizava longas jams ao longo dos dias, todas gravadas – o que demandou o uso de mil fitas, em suas palavras.

“Reservamos um estúdio em Paris, na França, a partir de 1º de janeiro de 1985. Claro que ninguém foi nesse dia, talvez alguns roadies. Já no dia 4, chegaram os equipamentos, Keith, Ronnie e mais ninguém. Então eles entraram no estúdio à meia-noite, e cara a cara, fizeram jams de blues por três horas. Às três horas da manhã, os engenheiros começaram a ficar um pouco cansados. Keith e Ronnie ainda estavam acordados. Das três às seis horas, os dois continuaram lá e, a essa altura, os engenheiros estavam exaustos. Aí nesse horário, Keith pediu a gravação de tudo, para voltar a tocar.”

Rolling Stones e “Dirty Work”

“Dirty Work” saiu em março de 1986. Com 11 faixas, o trabalho foi o último com a colaboração do pianista Ian Stewart, que morreu aos 47 anos, em 1985, de infarto fulminante. 

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Como mencionado, Mick Jagger e Keith Richards estavam em uma relação conflituosa durante o processo – com o frontman aparecendo pouco no estúdio. Devido ao vício em heroína, o baterista Charlie Watts também não participou muito, sendo substituído na função sobretudo por Anton Fig e Steve Jordan – que excursiona com a banda atualmente. 

O disco não ganhou uma turnê de apoio. Em vez disso, Jagger preferiu dedicar-se ao seu segundo trabalho solo, “Primitive Cool” (1987). À revista Rolling Stone, ele justificou:

“A banda não estava em condições de sair em turnê, simples assim. O álbum não era muito bom. O sentimento dentro da banda também era muito ruim. As relações estavam terríveis. E eu, particularmente, não estava em boa forma. Tivemos uma longa e ruim experiência gravando aquele disco e a última coisa que eu queria era passar mais um ano com as mesmas pessoas. Eu só queria sair.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 22 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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