Como era trabalhar com Ritchie Blackmore, segundo Tony Carey

Ao contrário de muitos outros músicos, tecladista não taxou antigo patrão como um tirano intransigente

Não é raro Ritchie Blackmore ser lembrado por seus aspectos negativos. O guitarrista que criou alguns dos riffs e solos mais memoráveis da história do rock costuma ser uma pessoa difícil de lidar – o próprio reconhece –, o que pode ser atestado pela alta rotatividade de músicas em suas bandas. A maioria sai tendo alguma queixa do genial e genioso instrumentista.

Porém, nem todos pensam assim. Um exemplo é o tecladista Tony Carey. Em entrevista ao Vintage Rock Pod, transcrita pelo Ultimate Guitar, o músico ex-Rainbow ofereceu outra perspectiva sobre o temperamento do patrão e colega.

“Ele nunca me disse o que tocar, nunca disse a Cozy (Powell, baterista) o que tocar. Durante as gravações de ‘Rising’, só deu palpites nos vocais de Ronnie James Dio. Trabalhou junto a ele e Martin Birch (produtor). Mas nas minhas partes de teclado, éramos só eu e Martin. Ritchie dava o fora, ia para outro lugar, voltava e dizia se tinha gostado ou não. E normalmente ele gostava. Não era nada ditatorial. Eu sabia que, musicalmente, estávamos na mesma página.”

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Carey aproveitou para exaltar o restante da formação que gravou o segundo disco da banda. Embora não tenha sido o que mais vendeu, é considerado o definitivo em termos de sonoridade.

“Todo mundo deu o seu melhor. Jimmy Bain arrasou no baixo, Cozy era um monstro. Ronnie era Ronnie. E Ritchie estava no topo de seu jogo. Conseguimos resolver tudo em pouquíssimo tempo. Não houve suor.”

Tony Carey e Rainbow

Tony Carey integrou o Rainbow entre 1975 e 1977. No período, registrou o álbum de estúdio “Rising” (1976) e o ao vivo “On Stage” (1977). Ainda participou das gravações de “Long Live Rock ‘n’ Roll”, lançado no ano seguinte, dividindo função com seu substituto, David Stone. No início do século atual, também integrou o Over the Rainbow, projeto com ex-membros.

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Além da carreira solo e do Planet P Project, gravou e excursionou com Michael Schenker Group, Pat Travers, Joe Cocker e John Mayall’s Bluesbreakers, entre outros. Também compôs trilhas para filmes, séries televisivas e peças publicitárias.

Sobre Ritchie Blackmore

Richard Hugh Blackmore, mais conhecido como Ritchie Blackmore, nasceu em Somerset, Inglaterra, em 14 de abril de 1945. Teve aulas de violão clássico com seu pai, de quem ganhou o primeiro instrumento em 1955, quando tinha 10 anos.

Curiosamente, mostrou-se pouco talentoso inicialmente e demorava muito para aprender o instrumento, até que, aos 13 anos, seu pai – já sem paciência – disse que lhe quebraria o violão na cabeça se não progredisse.

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O guitarrista foi um dos fundadores do Deep Purple, grupo do qual foi membro fundador e sugeriu o nome (o mesmo da canção favorita de sua avó). Com eles, conquistou fama mundial, mas também protagonizou uma série de conflitos. Deixou a formação pela primeira vez em 1975 e, no mesmo ano, fundou o Rainbow, com o qual também obteve grande notoriedade. Em 1984, retornou ao grupo que o consagrou e lá permaneceu até 1993. Em 1997, fundou, com sua esposa Candice Night, o duo de folk rock medieval Blackmore’s Night.

Costumava combinar na guitarra escalas de blues e frases em escalas menores da música clássica europeia, criando a futuramente denominada escala neoclássica da guitarra, muito utilizada pelo metal neoclássico. Entrou para o Rock and Roll Hall of Fame como membro do Deep Purple em 2016.

*Foto: Steve Knight / CC BY 2.0

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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