Foto: Helge Øverås / CC BY-SA 4.0

Quando Manny Charlton quase produziu “Appetite for Destruction”, do Guns N’ Roses

Guitarrista do Nazareth gostou da experiência com a banda e foi um dos vários “quase produtores” do álbum de estreia

Manny Charlton nos deixou aos 80 anos de idade. Além de seu trabalho como guitarrista do Nazareth até 1990, ele também tinha uma carreira como produtor que quase o fez produzir “Appetite for Destruction”, álbum de estreia do Guns N’ Roses.

Quando o GN’R assinou seu contrato com a gravadora Geffen Records, em 1986, vários produtores foram testados para ver o que se encaixava melhor com a proposta. Até mesmo Paul Stanley, vocalista e guitarrista do Kiss, foi trazido, mas logo dispensado após sugerir uma abordagem mais pop à pancada “Welcome to the Jungle”.

O pedido de Axl Rose

Em meio às tentativas, o vocalista Axl Rose fez uma sugestão, com base em como queria que o disco de estreia do Guns N’ Roses soasse. Ele pediu “o cara que produziu ‘Hair of the Dog’”, do Nazareth, que por coincidência era também o guitarrista da banda.

O próprio Manny Charlton relembrou o chamado da Geffen em entrevista ao site Legendary Rock Interviews, concedida no ano de 2012.

“Ah, a saga do GN’R… ok, o vocalista favorito de Axl é Dan McCafferty (Nazareth)… ele disse para a gravadora: ‘me tragam o cara que produziu ‘Hair of the Dog’, do Nazareth!’ O que Axl quer, Axl consegue! Eu fui para Los Angeles para conhecê-los e acabamos indo para o estúdio, onde gravamos em uma fita estéreo de duas pistas. Eles tocaram tudo ao vivo, foram ótimos.”

O resultado da sessão do Guns N’ Roses com Manny Charlton no comando rendeu 25 músicas, incluindo a base do que seria de fato “Appetite for Destruction”. Entre as gravações estavam versões de músicas como  “Paradise City”, “Rocket Queen”, “Welcome to the Jungle”, “Nightrain”, “Move to the City”, “November Rain”, “Shadow of Your Love” e “Reckless Life”, além de covers de Elvis Presley, Aerosmith, Rolling Stones e Rose Tattoo.

Estranhamente sóbrios

A impressão que Manny Charlton teve do Guns N’ Roses em seu período mais “selvagem” foi diferente do que acabou virando lenda. Em seu primeiro encontro com Axl Rose e Slash, o guitarrista do Nazareth percebeu logo que o vocalista liderava as escolhas. Charlton logo percebeu que estava em uma espécie de teste para a vaga de produtor.

Antes de viajar para Los Angeles, o membro do Nazareth só tinha tido acesso a gravações ao vivo do GN’R, mas se interessou pelo trabalho mesmo assim. Em seu relato para a revista Classic Rock a respeito da sessão, Charlton contou que não havia drogas ou álcool no estúdio Sound City, onde fizeram as sessões.

A boa impressão do Guns N’ Roses

Manny Charlton também não escondeu a boa impressão que teve do Guns N’ Roses nesse primeiro contato. Ele comparou a banda ao Aerosmith e aos Rolling Stones em relação ao visual e se impressionou quando Axl Rose, em um intervalo, sentou ao piano e mostrou o que viria a ser “November Rain” – já com a ideia de que a música deveria entrar em um álbum futuro, não na estreia.

Apesar do bom resultado das sessões, a parceria não foi adiante. A principal razão é que Charlton estava envolvido com as gravações do álbum “Cinema” (1986), do Nazareth, e precisava retornar à Europa. O fato de que passou por um “teste” envolvendo outros profissionais para a vaga de produtor acabou deixando-o desapontado.

No fim das contas, ele foi um dos responsáveis por dar forma a “Appetite for Destruction”, mas não produziu o disco – a vaga ficou com Mike Clink.

“Eu disse a Tom Zutaut (executivo da Geffen Records) que eu adoraria produzir o disco do Guns N’ Roses se pudéssemos alinhar nossas agendas. Mais tarde, fiquei sabendo que eles tinham testado outras 9 pessoas para a vaga.”

Apesar de ter gostado do que viu e ouviu, o guitarrista admitiu que jamais havia previsto o enorme sucesso conquistado pelo Guns N’ Roses com seu álbum de estreia – cujas vendas só engrenaram mesmo passado um ano do lançamento. Existia potencial, mas assim como praticamente todo mundo, ele não enxergou tudo isso.

“Eles eram só um monte de caras jovens vivendo seus sonhos de rock ‘n’ roll e se divertindo. Eu nunca previ que eles iriam se tornar uma das maiores bandas da história do rock.”

As versões de Manny Charlton

Em 2018, quando “Appetite for Destruction” foi relançado em uma versão deluxe, intitulada “Appetite for Destruction: Locked N’ Loaded”, parte dos extras apresenta as músicas produzidas por Manny Charlton. O material está presente no terceiro disco, sendo sinalizado pela marcação “1986 Sound City Session”, e pode ser ouvido nas plataformas digitais.

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