A despedida original do Faith No More em “Album of the Year”

Primeiro disco com Jon Hudson na guitarra também foi o último da banda antes de encerrar atividades em 1998; reunião ocorreu em 2009

O Faith No More é reconhecido como uma das bandas mais importantes e influentes de rock e metal dos anos 1980 e 90. Mas por quase tanto tempo que o grupo estava ativo nesse período, existiam rumores de estarem se separando.

Composta de muitas personalidades fortes juntas, a formação clássica do grupo havia lançado três discos de sucesso mundial e um número enorme de projetos paralelos. Em 1996, se preparando para a gravação do novo álbum em meio a essas obrigações, os músicos se viram morando em cidades e, em um caso, países diferentes.

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O resultado foi um processo demorado que acabou acarretando no fim da banda em 1998. Contudo, ao menos lançaram um documento musical desse período. Essa é a história de “Album of the Year”.

Mais uma mudança na guitarra

O primeiro sinal de que algo estava errado no reino do Faith No More foi a demissão de Dean Menta. Foi o segundo guitarrista a ser dispensado do grupo num período de três anos após a saída do membro original Jim Martin em 1994.

Em entrevista ao SF Gate, o baixista Billy Gould resumiu as razões para a decisão:

“Dean era bom em turnê; ele era um amigo nosso. Mas quando chegou a hora de compor, não tava dando certo.”

A distância geográfica entre os integrantes também dificultou o processo de composição, como o tecladista Roddy Bottum contou ao jornal australiano The Herald Sun em 1997:

“Decidimos que íamos simplesmente escrever um monte de canções e manter as composições mais simples possíveis e entrar no estúdio pra gravar o mais rápido possível. Esse era o método que usávamos para compor quando começamos a banda, um monte de de riffs repetitivos sem pensar demais. E aí o Mike voltou da sua turnê com o Mr. Bungle e ele gostou de mais ou menos metade das canções e achou que conseguia cantar em metade.”

Com a demissão de Menta e o fracasso dessa primeira tentativa de compor o disco, os membros buscaram refúgio em seus projetos paralelos. Bottum saiu em turnê com seu grupo Imperial Teen, o baterista Mike Bordin caiu na estrada com Ozzy Osbourne e Black Sabbath, Mike Patton foi para a Itália ficar com sua esposa e Gould pôs-se a viajar pela Europa.

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A inércia se quebrou quando Billy Gould voltou a San Francisco e começou a trabalhar com o novo guitarrista do grupo, Jon Hudson, que havia entrado em meio ao marasmo pós-sessões iniciais.

Esse trabalho dos dois rendeu duas canções que acabaram no disco, incluindo o single “Ashes to Ashes”.

Fé no Pro Tools

Uma vez que a bola voltou a rolar, o Faith No More se reuniu em San Francisco no início de 1997 para gravar com Roli Mosimann, do grupo de rock industrial The Young Gods.

The Young Gods era um grupo pioneiro pelo uso de edição digital e sampling em seus discos. Mosimann serviu como um conduíte para o FNM explorar esse campo, como Billy Gould declarou ao SF Gate:

“Ele vem de um ângulo que não exploramos antes, que é mais no lado da tecnologia. Tem um pouco de programação, mas as canções ainda são bem pesadas. As programações só colocam o som sob uma nova luz.”

Roli incentivou a banda a experimentar com uma tecnologia então nova que hoje se tornou padrão da indústria: Pro Tools. Em uma entrevista para a Keyboard Magazine em 1997, Gould deu um exemplo de como o engenheiro suíço usou o programa a serviço de uma canção:

“Um bom exemplo da habilidade de edição do Roli foi a canção ‘Mouth to Mouth’. Não estava soando certa pra nós. Era quase uma música descartável; Mas Roli gostava muito dela, então ele acabou pegando a bateria acústica do refrão e colocando nos versos usando Pro Tools. Deu uma nova vida à canção.”

O fim (?) do Faith No More

“Album of the Year” não foi nada bem recebido pela crítica especializada. Comercialmente, continuou uma tendência negativa para o grupo, que não conseguiram replicar o sucesso dos dois primeiros discos com Mike Patton, “The Real Thing” e “Angel Dust”.

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No início de 1998, boatos da saída de Patton, mais interessado em seus projetos paralelos, começaram a tomar conta dos grupos de notícias de fãs. Apesar das negativas iniciais, em 20 de abril daquele ano, um comunicado oficial confirmou o fim da banda:

“Ao terminar, a decisão dos membros é mútua, e não haverá ninguém apontando dedo, dando nome aos bois, além de dizer, para deixar atestado, que foi o Puffy (apelido de Bordin) que começou tudo.”

O Faith No More permaneceu separado até 2009, quando anunciaram uma turnê de volta. Desde então eles lançaram mais um disco, “Sol Invictus”, em 2015, e continuam juntos até hoje.

Faith No More – “Album of the Year”

  • Lançado em 3 de junho de 1997 pela Slash / Reprise Records
  • Produzido por Roli Mosimann e Billy Gould

Faixas:

  1. Collision
  2. Stripsearch
  3. Last Cup of Sorrow
  4. Naked in Front of the Computer
  5. Helpless
  6. Mouth to Mouth
  7. Ashes to Ashes
  8. She Loves Me Not
  9. Got That Feeling
  10. Paths of Glory
  11. Home Sick Home
  12. Pristina

Músicos:

  • Mike Patton (vocal)
  • Jon Hudson (guitarra)
  • Billy Gould (baixo)
  • Mike Bordin (bateria)
  • Roddy Bottum (teclados)

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Pedro Hollanda
Pedro Hollanda
Pedro Hollanda é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso e cursou Direção Cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Apaixonado por música, já editou blogs de resenhas musicais e contribuiu para sites como Rock'n'Beats e Scream & Yell.

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