Elifas Andreato, autor de capas de discos famosas, morre aos 76 anos

Artista gráfico produziu imagens para álbuns de Chico Buarque, Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Elis Regina, entre outros

Morreu nesta terça-feira (29), aos 76 anos, o artista gráfico Elifas Andreato. Autor de algumas das capas de discos mais famosas da música brasileira, ele não resistiu a complicações após um infarto sofrido dias atrás.

Nascido em Rolândia (PR) em 22 de janeiro de 1946, Andreato mudou-se para São Paulo em 1960. No início de sua vida adulta, começou a trabalhar como torneiro mecânico em uma fábrica, assumindo também a função de produzir charges com conteúdo sindical para uma publicação da empresa.

Não muito tempo depois, começou a trabalhar em agências de publicidade e nas revistas da Editora Abril. Já nas décadas de 1970 e 1980, consagrou-se em definitvo ao conceber capas para álbuns famosos da música brasileira, como:

  • “Nervos de Aço” (1973), de Paulinho da Viola;
  • “Arca de Noé” (1980), de Vinícius de Moraes;
  • “Ópera do Malandro” (1979) e “Almanaque” (1981), de Chico Buarque;
  • “Luz das Estrelas” (1985), de Elis Regina;
  • “A Rosa do Povo” (1977), de Martinho da Vila;
  • e “O Sorriso Ao Pé da Escada” (1983), de Jessé.

Além disso, criou cartazes para eventos artísticos, cenários para teatro e capas de livros. Entre elas, estão:

  • “O Pirotécnico Zacarias” (1974), de Murilo Rubião;
  • “A Morte de D. J. em Paris” (1975), de Roberto Drummond;
  • e “A Legião Estrangeira”, de Clarice Lispector (1925-1977).

De acordo com a Enciclopédia Itaú Cultural, “a linguagem visual de Elifas Andreato caracteriza-se pela representação figurativa de tipos brasileiros e expressão da cultura popular nacional”. Algumas de suas maiores influências foram Cândido Portinari e Di Cavalcanti.

“O estilo figurativo de Andreato caracteriza-se pela representação hiper-realista da figura humana com forte carga emotiva. Os personagens ganham novos significados, revelados em cores, texturas e elementos simbólicos.

Nas capas de discos que produz, é recorrente o uso do retrato, no qual o designer enfatiza o universo emocional do músico. Na capa do disco ‘Nervos de Aço’ (1973), por exemplo, Paulinho da Viola é retratado com um buquê de flores na mão e chora lágrimas densas.”

Um dos últimos trabalhos assinados por Elifas Andreato foi a capa do álbum “A Arte de Viver”, lançado por Toquinho em 2020.

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