Ronnie Spector, icônica cantora das Ronettes, morre aos 78 anos

Artista faleceu em decorrência de um câncer não especificado e solicitou doações a instituições de caridade em um de seus últimos pedidos

A cantora Ronnie Spector morreu nesta quarta-feira (12), aos 78 anos, vítima de um câncer. Ela se destacou com o famoso grupo vocal Ronettes, criado em 1957 com sua irmã Estelle Bennett e a prima Nedra Talley.

Em nota divulgada nas redes sociais, a família da artista disse que ela solicitou aos fãs que destinem doações à fundação American Indian College, que auxilia estudantes nativos americanos nos Estados Unidos, ou a abrigos em apoio a mulheres no país. Esse foi um dos últimos pedidos dela.

“Ronnie viveu sua vida com brilho nos olhos, uma atitude corajosa, um senso de humor perverso e um sorriso no rosto. Ela estava cheia de amor e gratidão. Seu som alegre, natureza brincalhona e presença mágica viverão em todos que a conheceram, ouviram ou viram.”

As Ronettes emplacaram hits como “Be My Baby”, “Baby, I Love You”, “(The Best Part of) Breakin’ Up” e “Walking in the Rain”, tendo excursionado com Beatles e Rolling Stones nos anos 1960. Romperam em 1967, retornando na década seguinte tendo apenas Ronnie das originais. Uma carreira solo também foi desenvolvida logo após o fim do grupo.

Entre suas colaborações está o single solo “Try Some, Buy Some”, escrito por George Harrison em 1971. O Beatle regravou a canção em seu álbum “Living in the Material World” dois anos depois.

Em 1999, ela lançou o EP “She Talks To Rainbows”, produzido por Joey Ramone. Já em 2003 gravou backing vocals para faixas do álbum “Project 1950”, dos Misfits, que reunia covers das primeiras décadas do rock.

Ronnie e as Ronettes foram induzidas ao Rock and Roll Hall of Fame no ano de 2007. Em setembro de 2020 foi anunciado que sua biografia, “Be My Baby: How I Survived Mascara, Miniskirts And Madness“, será transformada em um filme. A atriz e cantora Zendaya Coleman a interpretará.

Ronnie Spector e Phil Spector

Em 1968, Ronnie se casou com o produtor Phil Spector, com quem tinha um relacionamento desde o início da parceria artística, cinco anos antes. No período que a união durou, adotaram três crianças.

A separação ocorreu em 1972, após uma série de abusos físicos e psicológicos sofridos por Ronnie. Em seu livro, a artista diz que era obrigada a ficar dentro da residência do casal, que era cercada por arame farpado e cães de guarda, tendo que pedir permissão para sair. Ela dizia sofrer ameaças de morte do profissional musical.

A artista teve que fugir de casa, descalça, deixando tudo para trás, com a ajuda da mãe. Em 1974, o divórcio foi oficializado com um acordo que prejudicava a cantora – ela teve que ceder todos os seus ganhos futuros com direito autoral para Phil, pois ele dizia que iria contratar um assassino de aluguel para matá-la se ela não concordasse com tais termos. Em troca, ela recebeu US$ 250 mil e um carro usado.

Nas décadas seguintes, Ronnie e as outras Ronettes travaram longas batalhas judiciais contra Phil pelos direitos sobre a obra e royalties que nunca haviam sido pagos. O caso se estendeu até 1998, com as artistas ganhando US$ 1 milhão – apenas um décimo do que pediam.

Phil Spector morreu em janeiro de 2021, aos 81 anos, enquanto cumpria pena por ter assassinado a atriz Lana Clarkson em 2003. Na época, Ronnie declarou:

“Quando trabalhava com Phil Spector, vendo-o criar no estúdio de gravação, eu sabia que estava trabalhando com um dos melhores. Ele estava no controle completo, dirigindo a todos. Amava aqueles tempos. Conhecê-lo e me apaixonar por ele foi como um conto de fadas.

A música mágica que conseguimos fazer juntos foi inspirada pelo nosso amor. Eu o amei e entreguei meu coração e minha alma a ele. Como eu disse muitas vezes enquanto ele estava vivo, ele foi um brilhante produtor, mas um péssimo marido.

Infelizmente, Phil não conseguia viver e trabalhar fora do estúdio de gravação. A escuridão se instalou, muitas vidas foram prejudicadas. Eu ainda sorrio sempre que ouço a música que fizemos juntos – e sempre irei sorrir. A música será para sempre. Phil Spector 1939-2021.”

* Texto por João Renato Alves e Igor Miranda.

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