De xixi no Álamo a tentar matar Sharon: as prisões de Ozzy Osbourne

Estilo de vida do Madman já o levou a fazer algumas visitas dele ao “xadrez” ao longo dos anos

A vida de Ozzy Osbourne é marcada pelos excessos cometidos ao longo dos anos. Com uma “ficha” dessas, não é surpresa nenhuma que o vocalista do Black Sabbath já tenha sido preso algumas vezes.

É difícil precisar quantas vezes isso aconteceu, já que uma vida inteira de farra e turnês acaba cobrando seu preço – tanto na memória do cantor, como no registro de alguns acontecimentos. Porém, os principais problemas dele com a lei estão listados a seguir.

Um jovem e péssimo ladrão

A maioria das prisões de Ozzy Osbourne teve relação com algum exagero com álcool ou drogas, mas nem sempre foi assim. Na primeira vez em que viu o sol nascer quadrado, o Madman ainda era um adolescente, cansado dos empregos mais comuns que um jovem sem estudos daquela idade poderia conseguir em Birmingham, na Inglaterra.

O filho de Lilian e John Thomas “Jack” Osbourne trabalhou como aprendiz de encanador, ferramenteiro, afinador de buzinas automotivas e funcionário de um abatedouro. Não demorou muito até tentar a vida como ladrão, conforme o próprio Ozzy relembrou em entrevista ao The Big Issue.

“Eu tentei roubar um pouco, mas eu não era bom nisso. Uma p**ra de um inútil. Não fiz nenhum grande roubo. Foram menos de três semanas até eu ser pego.”

A situação envolveu um roubo de TV que não deu nada certo, segundo ele.

“Eu era um idiota. Uma vez, estava roubando uma TV e consegui levá-la, mas eu acabei caindo e a TV caiu no meu peito. Não conseguia tirar a m*rda de cima de mim. Então, tive que ficar lá até que eles me pegassem. Eu queria estar na televisão, mas a televisão era que estava comigo.”

Sem dinheiro para pagar a multa resultante de seu crime, Ozzy pegou seis semanas na prisão Winson Green. Seu pai, para lhe ensinar uma lição, também se negou a pagar o valor.

Em sua autobiografia, “Eu Sou Ozzy”, o vocalista ainda se lembraria das broncas do velho Jack Osbourne, ao descobrir que o filho havia sido pego pelas impressões digitais – ele usava luvas sem dedos, o que não adiantava muita coisa.

Ozzy Osbourne e os anos 80

Uma das prisões de Ozzy Osbourne, em 1984, na cidade americana de Memphis

Apesar de toda a loucura dos anos iniciais do Black Sabbath, Ozzy Osbourne conseguiu evitar o xadrez por toda a década de 1970. Mas isso não duraria muito.

Ele deixou a banda em 1979 e continuou em carreira solo na sequência. Logo em 1982, pouco tempo antes da morte de seu guitarrista Randy Rhoads, Ozzy acabou preso novamente. A história dessa detenção é uma das mais famosas de sua trajetória – e desmente a crença de que “todos os bêbados são protegidos por Deus”.

Em San Antonio, no estado americano do Texas, o vocalista estava tão louco que sua esposa e empresária, Sharon Osbourne, o trancou no quarto do hotel para que não desse trabalho. Ele foi privado até de suas roupas, com o intuito de realmente mantê-lo em uma espécie de cárcere.

Não adiantou. Muitas cervejas depois, o Madman acabou colocando um dos vestidos da própria Sharon e saiu para as ruas.

Quando a bexiga apertou, o vocalista se aliviou onde considerava ser um lugar qualquer. Deu azar: o local era a estátua do Cenotáfio do Álamo, um monumento a uma batalha ocorrida nas guerras de independência dos Estados Unidos, no início do século 19. Motivo de orgulho para todo o estado do Texas.

Flagrado, Ozzy Osbourne foi preso e acabou liberado mediante fiança para se apresentar na cidade naquela mesma noite. Depois do incidente, acabou banido de tocar em San Antonio até 1992, quando voltou em sua primeira turnê de despedida. Além de pedir desculpas em público, ofereceu uma boa doação em dinheiro para a entidade que administra o monumento.

Apenas dois anos depois, em 1984, uma situação parecida ocorreria em Memphis. Durante a turnê de “Bark at the Moon” (1984), Ozzy seria preso por intoxicação pública, após ser visto cambaleando pela rua no meio da madrugada. Desta vez, nenhum monumento histórico foi vandalizado, mas em entrevista de 2010 ele lembrou como costumava “funcionar” naquela época.

“Não posso cheirar uma carreira de cocaína casualmente, isso não faz sentido na minha cabeça. Eu nunca fui ao bar para só um drink, nunca fumei só um baseado. Eu costumava ir ao bar para ficar chapado. Não me ocorria que outras pessoas estavam lá por um drink.”

A hora de parar

Ozzy e Sharon Osbourne, em foto recente

A farra da década de 1980 chegou a um ponto máximo em 1989, que permanece sendo a última – e mais grave – ocasião em que Ozzy foi preso.

Por conta dos vícios, o Madman brigava com Sharon Osbourne frequentemente. Porém, a situação passou dos limites em uma noite na qual ele tentou estrangular a própria esposa.

No documentário “As Nove Vidas de Ozzy Osbourne”, a empresária relata ter colocado os filhos – Aimee, Kelly e Jack – na cama e começado a ler um livro. Segundo ela, Ozzy entrou no quarto calmo, mas transtornado, e disse:

“Chegamos à conclusão de que você precisa morrer.”

Em seguida, o cantor agarrou a esposa pelo pescoço e começou a estrangulá-la. Sharon, felizmente, conseguiu alcançar um botão de alarme que acionava a polícia. Na mente do artista, completamente fora de si, a única lembrança era a de acordar na cadeia, como ele relata no documentário.

“Estava me sentindo o mais calmo que já estive na vida. Estava em paz… tudo o que eu me lembro é de acordar na prisão de Amersham e perguntar para o guarda: ‘Por que estou aqui?’. Ele disse: ‘você quer que eu leia a acusação?’. Então, ele leu: ‘John Michael Osbourne, você foi preso por tentativa de assassinato.’”

A gravidade do problema fez com que toda a vida do vocalista, bem como seu casamento, fosse repensada. Pela primeira vez em muito tempo, Ozzy Osbourne mergulhou de cabeça na reabilitação. Desde então, tem se mostrado mais sóbrio na maior parte do tempo. Recaídas ocorreram em 2001, durante as gravações do reality show “The Osbournes”, e em 2011, com a reunião do Black Sabbath, mas sem maiores consequências.

* Texto por André Luiz Fernandes, com pauta e edição por Igor Miranda.

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