Manifesto Bar cria vaquinha para ajudar Paul Di’Anno com cirurgia no joelho

Responsáveis pela casa noturna paulistana criaram página no site Vakinha em busca de doações para operação do ex-vocalista do Iron Maiden, que o impede de andar há anos

Os responsáveis pelo Manifesto Bar, de São Paulo, organizaram uma vaquinha para ajudar Paul Di’Anno. O ex-vocalista do Iron Maiden, hoje com 63 anos, aguarda há anos a realização de uma cirurgia no joelho, algo que ainda não ocorreu devido à falta de dinheiro.

Em comunicado, o Manifesto Bar afirma:

“Paul Di’Anno já se apresentou no Manifesto Bar diversas vezes, com repertórios variados, seja de clássicos do Iron Maiden, versões e covers, músicas de suas bandas solo, como Killers.

No entanto, a relação de anos passa do lado artístico, pois o vocalista inglês também fazia questão de frequentar a casa, aberta em 1994, em todas as suas passagens por São Paulo. Paul se tornou um amigo próximo dos proprietários, funcionários e clientes do chamado ‘Templo do Rock’ de São Paulo.

Por isso, consciente dos problemas que vem enfrentando, vivendo com problemas no joelho e em cadeira de rodas há 6 anos, o Manifesto Bar se solidariza e cria uma campanha nos moldes do crowdfunding criado pelo pub Cart & Horses para custear uma cirurgia no joelho.”

Silvano Brancati, um dos proprietários do estabelecimento, declarou:

“Paul Di’Anno adora o Manifesto Bar, lugar que ele se sente em casa. Somos amigos, fãs e queremos ajudá-lo a sair dessa.”

Diferentemente da iniciativa criada pelo pub britânico Cart & Horses, que está no ar desde janeiro e já arrecadou 13 mil libras (cerca de 50% do valor necessário), a vaquinha do Manifesto Bar aceita doações em reais. Para colaborar, acesse a página no site Vakinha.

Os problemas de Paul Di’Anno

Paul Di’Anno sofreu com uma série de problemas de saúde nos últimos anos. Em 2016, o cantor foi internado para remover um abscesso “do tamanho de uma bola de rugby” em seus pulmões.

Nos últimos anos, ele também passou por substituição de ambos os joelhos após vários acidentes de motocicleta ao longo dos anos. Em seus últimos shows, realizados também em 2016, Di’Anno subiu ao palco em uma cadeira de rodas.

Por conta disso, o vocalista chegou a anunciar, em janeiro de 2020, que faria um show de despedida no Beermageddon Festival, em Bromsgrove, na Inglaterra. A apresentação foi agendada para o dia 30 de agosto, mas precisou ser adiada, por tempo indeterminado, devido à pandemia do novo coronavírus.

Em entrevista recente ao site do jornal El País, o cantor reforçou que está sem andar, locomovendo-se por meio de cadeira de rodas, há 6 anos. Ao ser operado para implantar uma rótula no joelho, contraiu sepse, infecção ocasionada por bactéria que não se resolve com antibiótico.

“Estou numa cadeira de rodas há 6 anos e quase não trabalhei nesse tempo. Tenho que pagar contas médicas. Sim, as coisas estão ficando um pouco complicadas”, afirmou.

Paul Di’Anno não é rico?

Ao ser dispensado do Iron Maiden, em 1981, Paul Di’Anno deixou completamente de ter vínculo com a banda. Em sua saída, o cantor fez um acordo onde vendeu os direitos autorais de toda a sua obra junto à banda – ele gravou o álbum de estreia homônimo, de 1981, e “Killers”, de 1981.

Desde então, Di’Anno criou vários projetos que nunca conseguiram a mesma repercussão do Maiden. Sua renda, então, passou a estar diretamente associada à realização de shows – algo que ele não faz desde 2016, devido, justamente, aos problemas de saúde.

Por que o Iron Maiden não ajuda?

Desde a vaquinha anterior, promovida pelo Cart & Horses, internautas começaram a questionar por que os integrantes atuais do Iron Maiden não ajudam Paul Di’Anno, já que o valor necessário para a cirurgia certamente não é alto para uma banda tão popular. Porém, a questão é mais complicada do que parece.

Ao longo dos anos, Di’Anno concedeu algumas entrevistas polêmicas e criticou abertamente seus ex-colegas, em especial o baixista Steve Harris, líder do Maiden. Há, ao que tudo indica, certo ressentimento nessa relação.

Por outro lado, em entrevista ao El País, o vocalista destacou que tem mantido contato ocasional com o baixista.

“Falei com Steve (Harris, baixista e líder da banda) há algum tempo e trocamos mensagens de vez em quando.”

Em participação no podcast “Uncle Steve’s Iron Maiden Zone“, Kastro Pergjoni, diretor de operações do Cart & Horses e responsável pela vaquinha no exterior, afirma que não quis entrar em contato com os músicos do Iron Maiden para pedir ajuda. Para ele, a própria banda deveria ter demonstrado interesse em colaborar.

“Sendo honesto, eu não (pedi). […] Não cabe a mim ir até eles, porque não tenho conexões diretas com os membros do Iron Maiden. Mesmo quando eu (preciso abordar) Steve (Harris, baixista), passo por seus amigos, irmã, amigos próximos que ele tem para conseguir coisas dele. Mas ir ao Maiden por algo que está relacionado ao Maiden… não acho que deveria ser eu, ou o Cart & Horses, os responsáveis pelo contato.

Adoraria caso eles chegassem e pudessem cobrir o que resta, ou algo do tipo. Mas não acho que seja minha responsabilidade chegar ao Maiden, porque (Paul) tem mais amigos e conexões com o Maiden do que eu. Se o Maiden quisesse, ou se outra pessoa quisesse, eles teriam feito isso. Mas até agora, nada, infelizmente.”

Além disso, o Cart & Horses chegou a conversar com membros do Iron Maiden no passado para pedir ajuda com relação a outro assunto: o próprio pub, que está realizando reformas desde seu fechamento, em junho de 2019. Pergjoni, então, entendeu que seria estranho solicitar auxílio dos músicos para duas questões diferentes.

“Peço a eles às vezes, ou pedi agora, especialmente com a reforma, que algumas coisas sejam doadas à Cart & Horses, e espero que eu consiga. Mas agora… ir perguntar a eles sobre outra coisa, que não está relacionada ao Cart & Horses, acho que não é a coisa certa a fazer. E também o próprio (Paul) relacionado ao Maiden, não sou eu quem tem relação com eles. É como pedir à família de outra pessoa. Mas se alguém quiser, e se alguém souber e tiver conexões com o Maiden ou com alguém lá, por que não?”

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