Foto: Lucca Miranda / divulgação

Ego Kill Talent se expande e vai além no novo álbum “The Dance Between Extremes”

Gravado no 606, estúdio do Foo Fighters em Los Angeles, disco expande o leque da banda, que está mais solta e com composições mais “arena rock”

O Ego Kill Talent lançou, nesta sexta-feira (19), seu segundo álbum de estúdio. Intitulado “The Dance Between Extremes”, o disco chega a público por meio da gravadora BMG.

As gravações do material foram conduzidas no estúdio do Foo Fighters, o 606, em Los Angeles, com produção de Steve Evetts (Sepultura, The Cure, Frank Iero). As sete primeiras faixas já haviam sido liberadas em EPs no ano passado – quando o álbum seria divulgado originalmente, antes da pandemia atrapalhar os planos do grupo.

Aliás, a Covid-19 não afetou apenas o lançamento de “The Dance Between Extremes”. A banda formada por Jonathan Dörr (vocal), Theo van der Loo (baixo e guitarra), Jean Dolabella (bateria e guitarra), Raphael Miranda (bateria, baixo e guitarra) e Niper Boaventura (guitarra e baixo) faria turnês com Metallica e System of a Down, dentro e fora do Brasil, além de marcar presença em festivais na América do Norte.

Para que o material não “envelhecesse”, a solução foi liberar as músicas, nos EPs, em doses homeopáticas. Ainda assim, a sensação de ouvir o álbum cheio, completo, do início ao fim, é diferente. É melhor.

Ouça “The Dance Between Extremes” a seguir, via Spotify.

Ainda em 2020, pude entrevistar Theo van der Loo, que detalhou alguns pontos cruciais de “The Dance Between Extremes”. Na visão do baixista/guitarrista, o novo álbum do Ego Kill Talent está, ao mesmo tempo, “mais pop e mais pesado”. “Em nossa música mais pop, você encontra o peso; e em nossa música mais pesada, você encontra o pop na melodia”, definiu ele, na ocasião.

Theo está correto. Em seu segundo álbum, o Ego Kill Talent expande seu leque de referências musicais e soa mais diverso do que no bom disco de estreia, lançado em 2017. Não dá para dizer que os caras pegaram “mais experiência”, porque todos já são bem rodados na cena (Jonathan liderou o Reação em Cadeia e Jean foi baterista do Sepultura, por exemplo), mas eles certamente estão mais entrosados, o que também dá para sentir nesse trabalho.

O primeiro ponto de evolução é a uniformidade na performance instrumental. Sempre impecáveis no âmbito técnico, os músicos da banda são notórios por trocarem de instrumentos entre as músicas. Dava para sentir essa mudança de line-up no primeiro álbum. Agora, em “The Dance Between Extremes”, há uma ou outra peculiaridade inerente a cada um, mas o resultado final é homogêneo nesse sentido.

Além disso, as composições estão mais bem formatadas, o que já se observa logo nas primeiras músicas. O rock/metal alternativo do quinteto ganhou contornos mais personalizados, fazendo com que a ousadia deixasse de estar apenas na peculiar troca de instrumentos para se juntar, também, ao processo criativo em si.

Com isso, toda a banda ganhou. Em minha visão, a solidez do repertório permitiu até mesmo que Jonathan Dörr se soltasse mais. Mesmo com uma seção instrumental tão bem arranjada, como é de praxe do grupo, dá para dizer que o vocalista é o grande destaque por aqui.

As quatro primeiras faixas logo chamam atenção por serem arena rock contemporâneo em melhor estilo. “Now!“, a abertura, é envolvente em todos os sentidos: riffs pesados, groove bem sacado, refrão grudento e tudo o mais. “The Call“, mais cadenciada, mantém e até amplifica essa dinâmica, com direito a refrão logo nos segundos iniciais e backing vocals mais agudos nos versos.

Na sequência, “Lifeporn” parece aliar os principais elementos das outras duas faixas: os riffs pesados de “Now!” e a pegada menos acelerada de “The Call”. Por sua vez, “Deliverance“, com letra de versos mais curtos e um raro solo de guitarra, tem uma abordagem mais alternativa que começa a indicar os caminhos que serão explorados em algumas faixas seguintes.

Mais climática, “Silence” é o mais próximo que temos de uma balada até aqui. Não cativa tanto quanto as outras, mas parece cumprir um papel de quebrar o ritmo da tracklist – que é retomado com a radiofônica “In Your Dreams Tonight“, música que deverá funcionar muito bem nos shows. Focada no groove, “Sin and Saints” acerta ao dialogar de forma mais próxima com o metal alternativo dos dias de hoje. É um dos destaques do álbum.

A ensandecida “Starving Drones (A Dinner Talk)“, primeira música a ser criada para o novo álbum, é, curiosamente, a mais diferente da tracklist. Apesar do refrão típico da banda, há trechos em rap, quase nu metal, nos versos. “Our Song” também rompe padrões, mas em outra direção: a semi-balada é a faixa mais afável do disco e traz, provavelmente, a performance vocal mais solta de Jonathan.

A pesada “Diamonds and Landmines“, dona de um pós-refrão irresistível, é conhecida do público desde 2018, quando saiu como single. Não à toa, estabelece uma ponte mais clara com o álbum de estreia, de 2017. Direta e com letra bem escrita, “Beautiful” é do tipo que mal deixa tempo para respirar – o que, nesse caso, é um elogio. “The Reason“, estrategicamente posicionada como a última do álbum, aposta numa pegada semi-balada que abusa dos bons ganchos melódicos. Fecha o trabalho no mesmo patamar de qualidade lá do início.

No todo, “The Dance Between Extremes” dá um passo adiante na busca do Ego Kill Talent por uma identidade sólida – talvez, a grande crítica que eu faria a seu disco de estreia. O quinteto parece ter encontrado um padrão artístico mais original por ter englobado referências mais distintas sem permitir, ao mesmo tempo, que as influências aparecessem tanto.

Felizmente, a “dança entre os extremos” do Ego Kill Talent chegou a um equilíbrio. Ainda é cedo para cravar, mas tudo indica que “The Dance Between Extremes” será um dos grandes álbuns de rock feitos por uma banda brasileira em 2021 – além do potencial de oferecer ainda mais destaque ao grupo no exterior. Recomendo.

O álbum está representado em minha playlist de lançamentos, atualizada semanalmente. Siga e dê o play:

Ego Kill Talent – The Dance Between Extremes

1. Now!
2. The Call
3. Lifeporn
4. Deliverance
5. Silence
6. In Your Dreams Tonight
7. Sin and Saints
8. Starving Drones (A Dinner Talk)
9. Our Song
10. Diamonds and Landmines
11. Beautiful
12. The Reason

Formação:

  • Jonathan Dörr (vocal)
  • Theo van der Loo (baixo e guitarra)
  • Jean Dolabella (bateria e guitarra)
  • Raphael Miranda (bateria, baixo e guitarra)
  • Niper Boaventura (guitarra e baixo)

* Foto da matéria: Lucca Miranda / divulgação

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