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Michael Jackson e Slash: a história da parceria consolidada em estúdio e ao vivo

Os dois artistas tiveram uma esporádica, porém produtiva parceria musical, especialmente na década de 1990

Michael Jackson e Slash tiveram uma esporádica, porém produtiva parceria musical, especialmente na década de 1990. Os dois artistas gravaram quatro músicas juntos, além de uma introdução que já deixou muitos fãs confusos no passado.

Todas as canções foram divulgadas em álbuns de Michael Jackson, sendo que o guitarrista do Guns N’ Roses atuava como convidado especial. São elas:

  • ‘Give In To Me’, do álbum ‘Dangerous’ (1991);
  • Passagem introdutória de ‘Black or White’, do álbum ‘Dangerous’ – não confundir com o riff principal da canção, gravado por Bill Bottrell;
  • ‘D.S.’, do álbum ‘HIStory: Past, Present and Future, Book I’ (1995);
  • ‘Morphine’, do álbum de remixes ‘Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix’ (1997);
  • ‘Privacy’, do álbum ‘Invincible’ (2001).

Além dos trabalhos em estúdio, Michael Jackson e Slash dividiram o palco em algumas ocasiões, incluindo a cerimônia do MTV Video Music Awards (VMA) de 1995 e o evento dos 30 anos de carreira do rei do pop, em 2001.

Eles gravaram até mesmo um videoclipe para a música ‘Give In To Me’, no início dos anos 90, com aparições de dois músicos do Guns N’ Roses que nem sequer tocaram na gravação: o guitarrista Gilby Clarke e o tecladista de turnês Teddy Andreadis. O baixista Muzz Skillings (Living Colour) e o baterista de Michael, Jonathan Moffett, também estão no vídeo.

O início da parceria

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Antes de chamar Slash, Michael Jackson já havia trabalhado com alguns guitar heroes notáveis em seus álbuns anteriores. Em ‘Thriller’ (1982), Eddie Van Halen gravou um icônico (e gratuito) solo para a música ‘Beat It’. Michael buscou repetir a dose com outro nome em ‘Bad’ (1987): Steve Stevens, da banda de Billy Idol, que registrou ‘Dirty Diana’.

Na próxima aposta de caminhos cruzados com o rock, o rei do pop queria trazer um nome mais contemporâneo. E ninguém melhor do que Slash, que se destacava com o Guns N’ Roses na época, para aquele trabalho.

Em entrevista à ‘Kerrang!’, em 2020, Slash contou que foi convidado por Michael Jackson para participar de seu próximo projeto, que acabaria se tornando o álbum ‘Dangerous’. “Meu empresário me ligou, dizendo: ‘Michael está tentando falar com você’. Eu fiquei tipo: ‘uau’. Liguei de volta e ele queria que eu tocasse em ‘Dangerous'”, afirmou.

Não foi tão fácil combinar o encontro: levou mais de um ano até que desse certo de cruzar as agendas. Michael, um fenômeno pop naquele momento, e Slash, no auge do Guns N’ Roses, estavam bem atarefados naqueles tempos.

Acabou dando certo. Os dois colaboraram na música ‘Give In To Me’, uma típica balada hard rock que traz um solo de Slash, e ainda deu tempo do guitarrista providenciar alguns experimentos instrumentos que acabaram nos segundos iniciais da versão estendida de ‘Black or White’.

Os dois marcaram no estúdio Record Plant, em Hollywood, Estados Unidos. “Ele estava lá com a atriz Brooke Shields. Foi surreal. Duas pessoas com as quais eu cresci, de certa forma. Ficamos conversando por alguns minutos, saímos para jantar e me deixaram com essa música (‘Give In To Me’)”, disse Slash, à ‘Kerrang!’.

O músico revelou, ainda, que não mudou muito sua abordagem na guitarra ao gravar a canção. “Fiz o que costumo fazer, ele realmente curtiu e depois me perguntou se eu gostaria de fazer algumas outras coisas. Eu tocaria em alguns shows aqui e ali. Foi divertido, pois ele era tão profissional, um enorme talento, de alto patamar. Isso foi o principal: ele era musicalmente fluido”, afirmou.

Em depoimento à ‘Interview Magazine’, em 1991, Slash relembrou: “Gravar com Michael foi o processo mais estéril e criativo no qual estive envolvido ao mesmo tempo. Tudo é montado a partir de amostras. Você usa a mesma batida e os mesmos acordes, depois adiciona elementos para diferenciar. […] Michael aluga o estúdio por um tempão, por anos, e aparece uma vez por mês”.

Como era estar com Michael Jackson

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Ainda à ‘Kerrang!’, Slash destacou o profissionalismo de Michael Jackson como sua principal característica em cima do palco – e até fora dele. “Em cima do palco, ele era muito profissional. Quando não estava trabalhando, ou estava produzindo ou algo do tipo, era quando você via como ele estava à mercê do próprio sucesso”, respondeu, inicialmente.

O guitarrista pontuou que existia “gente demais – muitos bajuladores e muitas pessoas que só falavam ‘sim'” no entorno do Rei do Pop. “Dava para notar que ele sabia que 90% daquelas pessoas eram falsas. Eu sentia pena dele nesse sentido”, disse.

E como era tocar com Michael Jackson nos palcos? A parceria foi levada a plateias ao vivo em algumas situações e Slash apontou como era tocar com o rei do pop e com sua banda de origem, o Guns N’ Roses.

“Fiz alguns shows com Michael em Tóquio e vi como essa coisa gigante funcionava. E ele estava no centro. A única hora que ele estava em uma zona de conforto era quando estava no palco. Logo após isso, o Guns tocou na mesma cidade e nosso sucesso era enorme, mas não era tão avassalador quanto o de Michael. Foi interessante observar as duas coisas, tendo cuidado com o que você desejou”, afirmou.

Michael Jackson e Slash após ‘Dangerous’

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Houve mais de Michael Jackson e Slash com o passar dos anos. Entretanto, a parceria adotou climas um tanto diferentes, ao menos em estúdio.

Quando o rei do pop começou a trabalhar no álbum que sucederia ‘Dangerous’, sua vida pessoal já estava rodeada de problemas. Foi nessa época que o cantor enfrentou sua primeira acusação de abusar sexualmente de crianças.

O disco ‘HIStory: Past, Present and Future, Book I’, lançado em 1995, parecia refletir a aura pesada que envolvia o artista no período. As letras, mais críticas, abordavam não só temas sociais, como seus próprios problemas.

Slash foi convidado a participar de uma das músicas mais pessoais do álbum: ‘D.S.’, cuja letra soa como um desabafo de Michael contra o promotor Tom Sneddon, responsável pela acusação ao cantor diante dos tribunais. Com direito a um sample de ‘Owner of a Lonely Heart’, hit do Yes, a faixa retoma a abordagem rock que o artista pop curtia explorar ocasionalmente – e foi aí que o músico do Guns N’ Roses se encaixou bem.

Dois anos depois, em 1997, Michael Jackson lançou o álbum de ‘Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix’ e voltou a trazer Slash como convidado. Agora, o guitarrista colaborou na faixa ‘Morphine’, que, apesar de adotar uma veia mais visceral em comparação às outras do disco, direciona o músico do Guns N’ Roses para fora de sua zona de conforto.

Desta vez envolvido em problemas profissionais, Michael Jackson levou anos para gravar o álbum ‘Invincible’ (2001) e apostou novamente em Slash para uma das faixas. Agora, a dupla gravou a faixa ‘Privacy’.

Mais uma letra crítica por parte de Michael: o alvo da vez era a imprensa, especialmente a sensacionalista, que invadia sua privacidade e não o deixava ter uma vida minimamente normal. Apesar dos beats eletrônicos conduzindo a canção, Slash aparece bem em seu solo de guitarra, com wah wah.

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