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Kirk Hammett diz que processo do Metallica contra o Napster não adiantou nada



O Metallica processou o programa de download Napster no início da década passada e, praticamente, liderou um movimento de artistas que repudiavam o aplicativo, um dos primeiros a disponibilizar música gratuitamente e sem autorização na internet. Duas décadas depois, o guitarrista da banda, Kirk Hammett, avalia a situação com outros olhos.

Em entrevista ao podcast “Let There Be Talk”, Kirk Hammett disse que o Metallica “não conseguiu fazer a diferença” neste caso. “Aconteceu e não conseguimos parar, porque era algo maior do que qualquer um de nós”, afirmou.

O guitarrista comentou que a tendência de se obter música ilegalmente de forma gratuita “afundou a p*rra da indústria musical”. “Não havia como parar isso. O que aconteceu foi que, de repente, era mais conveniente pegar música de graça e menos conveniente pagar por ela. Aí está”, disse.

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Kirk Hammett destacou que aquele momento impôs um “fator de nivelamento” aos músicos. “De repente, todos nós fomos levados de volta para a época dos menestréis, onde a única fonte de renda dos músicos é, de fato, tocar. É assim hoje em dia: exceto pelo fato de que muitas dessas bandas não estão tocando de fato. Estão apertando ‘play’. Mas há várias bandas que realmente tocam seus instrumentos e precisam fazer isso para sobreviver”, afirmou.

O Metallica se rendeu à “revolução digital” e disponibilizou sua discografia completa no Spotify em dezembro de 2012. Apesar disso, a situação está longe de ser boa: os aplicativos de streaming lucram bastante com as bandas, mas não repassam uma quantidade considerável deste rendimento para elas.

“Talvez as coisas mudem. Talvez, de repente, as pessoas começarão a preferir CDs ou qualquer outro formato ao invés do que está disponível agora. Quem pode dizer? Tudo mudou tão rapidamente. Poderia acontecer outra mudança agora mesmo”, afirmou.

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O processo do Metallica contra o Napster foi movido em 2000 após uma versão demo da música “I Disappear” vazar na internet e ser bastante compartilhada no aplicativo. O baterista Lars Ulrich foi o integrante mais “vocal” a respeito da situação e chegou a entregar, aos donos do programa de computador, uma lista com mais de 335 mil internautas que baixaram arquivos MP3 sem autorização por meio da ferramenta – todos eles foram banidos.

No fim das contas, o processo foi resolvido fora dos tribunais, com um acordo extrajudicial. O Napster deixou de existir no modelo gratuito e passou a cobrar por downloads, tornando-se, hoje, uma plataforma de streaming como as outras. Porém, diversos outros programas surgiram e fomentaram a prática do download ilegal.


Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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